luz, câmera, ação

Fique de olho nos 30 filmes na programção do Rio

Confira as fitas em cartaz na cidade, como o documentário Dior e Eu e do drama estrelado por Regina Casé Que Horas Ela Volta?

Por: Jana Sampaio - Atualizado em

dior e eu
Dior e Eu (Foto: Divulgação)

A dica para quem vai ficar na cidade durante o feriado do Dia 7 de Setembro é curtir um cineminha. Entre os títulos que se destacam, o público poderá conferir os longas Que Horas Ela Volta?, Missão Impossível, Expresso do Amanhã, Homem Irracional, A Dama Dourada, Dior e Eu e Gemma Bovary.

+ Festival Internacional de Cinema Infantil reúne mais de de 100 filmes 

+ Ação O Agente da U.N.C.L.E. estreia no circuito carioca

+ Cachaça Cinema Clube celebra a boemia no Odeon

Confira a programação completa:

  • Aos 84 anos, o veterano diretor francês Jean- Luc Godard, expoente da nouvelle vague na década de 60, faz uso do 3D em seu novo trabalho. Trata-se de um drama envolvendo um homem (Kamel Abdeli) e uma mulher casada (Héloïse Godet) discutindo filosofia. sob o olhar atento de um cão. Estreia prometida para 30/7/2015.
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  • Documentário

    Campo de Jogo
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    Filmado em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, o documentário do filho de Glauber Rocha (1939-1981) registra uma partida de ato futebol entre dois times de favelas do Rio de Janeiro. O olhar do diretor foge, claro, do convencional, para honrar a origem paterna. Assim, o filme se arrasta mostrando lances em ângulos inusitados e faz uso de câmera lenta para parecer “artístico”. No fim das contas, é um trabalho pretensioso e de interesse muito, muito restrito. Estreou em 23/7/2015.
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  • A novela infantil, que foi ao ar pelo SBT entre maio de 2012 e julho de 2013, ganha seu primeiro longa-metragem, em pré-estreia e lançamento marcados para quinta (23/7). Deve fazer sucesso porque fã que é fã deve aprovar. Os personagens de Carrossel — O Filme são os mesmos, assim como os atores, mas a sala de aula foi trocada por um acampamento de férias. Para lá rumam a diretora Olívia (Noemi Gerbelli), a faxineira Graça (Márcia de Oliveira) e dezesseis alunos. O dono, Sr. Campos (Orival Pessini), e o assistente dele, Alan (Gabriel Calamari), o “colírio” das meninas, os recebem. Começa aí a aventura? Não! Pelo roteiro raquítico, cenas de pastelão são enxertadas numa história nada empolgante, cujos conflitos se resolvem de modo óbvio e rasteiro. Entre eles está o romance de David (Guilherme Seta) e Valéria (Maisa da Silva), ameaçado pela divisão do grupo para participar de gincanas. O maior problema, porém, leva o nome de Gonzáles (Paulo Miklos). Acompanhado de seu fiel escudeiro (Oscar Filho), esse sujeito asqueroso quer comprar o sítio e, sem sucesso, passa a sabotar a propriedade. O cinema nacional perde, outra vez, a oportunidade de entregar um produto criativo para crianças e pré-adolescentes. A fórmula deu certo na TV e segue aqui pelo mesmo caminho: o filme se vale de piadinhas manjadas, situações românticas extremamente ingênuas e, além de vilões estereotipados, as armadilhas para pegá-los lembram as peripécias de Macaulay Culkin em Esqueceram de Mim, uma fita com mais de duas décadas (!!). A trilha sonora e os números musicais garantem, ao menos, sopros de harmonia. Último alerta: Cirilo (papel de Jean Paulo Campos) e Maria Joaquina (Larissa Manoela), estrelas do folhetim da TV, têm aqui participação igual à dos outros colegas, fato que pode causar certa decepção nos pequenos. Estreia prometida para 23/7/2015.
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  • O documentário de Joana Nin conta a história de sete mulheres apaixonadas por presidiários. Reféns dos seus amores bandidos, elas falam sobre a distância e as limitações da prisão no relacionamento e na esperança de constituírem famílias. Direção: Joana Nin (Brasil, 2013, 77min). 12 anos. Estreou em 20/8/2015.
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  • Banhos, de 1999, era um eficiente retrato da China, dividida entre gerações. Diretor daquele filme, Zhang Yang tenta algo semelhante em seu novo trabalho, O Ciclo da Vida. A história cobre a trajetória de idosos numa casa de repouso, mas concentra-se, sobretudo, no senhor Ge (Xu Huanshan), que perdeu a segunda esposa, foi despejado por seu enteado em troca de dinheiro e tem rusgas permanentes com o filho. Ele vai, então, à procura do velho amigo Zhou (Wu Tian- Ming). Lá, ambos ficam às voltas com as durezas da idade e, para descontrair, ensaiam uma divertida apresentação para um concurso de TV. Apesar de muitas vezes ser um registro duro e realista da velhice, o longa-metragem escorrega em concessões sentimentais. A melosa trilha sonora instrumental, por exemplo, pontua cada momento de emoção. Também são dispensáveis as forçosas sequências para arrancar lágrimas do espectador à custa de uma morte anunciada. Estreou em 16/7/2015.
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  • Héctor (Lucio Giménez Cacho) tem 15 anos e, no fim da temporada de verão, vai passar uns dias num hotel do litoral, praticamente às moscas. A companhia de sua mãe, Paloma (María Renée Prudencio), parece ser ideal. Em sintonia, eles matam o tempo esticando-se ao sol e jogando cartas. A entrada da garota Jazmín (Danae Reynaud) na trama de Club Sandwich traz certa desarmonia à relação. Embora com uma premissa atraente sobre a intensidade do amor materno na adolescência, a comédia dramática mexicana fica na superfície da abordagem e, com uma narrativa contemplativa, despreza as palavras mais duras em nome de silêncios descartáveis. Estreou em 9/4/2015.
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  • Finalista do Oscar 2015 de melhor animação, O Conto da Princesa Kaguya perdeu o prêmio para Operação Big Hero. Dá para compreender a decisão. Ao contrário do desenho animado vencedor, da Disney, com apelo muito mais popular, a pequena obra-prima japonesa segue a “antiga” técnica dos traços manuais e traz à tona uma fábula, por vezes complexa, do século X. Embora seja um (longo) filme para a admiração dos adultos, os mais crescidinhos podem se entreter com a magia da trama. Nela, um cortador de bambu encontra um minúsculo bebê dentro de um caule e o leva para casa. Como não têm filhos, ele e a esposa decidem criar a menina, cuja velocidade de crescimento se revela espantosa. O pai deseja o melhor para a filha e, ao receber uma fortuna, deixa o campo em direção à cidade, constrói um casarão e espera a visita de pretendentes para sua princesa Kaguya. Rebelde, a jovem despreza as tradições e quer ter opinião e escolhas próprias. Em cores esmaecidas e estilo impressionista, o desenho arrebata pelo esplêndido visual, um precioso trabalho do veterano cineasta Isao Takahata, de 79 anos, um dos fundadores do já lendário estúdio Ghibli. Estreou em 16/7/2015.
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  • Maria Altmann (na fase madura interpretada por Helen Mirren) nasceu na Áustria e, acompanhada do marido, deixou a família em seu país, já dominado por Hitler, em 1938. Radicada em Los Angeles desde então, Maria é dona de uma butique feminina e possui um padrão econômico de classe média. Sua vida sofre uma guinada quando, em 1998, ela decide reaver cinco telas do pintor Gustav Klimt, entre elas o famoso Retrato de Adele Bloch-Bauer (conhecido como A Dama Dourada), que foram roubadas de sua família pelos nazistas — Maria era sobrinha de Adele. A batalha será árdua e complicada. Símbolo da arte austríaca, o quadro integra o acervo da Galeria Nacional, e o governo não tem intenção de repatriar a obra. Para ajudá-la no caso, entra na parada o perseverante advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds). Com roteiro inspirado livremente no livro-reportagem de Anne-Marie O’Connor, o filme faz um bom equilíbrio de drama de tribunal e suspense e registra, com forte carga emocional, a agonia dos judeus na iminência da II Guerra. Simon Curtis, diretor de Sete Dias com Marilyn, dá ritmo e tensão à história. Embora de gerações e filmografias muito distintas, a dupla de protagonistas consegue ótima química em cena. Estreou em 13/8/2015.
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  • Longa-metragem de estreia do diretor japonês Masakazu Sugita, O Desejo da Minha Alma ganhou um prêmio especial no Festival de Berlim em 2014. Trata-se de uma pequena pérola sobre os conflitos íntimos que atingem dois irmãos. Após um terremoto no Japão (em referência ao de Kobe, em 1995), a menina Haruna (Ayane Omori), de 12 anos, e seu irmãozinho, Shota (Riku Ohishi), de 5, ficam órfãos. Ela sabe da morte dos pais, mas a esconde do caçula. Levados pelos tios para morar em uma ilha distante, Haruna encara um processo de amadurecimento precoce enquanto Shota, alheio a tudo, espera o regresso do pai e da mãe. Sensibilidade não falta ao realizador. Dos pequenos gestos de afeto às atuações convincentes dos atores mirins, o drama transpira pelos poros a tristeza da perda, captada por meio dos olhos de duas crianças envolvidas em conflitos de adultos. Estreou em 14/5/2015.
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  • Documentário

    Dior e Eu
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    Não é preciso ser fashionista para roer as unhas durante a exibição do documentário Dior e Eu. Com o pique de um reality show, mas sem escorregar na superficialidade, o diretor francês Frédéric Tcheng visita os bastidores de uma das grifes mais respeitadas da moda em momento de expectativas à flor da pele. Na primavera de 2012, o estilista belga Raf Simons foi convidado para assinar pela primeira vez uma coleção da Dior. A escolha provocou desconfiança generalizada, já que o estilo minimalista do costureiro não parecia casar com a pompa romântica associada à marca. A missão dele não parou aí: Simons teve apenas oito semanas para desenvolver os figurinos da estação. Enquanto mostra os perrengues do dia a dia de uma equipe tecnicamente impecável (nos bastidores, o clima é de trincheira), o cineasta recorre a imagens de arquivo em preto e branco para trazer à tona as memórias do próprio Christian Dior (1905-1957), narradas no livro autobiográfico que dá nome ao longa. O vaivém entre passado e presente revela a batalha diária de uma empresa para, ao compreender as mudanças do mercado, manter-se no topo. Estreou em 27/8/2015.
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  • O sétimo longa-metragem de Federico Fellini (1920-1993) volta aos cinemas com esta cópia restaurada de ótima qualidade. Trata-se de um dos melhores e mais elogiados trabalhos do diretor italiano, que faz aqui uma apurada radiografia da Roma de 1960, ano em que o filme foi lançado — os figurinos, inclusive, ganharam o Oscar. Marcello Mastroianni serve como um personagem-narrador e interpreta um jornalista, também chamado Marcello, envolvido com furos de reportagem. Também um dos roteiristas, Fellini monta um mosaico plural da capital italiana por meio de tipos comuns ou excêntricos. Marcello segue seu dia a dia enquanto “passeia” pelas várias histórias. Namorado de uma mulher ciumenta e possessiva, o repórter vara as noites trabalhando e, ao mesmo tempo, curtindo a vida adoidado. Entre cenas icônicas, há a da sueca Anita Ekberg, no papel de uma estrela do cinema, entrando na Fontana di Trevi durante a madrugada. Seja no drama, seja no humor, o realizador mostra-se afiado ao focar a decadência da alta sociedade em quase três delirantes horas de duração. Reestreou em 20/8/2015. Paparazzo: o termo italiano para o fotógrafo de celebridades foi popularizado neste filme
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  • Comédia dramática

    Enquanto Somos Jovens
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    Cornelia (Naomi Watts) e Josh Srebnick (Ben Stiller) são casados há anos. Incomodados com o envelhecimento, estão cansados da maneira conservadora como vivem. Jamie (Adam Driver) e Darby (Amanda Seyfried) se aproximam dos dois e Josh, encantado com o estilo de vida e o ânimo da dupla, sonha voltar a ser jovem. Estreia prometida para 4/6/2015.
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  • Ficção científica

    Expresso do Amanhã
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    Quando o assunto é cinema de fantasia, poucos diretores surpreendem tanto quanto o sul-coreano Bong Joon-Ho. Em O Hospedeiro, de 2006, criou um mix delirante de ficção científca, terror, filme-catástrofe e sátira política. Apesar de não superar o atrevimento daquele longa, Expresso do Amanhã corre riscos que seriam inaceitáveis em superproduções americanas. Filmado no Leste Europeu com um elenco internacional, o longa adapta uma HQ francesa ambientada em um futuro pós-apocalíptico. Em 2031, a Terra se tornou um planeta cinzento, congelado após uma tentativa frustrada de combate ao aquecimento global. Os sobreviventes habitam vagões de um trem em movimento constante, confinados de acordo com sua classe social. Quanto mais perto da cabine do comandante, maior o grau de ostentação. Essa estabilidade será abalada por um grupo de rebeldes liderado por Curtis Everett (Chris Evans). Mesmo confinado em cenários claustrofóbicos, o cineasta transforma cada um dos setores do expresso em um mundo à parte, e eles se desdobram aos olhos do espectador como etapas de um videogame. O visual é arrasador. Pena que o roteiro se torne repetitivo e perca o gás bem antes da fase final. Estreou em 27/8/2015.
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  • Madame Bovary, clássico de 1857, escrito por Gustave Flaubert, ganhou uma releitura em Gemma Bovery — A Vida Imita a Arte, comédia dramática da diretora Anne Fontaine (de Coco Antes de Chanel). O terreno aqui não é o da adaptação (nem livre nem contemporânea). Roteirista e realizadora, Anne leva Emma Bovary, a protagonista do livro, para a Normandia e a ela dá um nome quase igual. Inglesa, Gemma Bovery (papel de Gemma Arterton) muda-se com o marido (Jason Flemyng) para o vilarejo francês e lá, com o passar do tempo, nota ser uma estranha no ninho, embora consiga enxergar qualidades na vida campestre. O tédio bate à porta e, assediada por um jovem herdeiro (Niels Schneider), Gemma, tal qual a personagem de Flaubert, não resiste à tentação. O conturbado cotidiano dela passa a ser observado pelo vizinho: Martin Joubert (Fabrice Luchini), um padeiro que trocou Paris pela tranquilidade rural, consegue, assim, animar seu dia a dia. O casamento entre literatura e cinema, tão lugar-comum desde os primórdios, ganha aqui uma variante criativa. Além da narrativa fluente, elegante e pontilhada de humor e tensão, o longa-metragem presta uma homenagem a Flaubert sem que o espectador precise ter lido nem mesmo a orelha de Madame Bovary. Estreou em 6/8/2015.
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  • De uma fita de ação inspirada no universo dos games, espera-se um visual de cair o queixo. Eis o maior dos pecados cometidos por esta nova versão cinematográfica para a série de jogos Hitman (a primeira, um fiasco total, saiu em 2007). Sem inspiração para misturar ficção científca e thriller, o diretor estreante Aleksander Bach cai na mesmice das fitas de espionagem e entedia o público com uma encenação tão pobre quanto a de um seriado de segundo escalão. O personagem-título, interpretado laconicamente pelo inglês Rupert Friend (de Orgulho e Preconceito), é um assassino de elite programado geneticamente para eliminar os alvos de uma agência misteriosa. Esse homem-máquina, vestido impecavelmente com terno e gravata vermelha, é escalado para proteger uma mulher (papel de Hannah Ware) cujo pai, um cientista brilhante, tem a chave para a multiplicação de clones superpoderosos. Os leigos em videogame sairão da sessão sem entender por que esses personagens tão monótonos provocam tamanho entusiasmo. Estreou em 27/8/2015.
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  • Um thriller sobre assassinato pode, sim, ser narrado com a leveza de uma comédia romântica. Como? Woody Allen mostra. Em seu novo longa-metragem, o 45‚ da carreira, o nova-iorquino de 79 anos combina suspense hitchcockiano, filosofia e um humor discreto (porém ácido) para contar a história de um professor universitário obcecado pela ideia de cometer o crime perfeito. Na cabeça de Abe Lucas (Joaquin Phoenix), matar um desconhecido corrupto seria a melhor maneira de ganhar paz de espírito. Ao maquinar esse plano, o acadêmico fica mais otimista e se envolve com uma estudante (Emma Stone) e uma professora (Parker Posey). Golpes do acaso vão bagunçar as expectativas do trio — e não pouparão o espectador. Embora os minutos finais guardem uma surpresinha cruel, o mais curioso é como Allen opta por um discurso sutil para rir das certezas do protagonista. Estreou em 27/8/2015.
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  • Diretor inglês politizado, Ken Loach deu uma relaxada em seus últimos trabalhos, as comédias À Procura de Eric (2009) e A Parte dos Anjos (2012). Jimmy’s Hall faz o cineasta retomar a veia política, contestatória e rebelde de sua filmografia. No enredo do drama, inspirado em personagem real, James Gralton (Barry Ward) retorna à sua cidade natal, no interior da Irlanda, após viver dez anos nos Estados Unidos. Lá, encontra um grupo de jovens sedentos de novidades, carentes de diversão e cultura. Embora marcado por seu passado libertário, Jimmy (seu apelido) decide reabrir um salão (o hall do título) para abrigar aulas de dança, literatura e artes. Um padre católico, porém, não vê a iniciativa com bons olhos e força os conservadores a boicotar o local. A persistência do protagonista em manter-se fel à causa traz à tona outras discussões, como a luta de classes e a liberdade de expressão. Estreou em 6/8/2015.
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  • Uma das mais queridas estrelas da TV, Glória Pires já mandou muito também no cinema em trabalhos dramáticos, como Flores Raras, e comédias, a exemplo de Se Eu Fosse Você. Sua volta ao humor se dá em Linda de Morrer, cuja premissa é atraente. Na pele da dermatologista Paula, a atriz inventa um remédio capaz de acabar com a celulite. A médica não tem tempo para nada. Trata-se de uma egocêntrica que mal conversa com a filha, Alice (Antonia Moraes), e só pensa na carreira e no sucesso de vendas do medicamento. No dia do lançamento do Milagra, porém, Paula morre em decorrência dos efeitos colaterais. No além, encontra com uma mãe de santo (Susana Vieira) e, por meio dela, chega até Daniel (Emilio Dantas). Embora seja psicólogo, o rapaz possui o dom da mediunidade e pode ajudar Paula a ter contato com a herdeira. Seguem-se, então, as brincadeiras de gosto duvidoso com o espiritismo, a entrada de um vilão estereotipado (o sócio de Paula, papel de Angelo Paes Leme) e, claro, os momentos de redenção e reconciliações. A fórmula vem pronta para que a plateia caia na risada — isso no caso de alguém (ainda) achar graça em um homem fazer trejeitos femininos por estar “tomado” por uma mulher. A produção pobrinha, incluindo aí os modelitos de Glória e os efeitos visuais, conta pontos para derrubar do cavalo a grande intérprete. Estreou em 20/8/2015.
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  • Com J.J. Abrams e Brad Bird no comando, respectivamente, do terceiro e quarto episódios, a cinessérie poderia correr um grande risco com a troca de diretor. Mas Missão: Impossível — Nação Secreta passa muito bem pelo padrão de qualidade e, sem arranhões, consegue respeitar o eletrizante pique dos filmes anteriores. É uma surpresa, sobretudo, porque o novo cineasta (e roteirista), Christopher McQuarrie, dirigiu Tom Cruise no insosso e pouco notado Jack Reacher (2012). Ele se redime aqui com uma trama de fôlego intenso, vibrantes cenas de ação e um tempero de humor provocado pelo ator inglês Simon Pegg. Nada estaria tão azeitado, contudo, se Tom Cruise não estivesse na linha de frente — além de protagonista, ele é produtor. Quanto mais absurdo, melhor. A frase, que também vale para a franquia Velozes & Furiosos, aplica-se nesta fita em diversos momentos, e, por isso, convém pôr o realismo de lado para embarcar na fantasia. A história começa com a já famosa sequência em que Ethan Hunt (Cruise) se agarra à porta de um avião em decolagem. Após a missão, ele e sua equipe caem em desgraça diante de um chefão da CIA (papel de Alec Baldwin). Fica decidido, então, que o IMF, órgão supersecreto para o qual eles atuam, chegou ao fim. Entretanto, Hunt decide manter-se, secretamente, na função para encontrar o líder do Sindicato, organização terrorista responsável por atentados no mundo. Há locações em Londres, Marrocos e Viena, uma boa espiã dissimulada (Rebecca Ferguson) e um senso de ritmo para não deixar a peteca cair. Quer programa pipoca melhor? Estreou em 13/8/2015.
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  • François Ozon tem uma das filmografas mais instigantes do novo cinema francês em trabalhos como Sob a Areia, O Tempo que Resta, Ricky e Dentro da Casa. Soma-se à sua carreira Uma Nova Amiga, mais um ótimo longa-metragem disposto a fazer refletir sobre um tema atual, o cross-dressing. O drama começa com a morte de Laura (Isild Le Besco), amiga de Claire (Anaïs Demoustier) desde a infância. Ainda emocionalmente arrasada, ela se aproxima de David (Romain Duris), o viúvo que, sozinho, precisa cuidar de um bebê. O reencontro é regado a uma grande surpresa: dentro de casa, ele gosta de se vestir de mulher. A princípio, Claire acha tudo muito estranho, mas, aos poucos, entende a vontade do novo amigo e, casada com Gilles (Raphaël Personnaz), passa a questionar seu estreito modo de vida. Inspirado num conto da inglesa Ruth Rendell, que morreu em maio, aos 85 anos, o filme põe na roda um assunto tabu por meio de situações que flertam com a seriedade e o humor. O amplo painel dos desejos (secretos ou não) e das relações sexuais ganha ainda mais credibilidade pela excepcional atuação de seu protagonista, que foge da caricatura e manda muito bem no salto alto. Estreou em 16/7/2015.
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  • Armando Valdes Freire interpreta Chala, um garoto de onze anos que mora com a mãe viciada em drogas. Para sustentar a casa, ele treina cães de briga, o que compromete seu rendimento escolar. Quando fica doente, Chala se aproxima da professora. O drama de Ernesto Daranas reflete, através de seus personagens, o complexo  dia a dia de Cuba. Direção: Ernesto Daranas (Conducta, Cuba, 2015, 108min).
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  • Pontos de São Paulo bem escolhidos, fotografa em preto e branco deslumbrante e a diferenciada filmagem em formato scope não fazem um bom filme. Embora o olhar do diretor sobre a capital paulista seja incisivo e a premissa instigue, o drama rasteja em sequências muito lentas, deixando o suspense frouxo. Na trama, o arquiteto João Carlos (Irandhir Santos) toca uma obra em um terreno que pertenceu ao seu avô. Para complicar o trabalho, ossos humanos são descobertos por lá. Mesmo alertado pelo mestre de obras (papel de Júlio Andrade), o protagonista, prestes a ser pai, fica em dúvida sobre qual decisão tomar. Estreou em 13/8/2015.
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  • Aviso aos navegantes: embora contenha trechos do best-seller de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe vai além do romance. E talvez seu deslize esteja, justamente, na pretensão de ter uma história maior. Produção francesa dirigida pelo americano Mark Osborne (do primeiro Kung Fu Panda), a animação, com uma beleza tão arrebatadora quanto poética, é um primor esteticamente. Enquanto os tempos modernos ganharam técnica em 3D, a trajetória do personagem do livro foi feita em stop motion (quadro a quadro). A trama começa divertida focando uma menina treinada pela mãe para ingressar numa prestigiada escola. Como ela não passa no teste, as duas se mudam para um condomínio e, durante as férias de verão, a garota será obrigada a estudar muito e seguir regras severas. Seu metódico cotidiano, contudo, sofre uma reviravolta quando ela conhece o vizinho da casa ao lado. O idoso mora sozinho e tenta convencer a criança a ser sua amiga. Ela resiste, mas, aos poucos, se interessa pela história contada pelo velho. Nela, seu novo companheiro relembra a vida de aviador e como conheceu, no deserto, o pequeno príncipe, habitante único de um planeta um pouco maior do que ele. No vaivém dos dois contos, o enredo principal (a inusitada amizade dos protagonistas) perde o fôlego. Para o público infantil, o desenho tem ingenuidade e pureza para satisfazer os menorzinhos, embora a duração seja longa e o ritmo, às vezes, lento. Adultos também podem curtir, caso ainda tenham uma criança chorona dentro de si. Estreou em 20/8/2015.
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  • Drama

    Phoenix
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    O diretor e roteirista Christian Petzold já havia sido superestimado por seu trabalho anterior, Barbara, indicação da Alemanha ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013. A volta ao cinema se dá com Phoenix, longa-metragem cuja credibilidade da trama se esvai em meia hora. Logo após o término da II Guerra, a cantora judia Nelly Lenz (Nina Hoss) volta a Berlim. Ela saiu de um campo de concentração com o rosto desfigurado e, assim como a fênix, o pássaro mitológico renascido das cinzas, pretende refazer a vida. Embora tenha indícios de que o marido a entregou aos nazistas, Nelly sai à sua procura depois de passar por uma plástica e ganhar outra face. No reencontro com Johnny (Ronald Zehrfeld), ele não a reconhece. Além do argumento absurdo, o filme falha na continuidade de cenas e apresenta uma heroína de comportamento irritante. Assim, fica difícil compartilhar da dor da personagem. Estreou em 9/7/2015.
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  • Dez anos separam o Quarteto Fantástico “original” deste lançamento homônimo. De lá para cá, muita coisa mudou nas adaptações dos heróis dos quadrinhos, sobretudo com a entrada do gigante Marvel no reino cinematográfico — vide, por exemplo, o estrondoso sucesso dos dois filmes de Vingadores. Eis a pergunta que não quer calar: embora o gênero seja, na maioria das vezes, uma promessa de êxito nas bilheterias, por que recontar a mesma história menos de uma década depois? Em princípio, a escolha do diretor foi acertada. Josh Trank comandou, em 2012, o curioso Poder sem Limites, uma produção menor, porém muito criativa. Ao migrar para o universo dos blockbusters, o cineasta, cercado de produtores, se embolou numa narrativa sonolenta e recheada de efeitos visuais genéricos. A primeira meia hora chega a empolgar ao enfocar a infância e a juventude estudantil de Reed Richards (o bom Miles Teller, de Whiplash). Pequeno gênio, o garoto inventou o teletransporte por meio da eletricidade. É, por isso, convidado pelo Dr. Franklin Storm (Reg E. Cathey) a trabalhar em seu instituto e pôr o projeto em prática. Para resumir a ladainha, Reed mais seu inseparável amigo Ben Grimm (Jamie Bell), Johnny Storm (Michael B. Jordan) e o invejoso Victor von Doom (Toby Kebbell) entram na máquina e vão parar em outra dimensão. Uma fonte de energia por lá os torna seres especiais. Os braços e pernas de Reed ficam elásticos, Ben virou um brutamontes de pedras (chamado Coisa) e Johnny tem o poder do fogo em seu corpo. Sue Storm (Kate Mara), que estava na Terra mas também foi atingida, ganhou o dom da invisibilidade. Para chegar ao momento “transformação”, o roteiro enrola a plateia durante uma hora. O restante resume-se ao chocho enfrentamento dos personagens com o vilão (convém não revelar sua identidade). Na comparação com o primeiro Quarteto Fantástico, o atual só ganha no quesito elenco e atuações. Querendo ser mais “cinzento” e dramático (na cola dos “colegas” de X-Men), o longa-metragem perdeu a cor, a graça e o sentido. Estreou em 6/8/2015.
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  • Filmes nacionais recentes como O Som ao Redor e Casa Grande mostraram a força de dramas que trazem à tona discussões atuais sobre a sociedade brasileira. O paulistano Que Horas Ela Volta? acrescenta a essa onda um “algo mais” irresistível: a capacidade de comover o espectador. O prestígio internacional do novo longa de Anna Muylaert (de Durval Discos e É Proibido Fumar), vencedor de prêmio de público no Festival de Berlim, pode ser creditado ao apelo universal de uma trama sobre amor de mãe. O impacto, no entanto, teria sido muito menor sem Regina Casé à frente do elenco. Desde Eu Tu Eles, de 2000, a atriz estava devendo uma interpretação memorável. No papel da empregada doméstica Val, ela garante alma às provocações da cineasta, que discute por um viés intimista as relações de poder escondidas no nosso cotidiano. Conformada com uma vidinha estável, mas sem perspectivas, a pernambucana mora num cômodo abafado de uma mansão no Morumbi e se considera uma segunda mãe do adolescente Fabinho (Michel Joelsas). Esse clima de falsa harmonia cai por terra quando sua filha, Jéssica (Camila Márdila, que dividiu com Casé o troféu de melhor atriz no festival americano de Sundance), resolve passar uma temporada em São Paulo para prestar vestibular. O choque de temperamentos será bombástico. Sem a menor vontade de ser tratada como cidadã de segunda classe, a jovem irritará a patroa (Karine Teles) e será desejada pelo pai da família (Lourenço Mutarelli). Embora pese um pouco a mão na solução dos confitos, amarrados sem tanta sutileza, Muylaert dá conta de transformar, pouco a pouco, a maneira como o espectador vê essa personagem “invasora”: de visitante inconveniente a uma força rebelde capaz de mostrar à mãe que a vida pode ir além do quartinho dos fundos. Estreou em 27/8/2015.
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  • Comédia dramática

    Samba - Filme
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    Olivier Nakache e Eric Toledano foram responsáveis por Intocáveis (2011), um dos maiores sucessos do cinema francês dos últimos anos. Revelação do filme anterior, o ator Omar Sy volta no recente trabalho dos diretores na pele do protagonista Samba, um senegalês que mora ilegalmente em Paris há dez anos. Ele faz bicos em restaurantes e é preso por agentes do departamento de imigração. Na outra ponta da história está Alice (Charlotte Gainsbourg), executiva em licença médica cujo novo trabalho é colaborar com uma ONG que tenta regularizar a situação dos clandestinos no país. O destino se encarrega de fazer o encontro de Samba e Alice. Enquanto ele tem energia contagiante (muito semelhante à de seu personagem em Intocáveis), a moça se encaixa num quadro depressivo. Não à toa, os realizadores usam a mesma fórmula de antes: uma combinação de drama e humor com uma pegada mais alto-astral. A graça da trama, contudo, vem da presença do francês Tahar Rahim. Quase sempre visto em papéis sisudos, o ator de origem argelina interpreta um brasileiro e rouba a cena ao ensaiar um strip-tease ao som de Palco, de Gilberto Gil. Estreou em 9/7/2015.
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  • Após sofrer um ataque cardíaco, o cinquentão Antoine Chevalier (Lambert Wilson) decide repensar seu modo de vida. A comédia, então, enfoca seu novo cotidiano. Estreia prometida para 6/8/2015.
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  • Comédia

    Ted 2
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    Quem apostaria que um ursinho de pelúcia beberrão, mulherengo e desbocado teria cacife para virar fenômeno pop? Superando as expectativas mais otimistas de Hollywood, foi exatamente esse o destino do tipinho politicamente incorreto criado pelo comediante Seth Mac Farlane (autor do desenho para adultos Family Guy). Graças a ele, o longa-metragem Ted, de 2012, arrecadou quase 550 milhões de dólares no mundo todo e... rendeu uma continuação caça-níquel, claro. Com porte de superprodução, Ted 2 não teve a mesma sorte e acabou rejeitado pelo público americano. A explicação para o fracasso é, infelizmente, de ordem criativa: embora mantenha o es(e esdrúxulo, como esperado), mas desenvolvido num roteiro tão bobinho e “adultescente” quanto os protagonistas. Em um dos momentos mais embaraçosos, um acidente num banco de esperma dá a “deixa” para uma piada racista sobre a vida sexual da socialite Kim Kardashian. O humor vale-tudo, usado de maneira acertada na fita anterior, não combina com uma mensagem em defesa dos direitos das minorias. Em vez de divertir, a brincadeira apenas incomoda. Estreou em 27/8/2015.
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  • Comédia dramática

    O Último Cine Drive-in
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    Teve boa (e merecida) recepção no Festival de Gramado o drama O Último Cine Drive - In. Ele saiu da competição com os prêmios de melhor ator (Breno Nina), atriz coadjuvante (Fernanda Rocha), direção de arte, além do troféu da crítica. Trata-se de um trabalho singelo, sem afetações e bem conduzido, entre o humor e a emoção, pelo diretor Iberê Carvalho, estreante em longas-metragens. O Cine Drive-In, um cinema ao ar livre para assistir à fita de dentro do carro, agoniza em Brasília. Após décadas de sucesso, hoje sobrevive de escassos clientes. O expressivo Breno Nina interpreta o jovem Marlombrando, que leva sua mãe (Rita Assemany) para fazer uns exames num hospital público da capital federal. Durante a internação dela, o rapaz decide reencontrar seu pai, o dono do cinema. O relacionamento deles nunca foi bom, e a estada do filho vai reacender antigas rusgas. Há outros poucos personagens, como o bilheteiro (Chico Santanna), a projecionista (Fernanda Rocha) e um enfermeiro (André Deca). Embora de desfecho previsível, o longa-metragem, ao contrário da maioria dos trabalhos independentes nacionais, sabe dialogar com o público. Seu roteiro, além dos comoventes conflitos familiares, faz uma bela homenagem ao cinema — não à toa, surge um pôster do emblemático Cinema Paradiso em uma das cenas. Estreou em 20/8/2015.
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Fonte: VEJA RIO