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Que Horas Ela Volta? estreia no Rio

Estrelado por Regina Casé, o drama que trata a relação entre patrão e empregado entra no circuito carioca

Por: Redação VEJA RIO - Atualizado em

que horas ela vai
Que Horas Ela Volta? (Foto: Divulgação)

Vencedor dos Festivais de Sundance e de Berlim, Que Horas Ela Volta?, produção independente de Anna Muylaert é um dos destaques da semana. Protagonizado pela atriz e apresentadora Regina Casé, o drama tem como trama principal a delicada relação entre patrão e empregado. Outra fita que promote levar o público às salas de cinema é a continuação da comédia Ted 2, estrelada pelo ursinho beberrão e sem papas na língua.

O novo longa de Woody Allen, Homem Irracional merece o ingresso, assim como o documentário de Frédéric Tcheng, Dior e Eu.

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Confira a programação completa:

  • Esqueça a falta de imaginação que contamina as fitas de terror sobre casas assombradas, assassinos mascarados e espíritos em fúria. Ao provar que o gênero ainda pode ser tratado com o mínimo de originalidade, a produção indie Corrente do Mal se tornou queridinha entre críticos americanos. Com razão, aliás. Na trama, que amedronta ao sugerir uma ameaça invisível, uma entidade sobrenatural é “transmitida” de personagem a personagem por meio do ato sexual. Para se livrar da maldição, a única saída é contaminar outra pessoa o mais rapidamente possível. A metáfora do pânico da aids pode parecer óbvia, mas até os truques triviais da narrativa ganham sentido quando se nota a intenção do diretor David Robert Mitchell de remeter à atmosfera obscura de longas de horror dos anos 80 (a trilha sonora faz referência direta à filmografia de John Carpenter). O realizador tenta, sobretudo, refletir sobre a sombra deixada por aquela década no cinema de entretenimento e no mundo de hoje. Com uma diferença importante em relação a outras fitas de horror-cabeça: nos momentos de maior voltagem, esta provoca arrepios reais. Estreou em 27/8/2015.
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  • Documentário

    Dior e Eu
    Veja Rio
    Sem avaliação
    Não é preciso ser fashionista para roer as unhas durante a exibição do documentário Dior e Eu. Com o pique de um reality show, mas sem escorregar na superficialidade, o diretor francês Frédéric Tcheng visita os bastidores de uma das grifes mais respeitadas da moda em momento de expectativas à flor da pele. Na primavera de 2012, o estilista belga Raf Simons foi convidado para assinar pela primeira vez uma coleção da Dior. A escolha provocou desconfiança generalizada, já que o estilo minimalista do costureiro não parecia casar com a pompa romântica associada à marca. A missão dele não parou aí: Simons teve apenas oito semanas para desenvolver os figurinos da estação. Enquanto mostra os perrengues do dia a dia de uma equipe tecnicamente impecável (nos bastidores, o clima é de trincheira), o cineasta recorre a imagens de arquivo em preto e branco para trazer à tona as memórias do próprio Christian Dior (1905-1957), narradas no livro autobiográfico que dá nome ao longa. O vaivém entre passado e presente revela a batalha diária de uma empresa para, ao compreender as mudanças do mercado, manter-se no topo. Estreou em 27/8/2015.
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  • Ficção científica

    Expresso do Amanhã
    Veja Rio
    Sem avaliação
    Quando o assunto é cinema de fantasia, poucos diretores surpreendem tanto quanto o sul-coreano Bong Joon-Ho. Em O Hospedeiro, de 2006, criou um mix delirante de ficção científca, terror, filme-catástrofe e sátira política. Apesar de não superar o atrevimento daquele longa, Expresso do Amanhã corre riscos que seriam inaceitáveis em superproduções americanas. Filmado no Leste Europeu com um elenco internacional, o longa adapta uma HQ francesa ambientada em um futuro pós-apocalíptico. Em 2031, a Terra se tornou um planeta cinzento, congelado após uma tentativa frustrada de combate ao aquecimento global. Os sobreviventes habitam vagões de um trem em movimento constante, confinados de acordo com sua classe social. Quanto mais perto da cabine do comandante, maior o grau de ostentação. Essa estabilidade será abalada por um grupo de rebeldes liderado por Curtis Everett (Chris Evans). Mesmo confinado em cenários claustrofóbicos, o cineasta transforma cada um dos setores do expresso em um mundo à parte, e eles se desdobram aos olhos do espectador como etapas de um videogame. O visual é arrasador. Pena que o roteiro se torne repetitivo e perca o gás bem antes da fase final. Estreou em 27/8/2015.
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  • De uma fita de ação inspirada no universo dos games, espera-se um visual de cair o queixo. Eis o maior dos pecados cometidos por esta nova versão cinematográfica para a série de jogos Hitman (a primeira, um fiasco total, saiu em 2007). Sem inspiração para misturar ficção científca e thriller, o diretor estreante Aleksander Bach cai na mesmice das fitas de espionagem e entedia o público com uma encenação tão pobre quanto a de um seriado de segundo escalão. O personagem-título, interpretado laconicamente pelo inglês Rupert Friend (de Orgulho e Preconceito), é um assassino de elite programado geneticamente para eliminar os alvos de uma agência misteriosa. Esse homem-máquina, vestido impecavelmente com terno e gravata vermelha, é escalado para proteger uma mulher (papel de Hannah Ware) cujo pai, um cientista brilhante, tem a chave para a multiplicação de clones superpoderosos. Os leigos em videogame sairão da sessão sem entender por que esses personagens tão monótonos provocam tamanho entusiasmo. Estreou em 27/8/2015.
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  • Um thriller sobre assassinato pode, sim, ser narrado com a leveza de uma comédia romântica. Como? Woody Allen mostra. Em seu novo longa-metragem, o 45‚ da carreira, o nova-iorquino de 79 anos combina suspense hitchcockiano, filosofia e um humor discreto (porém ácido) para contar a história de um professor universitário obcecado pela ideia de cometer o crime perfeito. Na cabeça de Abe Lucas (Joaquin Phoenix), matar um desconhecido corrupto seria a melhor maneira de ganhar paz de espírito. Ao maquinar esse plano, o acadêmico fica mais otimista e se envolve com uma estudante (Emma Stone) e uma professora (Parker Posey). Golpes do acaso vão bagunçar as expectativas do trio — e não pouparão o espectador. Embora os minutos finais guardem uma surpresinha cruel, o mais curioso é como Allen opta por um discurso sutil para rir das certezas do protagonista. Estreou em 27/8/2015.
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  • Filmes nacionais recentes como O Som ao Redor e Casa Grande mostraram a força de dramas que trazem à tona discussões atuais sobre a sociedade brasileira. O paulistano Que Horas Ela Volta? acrescenta a essa onda um “algo mais” irresistível: a capacidade de comover o espectador. O prestígio internacional do novo longa de Anna Muylaert (de Durval Discos e É Proibido Fumar), vencedor de prêmio de público no Festival de Berlim, pode ser creditado ao apelo universal de uma trama sobre amor de mãe. O impacto, no entanto, teria sido muito menor sem Regina Casé à frente do elenco. Desde Eu Tu Eles, de 2000, a atriz estava devendo uma interpretação memorável. No papel da empregada doméstica Val, ela garante alma às provocações da cineasta, que discute por um viés intimista as relações de poder escondidas no nosso cotidiano. Conformada com uma vidinha estável, mas sem perspectivas, a pernambucana mora num cômodo abafado de uma mansão no Morumbi e se considera uma segunda mãe do adolescente Fabinho (Michel Joelsas). Esse clima de falsa harmonia cai por terra quando sua filha, Jéssica (Camila Márdila, que dividiu com Casé o troféu de melhor atriz no festival americano de Sundance), resolve passar uma temporada em São Paulo para prestar vestibular. O choque de temperamentos será bombástico. Sem a menor vontade de ser tratada como cidadã de segunda classe, a jovem irritará a patroa (Karine Teles) e será desejada pelo pai da família (Lourenço Mutarelli). Embora pese um pouco a mão na solução dos confitos, amarrados sem tanta sutileza, Muylaert dá conta de transformar, pouco a pouco, a maneira como o espectador vê essa personagem “invasora”: de visitante inconveniente a uma força rebelde capaz de mostrar à mãe que a vida pode ir além do quartinho dos fundos. Estreou em 27/8/2015.
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  • Comédia

    Ted 2
    Veja Rio
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    Quem apostaria que um ursinho de pelúcia beberrão, mulherengo e desbocado teria cacife para virar fenômeno pop? Superando as expectativas mais otimistas de Hollywood, foi exatamente esse o destino do tipinho politicamente incorreto criado pelo comediante Seth Mac Farlane (autor do desenho para adultos Family Guy). Graças a ele, o longa-metragem Ted, de 2012, arrecadou quase 550 milhões de dólares no mundo todo e... rendeu uma continuação caça-níquel, claro. Com porte de superprodução, Ted 2 não teve a mesma sorte e acabou rejeitado pelo público americano. A explicação para o fracasso é, infelizmente, de ordem criativa: embora mantenha o es(e esdrúxulo, como esperado), mas desenvolvido num roteiro tão bobinho e “adultescente” quanto os protagonistas. Em um dos momentos mais embaraçosos, um acidente num banco de esperma dá a “deixa” para uma piada racista sobre a vida sexual da socialite Kim Kardashian. O humor vale-tudo, usado de maneira acertada na fita anterior, não combina com uma mensagem em defesa dos direitos das minorias. Em vez de divertir, a brincadeira apenas incomoda. Estreou em 27/8/2015.
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Fonte: VEJA RIO