Caminhada da reviravolta

Inspirado em história real, Livre fala de superação

O drama tem como protagonista a atriz Reese Whiterspoon, indicada ao Oscar, no papel de uma ex-viciada em heroína

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Reese Witherspoon
Reese Witherspoon: indicada ao Oscar de melhor atriz (Foto: Divulgação)

AVALIAÇÃO ✪✪ 

Cheryl Strayed (interpretada com afinco por Reese Witherspoon, indicada ao Oscar) tinha 26 anos quando, em 1995, decidiu, literalmente, colocar o pé na estrada. Destruída pelo vício em heroína, com o bom casamento desfeito e abalada pela morte da mãe (Laura Dern, candidata a melhor atriz coadjuvante), quis provar a si mesma que era capaz de dar a volta por cima. Para isso, não poupou esforços. Munida de um pesado mochilão, embarcou numa jornada pela Pacific Crest Trail, trilha na costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave em direção ao Estado de Washington. Foi uma longa caminhada de quase 1 800 quilômetros em meio a desventuras e medos. Cheryl chegou ao destino com os dedos calejados e a paz de espírito almejada. Para contar essa fascinante história em Livre, inspirada em livro autobiográfico, o diretor canadense Jean-Marc Vallée escalou o badalado escritor Nick Hornby (Alta Fidelidade) como roteirista. Embora o penoso percurso seja percebido pelo espectador por meio das diferentes paisagens do caminho, o filme não consegue transmitir a dureza da trajetória da protagonista. A qualquer sinal de perigo, acena-se com uma fácil resolução — seja ao ver uma cobra ou na chegada de uma tempestade. O deslize cometido pelo diretor em Clube de Compras Dallas, seu trabalho anterior, aqui se repete: uma trama recheada de momentos reais é encenada como uma ficção pouco crível. Direção: Jean-Marc Vallée (Wild, EUA, 2014, 115min). 16 anos. Estreou em 15/1/2015.

Fonte: VEJA RIO