Em Cartaz

39 filmes estão no circuito carioca

Entre os longas, sucessos de bilheteria e de crítica se mantém nas salas de cinema

Por: Veja Rio - Atualizado em

Blind
'Blind': Ingrid (Ellen Dorrit Petersen) e seu marido (Henrik Rafaelsen) (Foto: Divulgação)

De títulos que concorreram ao Oscar de Melhor Filme a animações infantis, passando pelas ficções científicas. A variedade das obras em cartaz chama diferentes públicos para as salas de cinema. Entre os nacionais, o destaque vai para Cássia Eller. Os outros filmes mais bem avaliados pelo crítico Miguel Barbieri Jr são Birdman, Força Maior, Ida, Kingsman, Sniper Americano, Timbuktu, Whiplash - Em Busca da Perfeição. 

 

  • Drama

    118 Dias
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    Em junho de 2009, Maziar Bahari (Gael García Bernal), iraniano radicado em Londres e repórter da revista Newsweek, voltou ao seu país de origem para cobrir a eleição presidencial e visitar a mãe. A disputa entre o extremista Mahmoud Ahmadinejad e o reformista Mir Hossein Mousavi mobilizou a nação. Partidário do segundo, Bahari envolveu-se com ativistas do candidato e deu uma entrevista que mudou o rumo de sua estada. 118 Dias é o título nacional de Rosewater (água de rosas) e refere-se ao período que o protagonista passou na cadeia. Acusado de ser espião dos Estados Unidos, foi interrogado à exaustão e torturado. A versão do livro Then They Came for Me: A Family’s Story of Love, Captivity, and Survival, escrito pelo jornalista, é o primeiro trabalho como diretor do apresentador de TV Jon Stewart. Nota-se a falta de experiência no ramo. Embora o mexicano García Bernal se esforce para vivenciar o tormento do personagem, o filme suaviza demais a passagem na solitária. Também quebram o ritmo os diálogos de Bahari com os fantasmas do pai e da irmã entre quatro paredes. Estreou em 5/3/2015.
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  • O artista plástico aposentado Ben (John Lithgow) e o professor de música George (Alfred Molina) são companheiros há 39 anos. Pouco tempo depois de se casarem, precisam vender o apartamento do Greenwich Village, em Nova York, por um triste motivo: George perdeu o emprego em um colégio católico após sua união vir à tona. Sem muita grana e desnorteado, o casal toma rumos distintos. Enquanto Ben se instala na casa da família de um sobrinho, George se muda para o apartamento de dois policiais gays. O recomeço para ambos será penoso, e O Amor É Estranho trata com delicadeza vários temas de uma só tacada. Envelhecimento, casamento homossexual e solidão na terceira idade são, contudo, abordados superficialmente. O desfecho acena para a emoção, trazendo uma conclusão realista, porém amarga e infeliz. Estreou em 12/3/2015.
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  • Os quatro prêmios (melhor filme, direção, roteiro original e fotografia) que a comédia de tintas negras e dramáticas levou no Oscar foram merecidos. Trata-se de um trabalho fenomenal de câmera, montagem, iluminação e interpretações. Também roteirista, o diretor mexicano de Babel (2006) convoca a plateia a embarcar numa trama ambientada dentro de um teatro. Michael Keaton atua como Riggan, uma estrela decadente do cinema que, depois de vestir três vezes a fantasia do super-herói Birdman, caiu num certo ostracismo. Ele quer dar a volta por cima e, para isso, adaptou, dirigiu e vai protagonizar um conto de Raymond Carver na Broadway. O roteiro enfoca o nervosismo do protagonista diante do iminente fracasso/sucesso e ao lidar com o ego inflado de seu parceiro de cena (Edward Norton). Vale o aviso: embora não seja um filme complexo, pode não agradar a todos. Estreou em 29/1/2015.
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  • Drama

    Blind
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    Premiado nos festivais de Sundance e Berlim, entre outros, Blind é o primeiro longa-metragem do diretor norueguês Eskil Vogt. Trata-se de uma estreia relevante. Sem usar o lugar-comum e tratando duramente o cotidiano de uma deficiente visual, Vogt, também roteirista, capricha numa história recheada de estranhezas, meandros psicológicos e imaginação. Ingrid (Ellen Dorrit Petersen) ficou cega em decorrência de uma doença genética e está se acostumando a viver sem enxergar nada. Ela raramente sai do apartamento e, ex-professora, tenta escrever um livro. É aí que a história dá suas curiosas viradas. O marido de Ingrid, o arquiteto Morten (Henrik Rafaelsen), reencontra Einar (Marius Kolbenstvedt), um amigo de faculdade, no cinema. Ambos atravessam delicados momentos na vida afetiva. Viciado em pornografia na internet, Einar está de olho numa vizinha, a quem espia diariamente. Ela é Elin (Vera Vitali), uma mãe solteira que acabou de trocar a Suécia por Oslo e... está com lapsos de visão. Decifra-me ou te devoro, eis a proposta do realizador. Cabe à plateia acenar com um sim ou um não ao quebra-cabeça. Estreou em 5/3/2015.
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  • Um dos melhores longas de 2014, teve seis indicações ao Oscar: melhor filme, direção, ator coadjuvante (Ethan Hawke), atriz coadjuvante (Patricia Arquette), roteiro original e montagem. Méritos para ganhar, ele tem. O principal está no formato da realização. Ao longo de doze anos, o diretor Richard Linklater rodou um drama familiar com os mesmos atores. Entre 2002 e 2013, reunia o enxuto elenco para apenas alguns dias de gravações. Patricia Arquette, uma mulher separada do marido (Ethan Hawke) e em busca de um novo parceiro, vive a mãe de Mason (Ellar Coltrane) e Samantha (Lorelei Linklater). Com mudanças delicadas e sutis, a trama tem um tempo que transcorre literalmente na tela. Quando criança, Mason demonstra a curiosidade de um sonhador. Dividido entre um padrasto repressor e um pai ausente, ele cresce aos olhos do espectador e vivencia os sentimentos típicos da adolescência. Torna-se adulto recolhendo os cacos deixados pelo caminho. Estreou em 30/10/2014.
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  • Se os dois primeiros longas-metragens da cinessérie pecavam por excesso de violência e trama previsível, Busca Implacável 3 comete quase o mesmo erro — é um genérico de suspense e ação como muitos telefilmes da década de 80. Liam Neeson volta ao papel do ex-agente da CIA Bryan Mills, que tem um grande xodó pela filha (Maggie Gracie) e está separado da mulher (Famke Janssen), com quem ainda se relaciona amigavelmente. A paz do protagonista, porém, está com as horas contadas. Após ser procurado pelo novo marido dela (papel de Dougray Scott), Mills cai numa cilada: encontra a ex-esposa morta em seu apartamento e passa a ser apontado como o principal suspeito. Caçado por um investigador (Forest Whitaker), ele foge da polícia a fim de encontrar pistas para provar sua inocência. Segue-se, então, o thriller de praxe feito de reviravoltas frouxas e tensão programada. Estreou em 22/1/2015.
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  • Into the Woods é uma peça de sucesso na Broadway desde a sua estreia, em 1987. De James Lapine e Stephen Sondheim, o espetáculo ganhou uma versão para o cinema, comandada por Rob Marshall (de Chicago) e estrelada por um excelente time de atores, a começar por Meryl Streep, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante — Caminhos da Floresta ainda concorre em desenho de produção e figurino. Saiba que, ao entrar na sessão, estará diante de um musical — sim, embora seja uma comédia, há bastante cantoria e da melhor qualidade. A trama faz uma deliciosa subversão dos contos infantis e provoca risos espontâneos para quem conhece um pouco de suas histórias. O foco principal está no casal de padeiros, interpretado por James Corden e Emily Blunt, que não pode ter filhos por causa do feitiço de uma bruxa (Meryl Streep). Ela, então, surge exigindo quatro itens para reverter a maldição: uma vaca branca, um capuz vermelho, cabelos da cor do milho e um sapato dourado. Não é preciso ir muito longe para saber onde isso vai dar. Na floresta, a dupla cruza com personagens como Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford), João (do pé de feijão), Cinderela (Anna Kendrick), Rapunzel (Mackenzie Mauzy), o Lobo Mau (Johnny Depp)... Há ainda um príncipe mulherengo (Chris Pine) e, claro, a madrasta interesseira, interpretada por Christine Baranski. Em sua meia hora final, o longa-metragem perde parte do fôlego e estica o humor em situações repetitivas. Um bom corte o deixaria mais no prumo. Estreou em 29/1/2015.
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  • Documentário

    Cássia Eller
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    Loki — Arnaldo Baptista (2008) foi o primeiro acerto do diretor Paulo Henrique Fontenelle. O segundo ocorre com um novo documentário, Cássia Eller, tributo afetuoso a uma das mais eletrizantes cantoras brasileiras, que morreu, precocemente, em dezembro de 2001, aos 39 anos. O realizador foi atrás de imagens caseiras, feitas em família ou das turnês, e também dos registros nos programas de TV. À tona, vêm as várias faces de Cássia: a mulher tímida diante das câmeras, a intérprete de voz potente e atitudes provocativas no palco, a mãe biológica e dedicada de Chicão, a esposa não muito fiel de Maria Eugênia, sua companheira até a morte. Há também o passo a passo da carreira — dos primórdios num espetáculo de Oswaldo Montenegro ao derradeiro (e espetacular) Acústico MTV, em que mesclou de Edith Piaf (Non, Je Ne Regrette Rien) a Cazuza (Malandragem) e Riachão (Vá Morar com o Diabo). No mais emocionante dos depoimentos, Nando Reis relembra a parceria em hits como O Segundo Sol. Drogas, sexo e rock and roll permeiam a biografia, mas sem muitas polêmicas, justamente para cair no agrado dos fãs. Fontenelle, no entanto, comete um excesso e um deslize: alonga o filme com cenas dispensáveis e, sem nenhuma canção na íntegra, perde a oportunidade de deixar Cássia apenas cantando. Estreou em 29/1/2015.
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  • Além de autora do best-seller, a inglesa E.L. James é uma das produtoras de Cinquenta Tons de Cinza. Dizem que a escritora supervisionou cada detalhe nos sets para nada sair fora de seu alcance. E assim foi. A adaptação do primeiro volume da trilogia segue à risca o livro — além dos mesmíssimos diálogos, as situações (tirando uma ou outra cena) são idênticas às da literatura. Resumo: o fã não vai se sentir traído, porém falta personalidade ao longa-metragem. De tão arrumadinho para agradar, o filme perde em autenticidade e calor. Muito comentada pela mídia no último ano, a história trata de um romance pouco convencional para os padrões de Hollywood. Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma estudante virgem recém-formada que mora em Vancouver, conhece numa entrevista, em Seattle, o empresário bilionário Christian Grey (Jamie Dornan). A atração entre os dois é imediata. Conquistador charmoso, Grey passa a assediá-la até chegar o momento da confissão: ele não curte romance e gosta de sexo sadomasoquista. Denomina-se “o dominador” enquanto sua parceira seria “a submissa”. Em seu “quarto vermelho da dor”, há algemas, correntes, chicotes e uma série de apetrechos para aliar prazer e dor (não necessariamente nessa ordem). Anastasia, apaixonada, embarca no vale-(quase)-tudo. A versão para o cinema reduziu drasticamente as cenas de sexo, embora duas delas sejam poderosas e tórridas. Pela duração (duas horas), o romance entre os protagonistas perde em intensidade e raramente decola. A química entre Grey e Anastasia demora a engrenar e, não à toa, os dois se entregam mais aos papéis nos derradeiros minutos. A surpresa, contudo, tem nome: Dakota Johnson não perde o rebolado nem mesmo quando totalmente despida. Dornan, ao contrário, construiu um Grey automático e frio. Ex-modelo, inclusive de cuecas, o ator irlandês tem beleza, refinamento e sensualidade, mas perde no quesito “pegada”, algo fundamental para o personagem. Estreou em 12/2/2015. + Teste seus conhecimentos em um quiz sobre Cinquenta Tons de Cinza + As diferenças entre o livro e o filme + Conheça o apartamento de Christian Grey em vídeo inédito + Fotos dos bastidores mostram os atores bem à vontade + Sete coisas e situações estranhas influenciadas pelo filme
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  • Ficção científica

    O Destino de Júpiter
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    Alçados à condição de revolucionários por causa do formidável Matrix (1999), os diretores Andy e Larry Wachowski foram metendo os pés pelas mãos em seus trabalhos posteriores, incluindo as duas sequências da seminal ficção científica. Larry trocou de sexo, virou Lana e, assim, vieram os longas-metragens de pouca expressão Speed Racer (2008) e A Viagem (2012). Pior ainda é o resultado de O Destino de Júpiter, mais uma incursão pela fantasia dos, agora, The Wachowskis. Além de apresentar figurinos, maquiagem e direção de arte horrendos, o filme investe em efeitos visuais genéricos para entreter a plateia diante de uma trama banal. No início da história, Júpiter (Mila Kunis) nasce dentro de um contêiner no Oceano Atlântico quando sua mãe migra da Rússia para os Estados Unidos após o assassinato de seu pai. Adulta, a moça trabalha como faxineira em Chicago e leva uma vida humilde até ser perseguida por... alienígenas (!). Escapa da morte com a ajuda do caçador espacial Caine (o galã Channing Tatum) e descobre algo surpreendente: ela descende da rainha de um planeta comandado pelos herdeiros Abrasax. Os irmãos Titus (Douglas Booth) e Balem (Eddie Redmayne, de A Teoria de Tudo) têm interesse em Júpiter, cada um querendo, à sua maneira, tirar proveito da terráquea. Os realizadores pretendem injetar “complexidade” no enredo adotando um tom solene na interpretação dos extraterrestres (Redmayne ganha em canastrice), um arremedo shakespeariano no roteiro e um clima operístico nos minutos finais. Sobra barulho e falta estofo. Estreou em 5/2/2015.
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  • No drama romântico, Connor Ludlow (James McAvoy) e Eleanor Rigby (Jessica Chastain) se separam após um trágico acontecimento. Enquanto ela retorna para a casa dos pais, ele toca seu bar a duras penas em Nova York. Direção: Ned Benson (The Disappearance of Eleanor Rigby: Them, EUA, 2014, 123min). 14 anos. Estreou em 12/3/2015.
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  • Candidato da Suécia para concorrer a uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro, Força Maior nem sequer esteve entre os cinco finalistas. Mas tinha qualidades até para levar o prêmio. De um acontecimento inesperado, o diretor e roteirista Ruben Östlund extrai uma reflexão profunda sobre relacionamentos, intimidades entre pares e o papel do homem e da mulher no núcleo familiar. A trama flagra o casal sueco Tomas (Johannes Bah Kuhnke) e Ebba (Lisa Loven Kongsli) chegando a uma estação de esqui nos Alpes franceses, acompanhado dos filhos. A ideia é aproveitar a estada para relaxar, mas, durante um almoço, algo tira a família dos eixos. Uma avalanche, vinda em direção ao hotel, faz com que o marido se separe da mulher. A partir daí, os questionamentos vêm à tona em discussões oportunas, incômodas e necessárias. Estreou 5/3/2015.
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  • A animação levou o Oscar, assim como sua canção, Let It Go. Graciosa, a história enfoca a trajetória de duas princesas. Elsa, a primogênita, possui o dom de transformar em gelo tudo o que toca. Ao ser coroada, tem seu poder revelado para o povo do reino nórdico de Arendelle. Assustados, os habitantes pensam tratar-se de bruxaria. Elsa escapa de lá e refugia-se nas montanhas nevadas. Espevitada e destemida, sua irmã, Anna, precipita-se atrás dela e deixa o trono aos cuidados de seu noivo. Estreou em 3/1/2014.
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  • A deslumbrante comédia foi consagrada no Oscar com quatro prêmios: melhor figurino, trilha sonora, desenho de produção e cabelo/maquiagem. Na trama, um escritor (interpretado por Tom Wilkinson) relembra o passado, quando se hospedou no Grande Hotel Budapeste. Ele tinha 40 e poucos anos (Jude Law assume o personagem) e ouviu do proprietário, Moustafa (F. Murray Abraham), como o imenso imóvel nas montanhas da fictícia República de Zubrow ka foi parar em suas mãos. O enredo volta então a 1932 para flagrar a rotina de Moustafa (agora Tony Revolori), um novato mensageiro a serviço de Monsieur Gustave (Ralph Fiennes, excelente), o gerente almofadinha exigente e amante de velhas hóspedes. Além da narrativa ágil e do humor abrangente, a paleta de cores usada na brilhante direção de arte enche os olhos e cria um visual acachapante. Estreou em 3/7/2014.
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  • Drama

    Ida
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    Vencedor do Oscar 2015 de filme estrangeiro, o drama polonês tem bela fotografia em preto e branco, formato de tela quase quadrado (recurso usado em O Grande Hotel Budapeste) e enquadramentos formidáveis. Na Polônia comunista de 1962, Anna (Agata Trzebuchowska), uma noviça órfã prestes a fazer seus votos, é retirada do convento para ir ao encontro da tia. Wanda (Agata Kulesza), sem meias palavras, revela que Anna, na verdade, é Ida Lebenstein, filha de judeus mortos durante a II Guerra. A situação delicada ganha tratamento de distância emocinal, afinal se trata de uma fita cercada pelo rigor e pela contenção sentimental do cinema polonês. Wanda, porém, decide pegar a sobrinha e tentar localizar as últimas pessoas que tiveram contato com seus pais. Direção: Pawel Pawlikowski (Ida, Polônia/Dinamarca/França/Inglaterra, 2013, 82min). 14 anos. Estreou em 25/12/2014.
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  • Após estudar em Cambridge e Princeton, o matemático e prodígio Alan Turing (papel de Benedict Cumberbatch) foi chamado para, junto de um grupo de criptógrafos, decifrar um código nazista durante a II Guerra. Ao chegar à instalação militar secreta Bletchley Park, Turing, um sujeito tão tímido quanto arrogante, foi rechaçado pelos colegas. Sua prepotência, aliada à inteligência, foi decisiva para que seus chefes o colocassem na posição de líder. Trazer à tona a figura de Turing é o maior mérito desse drama, que levou o Oscar de melhor roteiro adaptado. Em desempenho notável, Cumberbatch cumpre à risca o papel: Turing, embora rolasse um clima com sua colega Joan Clarke (Keira), era homossexual. O roteiro, contudo, passa de raspão pela intimidade do biografado para dar ênfase ao seu trabalho, considerado precursor da ciência da computação. Levado em clima de tensão dramática, o longa-metragem faz parte da linhagem de fitas inglesas feitas sob encomenda para concorrer a prêmios. Isso, ao menos, conseguiu. Estreou em 5/2/2015.
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  • Ainda é possível fazer um filme sobre espiões depois de tantas aventuras com James Bond mais as paródias do gênero? Sim, e o resultado de Kingsman — Serviço Secreto mostra que há vida inteligente no planeta 007. No entanto, para embarcar na façanha do diretor e roteirista Matthew Vaughn será preciso encarar a trama como uma fantasia violenta, sem limite de imaginação e politicamente incorreta — e isso só conta pontos a seu favor. A história gira em torno de uma liga secreta inglesa chamada Kingsman, na qual homens e mulheres são treinados para matar ou morrer em nome da pátria. Quando um dos integrantes é assassinado, o grupo se reúne para encontrar um substituto. Harry Hart (Colin Firth) indica o jovem Eggsy (Taron Egerton), o desajustado filho de um colega morto numa missão na década de 90. Ao mesmo tempo, um vilão de língua presa (interpretado com galhofa por Samuel L. Jackson) pretende dar um “jeitinho” na humanidade usando o celular num plano maquiavélico. Vaughn, produtor dos primeiros longas-metragens de Guy Ritchie (Snatch) e realizador de Kick-Ass e X-Men: Primeira Classe, não brinca em serviço. Além das referências ao cinema do “mentor” Ritchie, traz a efervescência da filmografia de Quentin Tarantino e o humor sem noção do seriado Agente 86. A combinação dá certo, sobretudo pela maneira livre, leve e solta com que os protagonistas, Firth e Egerton, dividem a ação e se empenham em divertir a plateia. Estreou em 5/3/2015.
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  • Comédia estrelada por Johnny Depp, que interpreta o marchand trapaceiro Mortdecai, casado com Johanna (Gwyneth Paltrow). Em sua mira está um quadro roubado de Goya, que pode conter a senha de uma conta num banco capaz de dar acesso a uma fortuna em ouro. Estreou em 12/3/2015.
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  • Quem viu O Filho da Noiva (2001) e Longe Dela (2006) enfrentou dramas pesados sobre personagens com a doença de Alzheimer. Perto das histórias desses longas-metragens, Para Sempre Alice vai parecer fichinha. A atuação de Julianne Moore, recompensada com o Oscar de melhor atriz, é qualidade à parte. Ela interpreta a professora de linguística Alice Howland, casada e mãe de três filhos. Aos 50 anos, sua vida muda radicalmente após ser diagnosticada com uma rara doença cerebral degenerativa. O roteiro, elaborado em elipses, capta momentos ao longo do tempo da protagonista — do primeiro sintoma na  caminhada diária aos cuidados recebidos da caçula (Kristen Stewart), quando Alice já apresenta graves lapsos de memória. Brando na apresentação do caso, o filme também não se aprofunda no relacionamento da personagem com a família. É como se o longa-metragem fosse feito exclusivamente para Julianne e também Kristen brilharem. Estreou em 12/3/2015.
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  • Assim como o Gato de Botas de Shrek e os Minions, de Meu Malvado Favorito, os pinguins da animação Madagascar ganharam o próprio desenho. As aves marinhas surgiram como coadjuvantes no primeiro longa-metragem, de 2005, foram conquistando espaço maior nas duas continuações e têm até uma série de TV. A volta ao cinema se dá em grande estilo, com um roteiro repleto de tiradas muito divertidas e ação incessante, na medida para agradar a crianças e adultos. A trama volta rapidamente no tempo para mostrar como os adolescentes Capitão, Kowalski e Rico acolheram o bebê órfão Recruta desde que ele saiu do ovo. Na sequência, já adulto, o quarteto embarca para Veneza a fim de eliminar o maligno Octavius Brine. Por trás da aparência humana, esse geneticista é o polvo Dave, e suas péssimas intenções têm ligação com o passado dos protagonistas. Para ajudar os pinguins a derrotar o vilão, obcecado em acabar com o mundo, entram em cena quatro integrantes da organização secreta Vento Forte, especializada na proteção aos animais. Destaque entre os personagens, Capitão responde pelos melhores momentos de humor devido à sua suposta inteligência. Estreou em 15/1/2015.
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  • Em seu primeiro longa-metragem, o diretor argentino Damián Szifrón faz um trabalho repleto de frescor e criatividade. São seis histórias, também assinadas por ele, tão boas e surpreendentes que, em muitos momentos, terminam com um gosto de quero mais. O prólogo já arrebata. Num avião, os passageiros percebem ter algo em comum: todos conhecem um sujeito chamado Pasternak. A coincidência vai acabar de forma assustadoramente divertida. A partir daí, os demais relatos trazem a vingança como tema — e o humor negro reina. Fica fácil notar as influências do realizador, que vão de Tarantino aos irmãos Agustín e Pedro Almodóvar (produtores da fita), passando pelo “terrir” de Sam Raimi (Arrasta-me para o Inferno). Outra boa notícia é o resultado da comédia: embora seja uma trama em episódios, há uma afinada unidade entre eles. Estreou em 23/10/2014.
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  • O casal de cientistas Frank e Zoe (papéis de Mark Duplass e Olivia Wilde) descobriu um soro capaz de ressuscitar animais mortos. Acompanhados de dois estudantes e uma cinegrafista, eles fazem o registro do renascimento de um cão secretamente. Trata de um filme de terror e o feitiço vai virar contra o feiticeiro. Zoe acaba sendo eletrocutada e, para fazê-la voltar à vida, o marido a submete à experiência. O que vem a seguir é uma série de cenas de tensão programada e sustos na estaca zero. Estreou em 5/3/2015.
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  • O paulistano Mauro Mateus dos Santos, o Sabotage (1973-2003), foi um dos nomes mais expressivos do rap nacional. No documentário, há depoimentos de artistas e entrevistas de arquivo com depoimentos do músico. Estreou em 5/3/2015.
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  • No longa-metragem Se Fazendo de Morto, o ótimo intérprete belga François Damiens, também em cartaz em A Família Bélier, encarna Jean Renault. Aos 40 anos, Renault (cuja pronúncia do sobrenome se confunde com a do astro Jean Reno) foi premiado com o César (o Oscar francês) de melhor revelação, vinte anos atrás. Agora, faz pontas em seriados de TV e, cheio de manias e exigências, virou um sujeito intragável. Conclusão: ele não consegue mais trabalho na sua profissão. Divorciado e sem grana, aceita um emprego de três dias numa pequena cidade dos alpes franceses. O ator, porém, não vai atuar — ele será o “morto” nas cenas de reconstituição de triplo assassinato. Como já fez muitas séries policiais, mete o bedelho onde não é chamado e, assim, consegue só irritar uma metódica juíza (Géraldine Nakache). Em gênero rareando nas telas, a comédia de suspense encontra aqui um bom exemplo. Além de piadas divertidas (muitas delas relacionadas a cinema), o mistério marca presença de forma instigante. O protagonista, sem a beleza dos galãs, acerta no timing cômico bancando o tipo conquistador na cara dura. Estreou em 15/1/2015.
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  • Em 1965, um ano após receber o Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King (interpretado por David Oyelowo), ferrenho defensor dos direitos civis, juntou-se a uma campanha para que os negros tivessem direito a voto. No sul racista dos Estados Unidos, a situação era crítica e a pequena cidade de Selma, no Alabama, foi escolhida como QG de uma marcha histórica. A trama do drama Selma — Uma Luta pela Igualdade, candidato ao Oscar de melhor filme e canção (para Glory), é, por si só, atraente e, não à toa, as imagens reais que despontam no desfecho emocionam mais do que a romantização do fato. A diretora Ava DuVernay consegue bons momentos dramáticos, sobretudo pelo empenho de atores como Oyelowo, Tom Wilkinson e Tim Roth, este na pele do governador George Wallace. Há também cenas de forte impacto. Entre elas, a explosão que mata quatro garotinhas negras numa igreja (tema do documentário 4 Little Girls, de Spike Lee) e os violentos ataques à população negra por policiais brancos. São registros que espelham uma realidade ocorrida há apenas cinco décadas e, daí, a importância de ser retomados a qualquer instante. Estreou em 5/2/2015.
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  • Na era medieval, Mestre Gregory (Jeff Bridges) larga a bebedeira para ir atrás de Malkin (Julianne Moore), a mãe de todas as bruxas, que escapou de sua cela nas trevas. Para acompanhá-lo na empreitada, escolhe Tom (Ben Barnes), um jovem filho de fazendeiros, inexperiente no assunto. Driblando os feitiços da poderosa e enfrentando criaturas do mal, a dupla segue tranquila na missão. O aparecimento de Alice (Alicia Vikander), uma moça de traços delicados, condenada à morte por bruxaria, vai mudar a situação. Tom se encanta por ela sem saber que se trata da sobrinha de sua maior inimiga. Diretor russo de O Guerreiro Genghis Khan (2007), Sergei Bodrov capricha no visual de época de O Sétimo Filho, amparado em uma avalanche de efeitos visuais. Há deslizes, porém, duros de engolir. Bridges, fazendo um ancião de queixo tremulante, e Julianne Moore, interpretando a vilã de olhos nervosos, só não são piores do que a insossa mistura de fantasia, aventura e terror dominando o roteiro. Estreou em 12/3/2015.
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  • Comédia romântica

    Simplesmente Acontece
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    Extraído do livro homônimo da irlandesa Cecelia Ahern, Simplesmente Acontece faz jus ao bom título em português. A trama enfoca o relacionamento entre os ingleses Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Clafin), amigos desde a infância que, embora sintam atração um pelo outro, não conseguem se declarar. Na festa de formatura, Rosie faz a besteira de transar com um colega (Christian Cooke) e Alex vira alvo da devoradora Bethany (Suki Waterhouse). Dias depois, o sonho de ambos de mudar para Boston será desfeito e... simplesmente acontece: a moça fica grávida e o rapaz parte para estudar nos Estados Unidos. O tempo vai passar, novos amores entrarão na vida dos protagonistas e a sensação de ter perdido aquela única oportunidade deixará um nó na garganta. Tão simpático quanto previsível, o romance abusa de situações-clichê, mas é daqueles filmes em que se torna impossível não torcer pelo casal — e o carisma de Lily e Clafin contribui para isso. Estreou em 5/3/2015.
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  • Embora seja um estrondoso sucesso nas bilheterias dos Estados Unidos, Sniper Americano vem dividindo opiniões. Alguns saíram em defesa e outros atacaram a visão heroica que o diretor Clint Eastwood dá a um atirador de elite, responsável por matar 160 pessoas (confirmadas) em nome da defesa de militares americanos e civis iraquianos. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Eastwood, um veterano à frente e atrás das câmeras, de 84 anos, faz um registro seco para enfocar as feridas de uma guerra no cotidiano de Chris Kyle (papel de Bradley Cooper). Deixa para os créditos finais o sentimentalismo genuíno acompanhando as imagens reais do biografado. A primeira cena tem um grande impacto. No teto de uma casa em Fallujah, no Iraque, Kyle precisa tomar uma decisão em segundos: acerta ou não um tiro num garoto que muito provavelmente carrega um explosivo nas mãos a fim de atingir um tanque americano? O desfecho da sequência será retomado mais adiante. Partindo da infância do protagonista, a história concentra-se em sua fase adulta, passando pelo casamento com Taya (Sienna Miller), os treinamentos militares e, sobretudo, as operações no Iraque, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Eastwood afasta-se da “patriotada” e dos julgamentos morais para ir fundo nos dilemas íntimos de um homem a serviço de uma nação. Ignorado no Globo de Ouro, o longa-metragem surpreeendeu na corrida do Oscar e, neste domingo (22/2/2015), concorre a melhor filme, ator (Cooper), roteiro adaptado, montagem, mixagem de som e edição de som. Estreou em 19/2/2015.
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  • Em meados da década de 60, Stephen Hawking (papel de Eddie Redmayne, vencedor do Oscar 2015 de melhor ator) era um brilhante aluno na Universidade de Cambridge quando começou a ter os primeiros sinais de uma doença degenerativa neuromotora. De olho em Jane (Felicity Jones), uma estudante de poesia ibérica, ficou abalado após o médico lhe dar apenas dois anos de vida. O tempo passou e ele superou as dificuldades. Hoje, aos 73 anos, Hawking é um ilustre físico e cosmólogo, autor de livros como Uma Breve História do Tempo, e, completamente paralisado, usa um sintetizador de voz para poder se expressar. A história do drama foi baseada no livro homônimo de Jane Hawking, a primeira esposa do protagonista e peça fundamental no longa-metragem. Como a fonte de inspiração veio de Jane, não espere entender a importância do trabalho de Hawking. A trama foca, sobretudo, o relacionamento deles, os problemas que enfrentaram juntos e, com o marido já bastante debilitado, o interesse de Jane por outro homem, um músico interpretado por Charlie Cox. Mais conhecido pelos documentários O Equilibrista (2008) e Projeto Nim (2011), o diretor James Marsh entrega à plateia uma cinebiografia romantizada que, até mesmo nos conflitos íntimos, se distancia de polêmicas. A boa “embalagem” de época e a superlativa atuação de Redmayne são seus trunfos. Estreou em 29/1/2015.
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  • Drama

    Timbuktu
    Veja Rio
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    Com uma pegada de denúncia, o diretor Abderrahmane Sissako, da Mauritânia, escancara os absurdos desmandos dos extremistas muçulmanos num pobre vilarejo do Mali chamado Timbuktu, nome deste drama vencedor de sete prêmios no César 2015 (o Oscar francês), incluindo o de melhor filme. O personagem central é Kidane (Ibrahim Ahmed), um tuaregue que vive com a mulher e a filha pequena numa tenda do deserto, a alguns quilômetros de Timbuktu. Quando um vizinho mata uma vaca de Kidane, este revida sem violência, mas a briga termina em morte. Mesmo sem ter culpa, o protagonista segue os desígnios de Alá e vai a julgamento. Em registro de flerte com o documentário, o longa-metragem abre espaço para a poesia, representada numa tocante sequência em que meninos jogam futebol sem bola porque o esporte também está fora da lei. Estreou em 22/1/2015.
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  • No novo desenho animado da Disney, o Monstro da Terra do Nunca não é bem-vindo no Refúgio das Fadas. Embora a maioria ache a criatura assustadora, Fawn enxerga seu bom coração. Por isso, pede que as amigas a ajudem a resgatar o bicho de seu mundo. Estreou em 26/2/2015.
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  • Comédia dramática

    Um Jovem Poeta
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    Rémi (papel de Rémi Taffanel) é um adolescente cujo sonho é se tornar poeta. Na comédia dramática, o protagonista, de caneta e caderno na mão, titubeia para escrever os primeiros versos. Estreou em 12/3/2015.
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  • No drama, Andrew Neiman (Miles Teller) tem 19 anos e estuda num prestigiado conservatório musical de Nova York. Seu objetivo é virar um profissional da bateria, mesmo que, para isso, tenha de renunciar à família, aos amigos e aos amores. Não por acaso, seu talento nas baquetas ganha o reconhecimento do professor Terrence Fletcher (J.K. Simmons). Andrew, então, passa a integrar a banda de jazz do mestre, composta apenas de estudantes do primeiro time. A partir daí, sua vida transforma-se num cotidiano cheio de som e fúria. Tem-se, aqui, a fome com a vontade de comer. Se o professor se mostra um carrasco irascível, o aluno parece ter prazer com a extrema rigidez. Assim como o jovem protagonista, o diretor Damien Chazelle, prestes a completar 30 anos, tem uma fabulosa capacidade de entrega ao trabalho. Enxuto na duração e tenso em seu desenrolar, seu segundo longa-metragem pulsa no ritmo da história. Bem-aceito no Oscar 2015, ficou com os prêmios de ator coadjuvante (Simmons), montagem e mixagem de som. Estreou em 8/1/2015.
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Fonte: VEJA RIO