DE BRAÇOS ABERTOS

Resgate histórico para a comunidade da Zona Portuária

Exposição Canteiro Aberto, na igreja de São Francisco da Prainha, apresenta detalhes da obra ao lado de registros pessoais dos moradores do entorno

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Obras de igreja costumam ser famosas pelo tempo que levam para serem concluídas. Não é o caso da reforma que está em curso na antiga igreja de São Francisco da Prainha, na Zona Portuária da cidade: a exposição Canteiro Aberto, instalada em meio ao restauro, uniu os profissionais responsáveis e a comunidade do entorno. Ao lado das fotografias e painéis que materializam a metodologia adotada durante a obra, juntam-se imagens doadas pelas famílias do Morro da Conceição e do bairro da Saúde com registros da vida religiosa da comunidade, como batizados, casamentos e outras festividades. A exibição dessas imagens, que são projetadas na parede do altar principal, tem feito um grande sucesso e comovido os moradores, que se reconhecem como parte integrante da história.

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(Foto: Cdurp/Clarice Tenório Barretto)

A construção, de 1696, vem sendo restaurada pelo programa Porto Maravilha Cultural e deve ficar pronta até o final do ano. A visitação ocorre aos sábados e domingos, das 10h às 16h, até o último fim de semana de julho. A entrada é franca.

São obras emergenciais de escoramento, execução de cobertura provisória e restauro arquitetônico executadas em parceria com a Construtora Biapó, cuja equipe profissional participa ativamente da exposição atuando como monitores e guias de modo voluntário nos fins de semana. Treinados para tirar dúvidas, eles serão responsáveis por receber a população que não tem acesso à edificação há 10 anos. Arquitetos, engenheiros, mestres de obras, museólogos, restauradores, almoxarifes, funcionários da parte administrativa e de segurança e até estagiários ajudam a receber os visitantes e fornecem informações sobre o processo de restauro.

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(Foto: Cdurp/Clarice Tenório Barretto)

“Investimos no envolvimento da comunidade no processo de recuperação do patrimônio histórico por acreditar que o acesso ao conhecimento e à educação patrimonial fortalecem a cidadania e os sentimentos de pertencimento das pessoas às suas comunidades e ao seu país”, afirma Manoel Garcia Filho, diretor da Biapó.

O diretor-presidente da Cdurp - Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro, Alberto Silva, destaca a importância da restauração para a revitalização da região portuária. “Fizemos um trabalho que mantém as características originais, mas devolve o imóvel à comunidade completamente reformado e seguro após dez anos interditado.”

“É muito importante o resgate da história que está sendo feito pela exposição com a palestra que conta a história da igreja. A maioria das pessoas não conhece. E as fotos mostrando a comunidade completam esse resgate”, afirma Renileide Silva, estudante de História que visitou a exibição.

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(Foto: Cdurp/Clarice Tenório Barretto)

 

Sobre a igreja

Construída em 1696 pelo Padre Francisco da Motta e doada em testamento para a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência em 1704, a igreja é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como monumento artístico. Incendiada em 1710 durante a invasão francesa, ficou em ruínas por alguns anos até que a Ordem Terceira iniciasse um processo de reconstrução, em novembro de 1738. A obra da nova igreja de São Francisco da Prainha ficou pronta em 1740.

 

SERVIÇO

Exposição Canteiro Aberto

Igreja de São Francisco da Prainha

Endereço: Adro de São Francisco s/n - Saúde

Visitação aos sábados e domingos, das 10h às 16h, até o último fim de semana de julho

Entrada franca

Fonte: VEJA RIO