Rio à francesa

Mostra apresenta o Rio em técnica similar aos mosaicos

A cidade é dividida em pedacinhos pelo artista parisiense Jean-François Rauzier, em mostra no Museu Histórico Nacional

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Escadaria Selarón
Escadaria Selarón - O francês subiu e desceu este atalho entre Lapa e Santa Teresa dezenas de vezes, parando a cada dez degraus para também fazer cliques do que estava ao redor, como o Hotel Casa da Escada e as bandeiras do Brasil pintadas nas paredes. “O resultado é um patchwork”, define. (Foto: Divulgação)

O Rio nunca se viu desse jeito. Com trabalhos que lembram mosaicos, com grande carga autoral e todos eles inéditos, Jean-François Rauzier propõe uma nova forma de olhar a cidade em Hiperfoto, exposição a ser aberta na terça (18) no Museu Histórico Nacional (MHN), no Centro. São 31 imagens da arquitetura carioca e de nossa paisagem urbana. O processo de produção de cada uma, que resulta em retratos incomuns como o Cristo Redentor saindo de uma favela, é complicado e envolve minúcias. Manipuladas no computador, algumas fotos chegam a alcançar um sugerido volume e podem até ser enxergadas como uma escultura bidimensional. É um tipo de arte que dialoga com o cubismo e o surrealismo.

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Mosteiro de São Bento
Mosteiro de São Bento - A igreja, no Centro, estava em obras em 2014, por isso Rauzier teve de trabalhar sob andaimes, entre os operários. Mesmo assim, conseguiu fazer 600 tomadas, produzindo o que chama de políptico. Nas suas palavras: “Na composição há elementos flutuantes que me vêm à mente quando estou em contato com a divindade. São formas que evocam a perfeição”. (Foto: Divulgação)
Cristo Redentor
Cristo Redentor - A estátua no topo do Morro do Corcovado foi o último trabalho que Rauzier realizou em sua estada no Rio. Segundo o artista, o rosto do monumento tem um “olhar acolhedor”. Ele finalizou o quadro com centenas de barracos. (Foto: Divulgação)

Um tanto fotógrafo, outro tanto artista visual, Rauzier, 63 anos, desembarcou no Rio em outubro passado, vindo de Paris, onde mora. Clicou cerca de 8 000 vezes, até maio, e voltou à Europa para montar seus caleidoscópios. Daqui ele diz ter ótimas lembranças: “Adorei o Centro Histórico e o Parque Lage, no Jardim Botânico. Aliás, essa presença da floresta dentro da cidade eu considero de uma vitalidade luxuriante”. Diz que era para ter feito apenas dez hiperfotos, e acabou produzindo o triplo. E conta que se encantou não só com as formas da cidade, mas também com o jeito carioca de ser. “Gostei da doçura das pessoas, do jeito de falar, da música e da riqueza humana”, enumera. A mostra fica em cartaz até 20 de setembro no MHN. Confira ao lado como foi realizada a composição de quatro imagens.

Real Gabinete Português de Leitura
Real Gabinete Português de Leitura - Foram feitas fotos de vários ângulos, tomadas da entrada, do mezanino, do piso (com o fotógrafo deitado) e até da altura da claraboia. O que mais chamou a atenção de Rauzier nesta biblioteca do Centro foi “a linda madeira de cor negra”. (Foto: Divulgação)

Fonte: VEJA RIO