cinema

Letícia Simões e José Padilha

Movidos pelo inconformismo, a jovem que largou o jornalismo e o criador de Tropa de Elite exibem uma paixão irrefreável pelos temas fortes e polêmicos

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Fotos: Fernando Lemos  Produção: Daniela Arend
(Foto: Redação Veja rio)

José Padilha, 43 anos, frequentou os bancos da mesma universidade de Letícia Simões, 23. Mas quem os conhecesse na PUC ainda calouros dificilmente apostaria que o futuro dos dois tivesse a ver com cinema. Ele cursou administração e especializou-se em economia. Ela fez jornalismo. Apesar de ambos tentarem seguir a carreira original, encantaram-se pelo universo das luzes e câmeras e pelas obras com fortes tintas documentais. Ex-funcionário de um banco de investimentos, Padilha debutou nas telas com Ônibus 174 e entrou para a história do cinema nacional com Tropa de Elite 1 e 2. Nos três trabalhos, ele se propôs a revelar os mecanismos que engendram a violência urbana. ?Em Ônibus, eu mostro que o estado cria criminosos pela forma como lida com meninos de rua?, diz. ?Já Tropa 1 e Tropa 2 exibem como o poder oficial produz PMs corruptos por administrar pessimamente a polícia?, explica o cineasta, que dirigirá a refilmagem de Robocop nos Estados Unidos. Uma vocação semelhante de expor nas telas feridas incômodas também é apresentada por Letícia. A diferença é que, em vez de se debruçar sobre tiros e execuções sanguinárias, a jovem baiana radicada no Cosme Velho procura enxergar nuances de uma realidade cruel por trás de poesias. Seu primeiro longa, em fase de conclusão, chama-se Bruta Aventura em Versos ? e esmiúça a vida e a obra de Ana Cristina César, poetisa carioca que se matou em 1983, aos 31 anos.

Fonte: VEJA RIO