CINEMA

Novidades da França

Eu, Mamãe e os Meninos e Grand Central, as duas pré-estreias da semana, são bons representantes da produção recente daquele país

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

É impossível não lembrar do filme Minha Mãe É uma Peça, do humorista Paulo Gustavo, ao assistir à comédia Eu, Mamãe e os Meninos, escrita, realizada e protagonizada pelo talentoso Guillaume Gallienne, em pré-estreia na cidade. Embora com resultado muito superior ao longa-metragem nacional, o enredo traz várias semelhanças. O texto também veio do teatro e tem fundo autobiográfico. Surpresa na premiação do César 2014, Gallienne levou os troféus de melhor filme, filme de estreia, ator e roteiro, numa competição em que havia o badalado Azul É a Cor Mais Quente e o formidável O Passado. Além de bastante divertida, a fita possui um fundo psicológico, raramente encontrado em textos de humor. Gallienne surge em um palco para passar a limpo sua trajetória. Adolescente (e convincente para seus 42 anos), ele tinha uma convivência de unha e carne com a mãe (papel do próprio intérprete). Enquanto seus irmãos mais velhos gostavam das brincadeiras de meninos, Guillaume se vestia de Sissi e sonhava ser rainha de um palácio. Ele se considerava um garoto, digamos, do sexo feminino. Afeminado e afetado, Guillaume ganhou um destino de erros. Na Espanha, aprendeu a bailar como as mulheres. Passou de colégios a internatos sofrendo bullying ou obrigado a seguir no armário. Entre os risos inevitáveis e a seriedade do assunto, o filme encontra uma saída inusitada (e não menos emocionante) para o desfecho do personagem, ligada diretamente à relação materna.

✪✪✪ Eu, Mamãe e os Meninos, de Guillaume Gallienne (Les Garçons et Guillaume, à Table!, França/Bélgica, 2013, 85min).

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(Foto: Redação Veja rio)

Desprezado pela família, o desempregado Gary Manda (Tahar Rahim) encontra uma chance de trabalho no sul da França. Poucas pessoas se arriscam a pegar o emprego, e há um motivo para isso. O local onde Gary passa a cumprir as tarefas é na área de maior contaminação de uma usina nuclear. Além de correr alto risco profissional, o protagonista do drama francês Grand Central embarca num romance radioativo. Ele faz amizade com a turma de colegas, recebe especial atenção de Toni (Denis Ménochet) e acaba se envolvendo com Karole (Léa Seydoux), a mulher dele. Gary e Karole são jovens e não têm um futuro tão promissor. Em seu segundo longa-metragem, a diretora e roteirista Rebecca Zlotowski faz um interessante registro do amor. Compara a tensa relação dos amantes com a instabilidade de viver sob o domínio do medo de um desastre nuclear. Em ricos papéis, Tahar Rahim (O Profeta) e Léa Seydoux (Azul É a Cor Mais Quente) garantem mais credibilidade à trama.

✪✪✪ Grand Central, de Rebecca Zlotowski (Grand Central, França/Áustria, 2013, 94min). 12 anos.

Fonte: VEJA RIO