CINEMA

Roma, cidade aberta

No fabuloso A Grande Beleza, um registro da decadência e também uma homenagem à capital italiana

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪✪

Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Paolo Sorrentino tem 43 anos e a maturidade dos experientes cineastas. Diretor de Il Divo (2008), infelizmente inédito no Brasil, e de Aqui É o Meu Lugar (2011), ele se supera em todos os quesitos na realização de A Grande Beleza, o longa-metragem indicado pela Itália para concorrer a uma vaga no Oscar. De uma plasticidade estupenda, o filme traz um recorte da alta sociedade de Roma, dominada pela breguice e por uma intelectualidade de botequim. Concentra-se em Jep Gambardella (o excelente Toni Servillo) a síntese da decadência. Irônico e ácido, Gambardella, aos 65 anos bem vividos e autor de um único livro, faz entrevistas esporádicas para uma revista e mora numa magistral cobertura em frente ao Coliseu. Orbitam em torno dele poucos amigos e muitos sanguessugas. Perambulando por festas, chega a trocar a noite pelo dia. Gambardella, como ele mesmo diz, não se obriga a fazer o que não quer. Solteiro e sem filhos, está cansado e sente o peso da idade ao descobrir que uma namoradinha da juventude se casou com outro, mas era apaixonada por ele. As referências de Sorrentino são ora evidentes, ora implícitas. O filme possui o clima onírico das fitas de Fellini e uma alusão ao personagem de Marcelo Mastroianni em A Doce Vida. Violência e Paixão, de Visconti, está entranhada na solidão do protagonista. Além de afiadíssimo nos diálogos, Sorrentino capta o esplendor de Roma ao penetrar com sua câmera em palácios e em passeios por ruas desertas. Trata-se de um raro casamento entre a beleza da arquitetura e a riqueza das palavras. Direção: Paolo Sorrentino (La Grande Bellezza, Italia/França, 2013, 142min). 14 anos. Estreou em 20/12/2013.

Espaço Itaú de Cinema 6, Espaço Rio Design Vip, Estação Barra Point 1, Estação Ipanema 1.

Fonte: VEJA RIO