CINEMA

A leveza do primeiro amor

Com simplicidade, o drama gay Hoje Eu Quero Voltar Sozinho aborda a relação de dois amigos e suas descobertas

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Transformar a história do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho num longa-metragem foi a difícil tarefa que o diretor Daniel Ribeiro se propôs a enfrentar depois de faturar, em 2010, quatro prêmios no Festival de Paulínia. Passados quatro anos, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é lançado após excelente acolhida no Festival de Berlim, de onde saiu com o prestigiado troféu Teddy, destinado a produções gays. Espera-se que o sucesso no exterior e os elogios nas pré-estreias se reflitam na bilheteria. Quem viu o original, disponível no YouTube, vai notar muitas semelhanças, mas nenhuma gordura. Ribeiro usou o mesmo fio condutor e os três desconhecidos atores principais para narrar uma cativante trama envolvendo a descoberta da homossexualidade. Na trama, Leo (o ótimo Ghilherme Lobo) tem de driblar o preconceito e o bullying na escola por ser cego. Sua única amiga e confidente, Giovana (Tess Amorim), o acompanha diariamente até a porta de casa. A chegada de Gabriel (Fabio Audi) ao colégio vai tumultuar a relação dos amigos. Esse rapazinho de cabelos de anjo mexe com os hormônios das meninas e, mais tarde, com o coração de Leo. Ribeiro incluiu personagens e situações não encontradas antes. São adendos pertinentes (como a vontade de Leo de fazer intercâmbio nos Estados Unidos) para dar fôlego e uma arejada ao enredo. A realização também se revela um primor - sem afetações nem lugares-comuns, o cineasta conduz o nascimento de um romance leve sustentado na descontração e na inocência do primeiro amor. A canção There?s Too Much Love, da banda Belle & Sebastian, faz um arremate de arrancar suspiros. Direção: Daniel Ribeiro (Brasil, 2014, 96min). 12 anos. Estreou em 10/4/2014.

Cinemark Downtown 3 e 9, Espaço Itaú de Cinema 5, Estação Barra Point 1, Estação Ipanema 1, Estação Rio 1, Estação Vivo Gávea 2, Odeon Petrobras.

Fonte: VEJA RIO