novidade nas telonas

Últimas Conversas e Winter Sleep são as estreias da semana

Além do documentário dirigido por Eduardo Coutinho e do drama turco, outros  seis entram no circuito

Por: Redação Veja Rio - Atualizado em

winter sleep
(Foto: Divulgação)

Entre as estreias da semana, a fita de ação A Estrada, que aborda a II Guerra Mundial, ora agrada ora entendia. O diretor Vicente Ferraz (de Soy Cuba, O Mamute Siberiano), enfrenta dificuldades sobretudo nas filmagens sob rigoroso inverno, que são refletidas no ritmo trôpego da narrativa — ora o filme dá uma boa arrancada, ora só pega no tranco. Já no longa Sorria, Você Está Sendo Filmado, graça passa de raspão e fica um gosto de constrangimento no ar. O crítico Miguel Barbieri Jr. destaca o documentário Últimas Conversas, última obra de Eduardo Coutinho, na qual ele pretendia entender o universo do jovem de hoje. Outro longa que agrada é o drama Winter Sleep, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme dirigido por Nuri Bilge Ceylan faz uma arguta crônica social da Turquia. 

Confira a programação completa:

  • Durante a II Guerra, cerca de 25 000 soldados brasileiros foram enviados à Itália. A história de A Estrada 47 enfoca o drama de quatro deles. Depois de passar um sufoco no alto de uma montanha, Guima (Daniel de Oliveira), Tenente (Julio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Piauí (o ótimo Francisco Gaspar) encontram abrigo numa casa abandonada. Lá, conhecem um repórter fotográfico (papel do português Ivo Canelas), que vai acompanhá- los numa difícil missão. O quarteto terá de encontrar e desarmar minas terrestres na estrada do título para os americanos chegarem a uma pequena cidade isolada. Em requintada produção de época, bancada por Brasil, Itália e Portugal, a trama tem lá seus momentos de suspense e drama, além de um argumento bastante original no cinema nacional. Contudo, as dificuldades enfrentadas pelo diretor Vicente Ferraz (de Soy Cuba, o Mamute Siberiano), sobretudo nas filmagens sob rigoroso inverno, são refletidas no ritmo trôpego da narrativa — ora o filme dá uma boa arrancada, ora só pega no tranco. Estreou em 7/5/2015.
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  • Dono de duas estatuetas do Oscar de melhor ator (por Sobre Meninos e Lobos e Milk), Sean Penn se mete numa roubada em O Franco-Atirador. O astro interpreta Terrier, um mercenário contratado para matar um ministro no Congo. Ele faz o serviço e sai de cena com medo de represália, deixando a namorada para trás (Jasmine Trinca). Anos depois, no mesmo país africano, ajuda uma ONG, quando é vítima de um atentado. Terrier sobrevive e vai atrás de Felix (Javier Bardem), seu antigo contratante e agora um empresário bem-sucedido na Espanha que, surpresa!, fisgou a amada do colega. O diretor francês Pierre Morel tem duas bombas no currículo, Busca Implacável (2008) e Dupla Implacável (2010). Aqui, não chega a realizar algo tão sofrível, mas nem as cenas de suspense e ação conseguem escapar do trivial. Estreou em 7/5/2015. 
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  • Redator da Rede Globo, Mathias (Bruce Gomlevsky) se suicida em seu apartamento, em Copacabana. O porteiro (Lázaro Ramos) e a mulher dele (Roberta Rodrigues) são os primeiros a encontrar o corpo. Entram, então, na casa outros personagens: o síndico (Otávio Augusto), a esposa dele (Susana Vieira), um agente funerário (Lúcio Mauro Filho), dois policiais (Juliano Cazarré e Thiago Rodrigues)... Em produção modesta e com uma única câmera estática no mesmo cenário, a trama da comédia Sorria, Você Está Sendo Filmado promete ser um teatro gravado nos moldes dos programas Sai de Baixo e Vai que Cola. A intenção do diretor e roteirista Daniel Filho foi, além de original, ousada. É pena que o resultado fique muito aquém das expectativas. O elenco marca boa presença, sobretudo Susana e Cazarré. Infelizmente, o texto não está à altura dos atores. A graça passa de raspão e resta um gosto de constrangimento no ar. Estreou em 7/5/2015.
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  • A comédia faz uma sátira à franquia Velozes & Furiosos aproveitando o mote do primeiro filme. Na trama, o policial Paul White (Alex Ashbaugh) infiltra-se numa gangue de corredores de rachas e, assim, conquista a confiança do líder, Vin Serento (Dale Pavinski). Estreou em 7/5/2015.
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  • Documentário

    Últimas Conversas
    Veja Rio
    Sem avaliação
    O mais importante documentarista brasileiro, Eduardo Coutinho foi assassinado pelo próprio filho em 2 de fevereiro de 2014. Poucos meses antes, o diretor havia terminado as entrevistas de seu derradeiro trabalho. Últimas Conversas é apresentado como tendo a montagem de Jordana Berg, antiga colaboradora, e finalização do produtor João Moreira Salles. Coutinho, como revela na cena de abertura, não estava contente com o resultado dos depoimentos no quarto dia das filmagens. Resmungão e contrariado, o grande mestre, diante da câmera, questiona até mesmo o próprio futuro. A partir daí, entram em cena adolescentes do 3º ano do ensino médio para contar casos da vida privada. Especialista na abordagem íntima, Coutinho extrai confissões de deixar os depoentes com lágrimas nos olhos — seja para falar de preconceitos, bullying, cota racial ou perspectivas profissionais. O cineasta não deu o ponto-final em seu canto do cisne, mas a fita faz jus à sua filmografia, equiparando- se a obras do nível de Edifício Master e O Fim e o Princípio. Estreou em 7/5/2015.
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  • Personagem do documentário Ela Sonhou que Eu Morri (2011), sobre presidiários estrangeiros no Brasil, o americano Christopher Kirk tem aqui a oportunidade de descrever sua história detalhadamente para os mesmos diretores. Fascinado pela “coleção” de hipopótamos do traficante Pablo Escobar, que ficaram abandonados após a sua morte, Kirk se manda dos Estados Unidos para a Colômbia. Lá, conhece uma mulher misteriosa, filha de um japonês com uma colombiana. Os realizadores entraram em contato com pessoas próximas ao detento na tentativa de localizar a famigerada amante dele. O conteúdo mais palpável, porém, está na longa declaração de Kirk, excelente narrador de sua própria trajetória. Com uma linguagem pop, o filme tem no frustrante (e não menos revoltante) desfecho seu maior deslize. Estreou em 7/5/2015.
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  • Nuri Bilge Ceylan, de 56 anos, é o mais importante cineasta turco da atualidade e um cronista afiado de seu país — vide seus trabalhos em Climas (2006) e 3 Macacos (2008). Winter Sleep, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano passado, tem mais de três horas de duração, recompensáveis ao fi m da sessão. Ambientada na Capadócia, a trama está centrada em Aydin (Haluk Bilginer). Esse ator aposentado e prestes a escrever um livro possui um gracioso hotel, além de ter herdado outras propriedades na região. Aydin leva um cotidiano a passos lentos, ao contrário da esposa (Melisa Sözen), ligada em causas sociais, e da irmã (Demet Akbag), que sente falta da agitação de Istambul. Um fato, porém, vai mexer com a rotina do protagonista. Ex-presidiário, Ismail (Nejat Isler) aluga uma casa dele e está com as prestações atrasadas. Por ver o pai em situação humilhante, seu pequeno filho atira uma pedra no carro de Aydin, detonando conflitos familiares e sociais. O roteiro, inspirado em contos de Tchecov, não rotula os personagens de bons ou maus nem de vilões ou mocinhos. Cada um, à sua maneira, se acha dono da razão diante das contradições da vida. Estreou em 7/5/2015.
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Fonte: VEJA RIO