CRIANÇAS

Graciliano para menores

Obra do autor alagoano inspira peça com trilha sonora tocada ao vivo pelo grupo Pedra Lispe

Por: Bruna Talarico - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Graciliano Ramos (1892-1953) é o autor de obras-primas como Caetés, São Bernardo e Vidas Secas. Capaz de transformar em peça literária até um relatório de prestação de contas do município de Palmeira dos Índios, do qual foi prefeito, o fértil escritor alagoano também produziu narrativas infantis. Uma delas, um livro de contos de 1938, inspira o espetáculo homônimo Histórias de Alexandre, em cartaz a partir de sábado (29) no CCBB. Desenvolvimento do projeto Contos Brasileiros, que em 2009 procurou associar a produção de ícones da literatura nacional a outras manifestações culturais, como a música, a peça é protagonizada pelo vaqueiro Alexandre (Antonio Karnewale e Cesar Amorim, que se alternam no papel). Tipo nordestino, ele recorre a causos mirabolantes para reinventar a difícil realidade em que vive. Ao lado de Cesárea (Marcê Porena), que confirma os relatos fantasiosos nos quais o marido é sempre o herói invencível, o personagem passeia por aventuras do folclore reunidas por Graciliano.

Conhecido por realizar um trabalho entre o erudito e o popular, influenciado pelo movimento armorial, o bom grupo Pedra Lispe executa a trilha sonora. O conjunto é formado por Alexandre Bittencourt (flautas), Rudá Brauns (bandolim), Pedro Messina (violão de sete cordas), Bruno Reis (viola sertaneja), Maria Clara Valle (violoncelo) e Thiago Kobe (percussão). Também à frente da direção, Karnewale tentou criar um universo lírico deixando de lado o caráter modernista do original --, voltado para típicos personagens brasileiros. Os figurinos de Marieta Spada, usados no projeto de 2009, foram transformados por Karla Pê para, desta vez, sugerir que o homem e a mulher em cena pararam no tempo no dia em que se casaram. A adaptação do texto é de Heloisa Leite.

Histórias de Alexandre (60min). Rec. a partir de 5 anos. Estreia prevista para 29/9/2012. Centro Cultural Banco do Brasil Teatro II (158 lugares). Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. Sábado e domingo, 16h. R$ 6,00. → Bilheteria: 9h/21h (fecha seg.). Até 4 de novembro.

Fonte: VEJA RIO