Prepare a pipoca

Confira os 30 filmes em cartaz

O romance de Cinderela e drama Casa Grande estão no circuito

Por: Redação Veja Rio - Atualizado em

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(Foto: Divulgação)

De títulos que concorreram ao Oscar de Melhor Filme a animações infantis, passando pelos documentários. A variedade das obras em cartaz chama diferentes públicos para as salas de cinema. Entre os nacionais, o destaque vai para Cássia Eller e Casa Grande, este último selecionado por mais de 40 festivais internacionais e vencedor de treze prêmios. Outros filmes que merecem a atenção do espectador são Cada um na Sua Casa, As Maravilhas, Não Olhe Para Trás e Sniper Americano.

+ Confira os filmes que estreiam essa semana

+ Curiosidades dos bastidores de Os Vingadores 2

  • A DreamWorks vem conseguindo superar em qualidade as animações da Disney/Pixar. Embora Operação Big Hero (do estúdio do Mickey) tenha tirado o Oscar da concorrente (que competia com Como Treinar o Seu Dragão 2), neste ano a DreamWorks já brindou as plateias com o divertido Os Pinguins de Madagascar e, agora, acerta de novo. Ritmo acelerado, piadas bem sacadas, efeito fofura na medida certa e um protagonista carismático são os trunfos de Cada um na Sua Casa, livre adaptação do livro infantojuvenil homônimo, escrito pelo desenhista Adam Rex e lançado no Brasil pela Editora Gutenberg. Praticamente, apenas dois personagens são o centro da trama, mas isso não é sinônimo de tédio para a criançada. O início se dá no planeta dos Boovs, seres baixinhos de seis pernas e cor lilás que vão invadir a Terra. Oh, o personagem principal, destaca-se por ser o narrador e não se encaixar nos padrões de seus semelhantes. Ele é tagarela, inconveniente, destrambelhado e, por todos os seus defeitos, revela-se um Boov diferente, simpático e mais dócil. Quando os alienígenas chegam aqui, todos os terráqueos são removidos para uma parte inóspita do planeta. Oh instalou-se em Nova York e, atrapalhado, enviou uma mensagem para os Gorgs, inimigos número 1 de sua raça. Na missão de corrigir o erro, o pequeno extraterrestre encontra Tip, uma garota em busca de sua mãe, abduzida pelos Boovs. Começa aí uma amizade à força. Estreou em 9/4/2015.
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  • Do Festival de Paulínia do ano passado, Casa Grande saiu com os prêmios do júri, ator coadjuvante (Marcello Novaes), atriz coadjuvante (Clarissa Pinheiro) e roteiro. É uma estreia na ficção de muita qualidade do também roteirista Fellipe Barbosa. A bela mansão do título, localizada no Itanhangá, bairro vizinho à Barra da Tijuca, pertence a Hugo (Novaes), um executivo do ramo financeiro desempregado. Vivendo de empréstimos dos amigos, ele se esforça para manter o padrão e a postura de patrão dos tempos de vacas gordas. O protagonista, porém, é seu filho, Jean (Thales Cavalcanti), um adolescente que procura entender a transformação do mundo à sua volta. Ele recorre ao colo da empregada (Clarissa) para desabafar e tenta conquistar uma garota a fim de diferenciar sexo de amor. O Rio de Janeiro dos ricos falidos e da classe média fica registrado numa história de situações triviais que ganha força nos embates familiares e sociais diários. Longe das favelas, lugar-comum no cinema nacional, e mais próximo do cotidiano carioca das telenovelas da Rede Globo, Barbosa traz à tona conflitos comuns e, por isso, de fácil assimilação. Estreou em 16/4/2015.
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  • Documentário

    Cássia Eller
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    Loki — Arnaldo Baptista (2008) foi o primeiro acerto do diretor Paulo Henrique Fontenelle. O segundo ocorre com um novo documentário, Cássia Eller, tributo afetuoso a uma das mais eletrizantes cantoras brasileiras, que morreu, precocemente, em dezembro de 2001, aos 39 anos. O realizador foi atrás de imagens caseiras, feitas em família ou das turnês, e também dos registros nos programas de TV. À tona, vêm as várias faces de Cássia: a mulher tímida diante das câmeras, a intérprete de voz potente e atitudes provocativas no palco, a mãe biológica e dedicada de Chicão, a esposa não muito fiel de Maria Eugênia, sua companheira até a morte. Há também o passo a passo da carreira — dos primórdios num espetáculo de Oswaldo Montenegro ao derradeiro (e espetacular) Acústico MTV, em que mesclou de Edith Piaf (Non, Je Ne Regrette Rien) a Cazuza (Malandragem) e Riachão (Vá Morar com o Diabo). No mais emocionante dos depoimentos, Nando Reis relembra a parceria em hits como O Segundo Sol. Drogas, sexo e rock and roll permeiam a biografia, mas sem muitas polêmicas, justamente para cair no agrado dos fãs. Fontenelle, no entanto, comete um excesso e um deslize: alonga o filme com cenas dispensáveis e, sem nenhuma canção na íntegra, perde a oportunidade de deixar Cássia apenas cantando. Estreou em 29/1/2015.
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  • Ação / Ficção científica

    Chappie
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    Diretor de Distrito 9 e Elysium, o sul-africano Neill Blomkamp adora inserir mensagens políticas e filosóficas em suas tramas de ficção científica. Desde que bem trabalhadas, não há mal nisso. Em Chappie, no entanto, a fórmula soa pretensiosa demais. Criado pelo jovem e genial Deon (interpretado pelo inglês de origem indiana Dev Patel), o robô que dá nome ao filme nasce como uma criança, sem ter noção do mundo, e se desenvolve aos poucos, adquirindo movimentos e construindo a própria consciência. Como pano de fundo, tem-se uma África do Sul em estado de calamidade por causa do avanço da violência. Nesse futuro indeterminado, criminosos são perseguidos por robôs policiais produzidos em série numa indústria. Quem comanda a empreitada (e lucra alto com isso) é Michelle (Sigourney Weaver). Um Hugh Jackman robotizado, vestido como um turista no meio de um safári, dá vida ao ambicioso Vincent, funcionário da empresa cuja obsessão é criar uma máquina de guerra ainda mais potente. De coração mole, Chappie seria uma evolução na linha de montagem, um Robocop com alma. O projeto, porém, vai por água abaixo assim que a criatura é raptada pelos marginais Ninja e Yolandi (interpretados pelos rappers sul-africanos homôninos e cheios de estilo). Nos momentos mais divertidos do longa, Chappie aprende a soltar gírias, andar como um malandro e praticar assaltos. Mas, fazendo o mal, ele entra em crise. E Blomkamp embarca numa viagem rasa sobre moral e imoral, vida e morte. Estreou em 16/4/2015.
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  • alvez o maior erro das adaptações dos contos infantis com atores seja “trair” as histórias originais, a exemplo de Malévola e Espelho, Espelho Meu. Cinderela segue à risca o desenho animado da Disney e, por isso, não tem como desagradar. No papel-título, a graciosa Lily James (do seriado Downton Abbey) interpreta Ella, que, após a morte do pai, é obrigada a morar com a segunda esposa dele. A madrasta (papel de Cate Blanchett) mostra-se amigável a princípio, mas, aos poucos, comporta-se como uma víbora, transformando a enteada em sua serviçal. As filhas da megera (Holliday Grainger e Sophie McShera) são igualmente venenosas. O destino da moça, contudo, tende a mudar quando o príncipe (Richard Madden) convoca as mulheres do reino para um baile. O filme tem encanto e magia em porções ideais para fazer brilhar os olhos da criançada. Contribui para o esplêndido visual um time de profissionais de primeira linha, encabeçado pelo diretor de arte italiano Dante Ferretti e pela figurinista inglesa Sandy Powell, a dupla por trás de A Invenção de Hugo Cabret. Estreou em 26/3/2015.
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  • Além de autora do best-seller, a inglesa E.L. James é uma das produtoras de Cinquenta Tons de Cinza. Dizem que a escritora supervisionou cada detalhe nos sets para nada sair fora de seu alcance. E assim foi. A adaptação do primeiro volume da trilogia segue à risca o livro — além dos mesmíssimos diálogos, as situações (tirando uma ou outra cena) são idênticas às da literatura. Resumo: o fã não vai se sentir traído, porém falta personalidade ao longa-metragem. De tão arrumadinho para agradar, o filme perde em autenticidade e calor. Muito comentada pela mídia no último ano, a história trata de um romance pouco convencional para os padrões de Hollywood. Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma estudante virgem recém-formada que mora em Vancouver, conhece numa entrevista, em Seattle, o empresário bilionário Christian Grey (Jamie Dornan). A atração entre os dois é imediata. Conquistador charmoso, Grey passa a assediá-la até chegar o momento da confissão: ele não curte romance e gosta de sexo sadomasoquista. Denomina-se “o dominador” enquanto sua parceira seria “a submissa”. Em seu “quarto vermelho da dor”, há algemas, correntes, chicotes e uma série de apetrechos para aliar prazer e dor (não necessariamente nessa ordem). Anastasia, apaixonada, embarca no vale-(quase)-tudo. A versão para o cinema reduziu drasticamente as cenas de sexo, embora duas delas sejam poderosas e tórridas. Pela duração (duas horas), o romance entre os protagonistas perde em intensidade e raramente decola. A química entre Grey e Anastasia demora a engrenar e, não à toa, os dois se entregam mais aos papéis nos derradeiros minutos. A surpresa, contudo, tem nome: Dakota Johnson não perde o rebolado nem mesmo quando totalmente despida. Dornan, ao contrário, construiu um Grey automático e frio. Ex-modelo, inclusive de cuecas, o ator irlandês tem beleza, refinamento e sensualidade, mas perde no quesito “pegada”, algo fundamental para o personagem. Estreou em 12/2/2015. + Teste seus conhecimentos em um quiz sobre Cinquenta Tons de Cinza + As diferenças entre o livro e o filme + Conheça o apartamento de Christian Grey em vídeo inédito + Fotos dos bastidores mostram os atores bem à vontade + Sete coisas e situações estranhas influenciadas pelo filme
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  • Héctor (Lucio Giménez Cacho) tem 15 anos e, no fim da temporada de verão, vai passar uns dias num hotel do litoral, praticamente às moscas. A companhia de sua mãe, Paloma (María Renée Prudencio), parece ser ideal. Em sintonia, eles matam o tempo esticando-se ao sol e jogando cartas. A entrada da garota Jazmín (Danae Reynaud) na trama de Club Sandwich traz certa desarmonia à relação. Embora com uma premissa atraente sobre a intensidade do amor materno na adolescência, a comédia dramática mexicana fica na superfície da abordagem e, com uma narrativa contemplativa, despreza as palavras mais duras em nome de silêncios descartáveis. Estreou em 9/4/2015.
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  • Inspirado em fatos reais, ocorridos em Teerã em 2009, o drama segue a trajetória do bailarino iraniano Afshin Ghaffarian (Reece Ritchie), que desafiou as convenções em seu país ao formar uma companhia de dança clandestina. Estreia prometida para 16/4/2015.
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  • Ainda é possível lançar um olhar sobre a II Guerra Mundial com originalidade? A resposta encontra-se em O Diário da Esperança, indicado pela Hungria para concorrer ao Oscar no ano passado. Na trama, conduzida com segurança e surpresas por Janos Szász, gêmeos de 12 anos (papéis de András e László Gyémánt) são enviados pelos pais para viver com a avó materna (Piroska Molnár). Lá, a dupla vai comer o pão que o diabo amassou. Amarga, ressentida e sem um pingo de afeto, a velha mora reclusa numa casa decrépita na área rural de um vilarejo e, não à toa, é conhecida como “a bruxa”. Inocentes, os meninos encontram uma nova realidade, que inclui trabalhos forçados, comida da pior espécie e vizinhos aproveitadores, além de bombardeios e mortes. A transformação dos garotos lembra a do personagem de Christian Bale em Império do Sol (1987). Antes frágeis e amorosos, eles ganham coragem no cotidiano violento. O diretor assume um tom frio e áspero para focar um trágico período da história sob a ótica dos pequenos sobreviventes. Estreou em 16/4/2015.
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  • Antoine (Gustave Kervern) está separado da mulher e perdeu o emprego. A única saída para unir o útil ao agradável é trabalhar como zelador de um prédio. Sem experiência na profissão, mas simpático e esforçado, ele conquista a vaga. Aos poucos, aproxima-se de Mathilde (Catherine Deneuve), esposa do síndico, que atravessa um período de ansiedade e depressão. Antoine também não anda em seus melhores dias e faz uma combinação de álcool e drogas nada recomendável. Se boa parte de Em um Pátio de Paris sinaliza para a comédia, seu desenrolar toma o rumo do drama e surpreende a plateia com uma guinada muito baixo-astral. O diretor e roteirista Pierre Salvadori se deu melhor em Uma Doce Mentira (2010) e, aqui, tenta resgatar o clima mais leve da premissa acenando com uma conclusão piegas. Estreou em 26/3/2015.
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  • Os Bélier moram na área rural de uma pequena cidade da França e, fazendeiros, vendem queijos na feirinha do centro. Como a mãe (Karin Viard), o pai (François Damiens) e o irmão (Luca Gelberg) da adolescente Paula (Louane Emera) são surdos-mudos, ela fica responsável pela comunicação com os clientes. A garota também carrega o peso de falar, literalmente, em nome da família. Vivendo as mudanças hormonais típicas da idade, Paula tem um temperamento instável. Nas aulas de canto, porém, seu talento é descoberto pelo professor (Eric Elmosnino), que a incentiva a participar de um concurso em Paris. O que o destino reserva para uma moça cheia de sonhos, mas presa aos vínculos familiares? Um conflito dramático ganha tratamento bem-humorado, culminando numa sequência musical capaz de aflorar emoção. Em sua estreia no cinema, Louane Emera, descoberta aos 16 anos no programa The Voice, consegue arrebatar soltando a voz em Je Vole (Eu Voo). Estreia prometida para 25/12/2014.
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  • Drama

    Frank
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    O irlandês Jon (Domhnall Gleeson) quer seguir carreira na música e, por isso, pensa ter ganhado na loteria ao ser convidado para substituir o tecladista de uma banda de rock alternativo. Levado pelo grupo a uma inóspita casa à beira de um lago para ensaiar, compor e gravar, o rapaz tenta conviver em harmonia com os parceiros. Entre eles o bipolar Don (Scoot McNairy) e a intragável Clara (Maggie Gyllenhaal). Mas Frank (Michael Fassbender) chama mais a atenção de Don. Líder e vocalista do conjunto, esse excêntrico sujeito não tira um cabeção de papel machê nem para comer ou tomar banho, além de revelar-se um compositor medíocre. O filme é dedicado ao comediante Chris Sievey (1955-2010), criador do personagem Frank Sidebottom, que fazia apresentações musicais com uma máscara semelhante à carregada na cabeça por Fassbender. Embalado em humor singular (entenda-se, para poucos) durante sua primeira hora, Frank ganha, nos percalços rumo à fama, contornos cada vez mais dramáticos. Por mais que traga vícios do cinema independente, trata-se de um refresco na filmografia americana, expondo, cuidadosamente, temas como depressão, distúrbios psíquicos e comportamento antissocial. Estreou em 16/4/2015.
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  • O Golpista do Ano (2009), estrelado por Jim Carrey, e Amor a Toda Prova (2011), com Steve Carell e Ryan Gosling, foram os dois primeiros longas-metragens da dupla de diretores e roteiristas Glenn Ficarra e John Requa. No terceiro trabalho, a aventura Golpe Duplo, eles não conseguem ter o mesmo bom resultado de antes. O roteiro possui uma divisão (não só por causa da passagem do tempo), que prejudica a fluência da narrativa. A segunda metade perde o brilho e a graça da primeira (e empolgante) trama. Os protagonistas são os mesmos, mas é como se o espectador comprasse ingresso para ver um filme e assistisse a dois. Nicky (Will Smith) participa de um grupo de golpistas profissionais com um esquema muito bem armado. Pelas ruas, homens e mulheres batem carteiras e furtam artigos valiosos. Tudo vai parar num depósito onde o fruto dos roubos é vendido pela internet. Ao notar que a belezura Jess (Margot Robbie) é uma sedutora mão-leve, Ricky a introduz na quadrilha e na arte do crime. Corte rápido para três anos depois. Nicky abandonou a turma e está em Buenos Aires na intenção de espionar uma escuderia a mando de Garriga (Rodrigo Santoro), um magnata da Fórmula 1. Detalhe: Jess também se encontra por lá e, bingo!, namora o poderoso empresário. Haverá novos golpes, contratempos e reviravoltas. Mas muito aquém dos sessenta minutos iniciais. Estreou em 12/3/2015.
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  • Ficção científica

    Insurgente
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    Sagas com três ou quatro filmes, a exemplo de O Senhor dos Anéis e Crepúsculo, em geral, têm o meio mais fraco do que as pontas. Não à toa, Insurgente, sequência de Divergente e precedente do desfecho Convergente (que terá duas partes, em 2016 e 2017), também padece da síndrome do miolo mole. Na trama, Tris (Shailene Woodley), Quatro (Theo James) e Peter (Miles Teller) escaparam da facção Audácia e encontram abrigo junto dos pacifistas da Amizade. Igualmente fugitivo, Caleb (Ansel Elgort), irmão de Tris e integrante da Erudição, reencontrou-a após a morte da mãe (Ashley Judd). Ao serem descobertos, fogem de lá e, num trem, conhecem alguns rejeitados da sem-facção cuja líder é Evelyn (Naomi Watts). Em mais de uma hora, há poucas surpresas, a correria de praxe e efeitos visuais comedidos em meio a uma narrativa sem ritmo nem empolgação. A partir do momento em que Tris se entrega à vilã Jeanine (Kate Winslet), a ficção científica ganha agilidade e suspense, além de se encaminhar para um desenlace-surpresa. Estreou em 19/3/2015.
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  • Ainda é possível fazer um filme sobre espiões depois de tantas aventuras com James Bond mais as paródias do gênero? Sim, e o resultado de Kingsman — Serviço Secreto mostra que há vida inteligente no planeta 007. No entanto, para embarcar na façanha do diretor e roteirista Matthew Vaughn será preciso encarar a trama como uma fantasia violenta, sem limite de imaginação e politicamente incorreta — e isso só conta pontos a seu favor. A história gira em torno de uma liga secreta inglesa chamada Kingsman, na qual homens e mulheres são treinados para matar ou morrer em nome da pátria. Quando um dos integrantes é assassinado, o grupo se reúne para encontrar um substituto. Harry Hart (Colin Firth) indica o jovem Eggsy (Taron Egerton), o desajustado filho de um colega morto numa missão na década de 90. Ao mesmo tempo, um vilão de língua presa (interpretado com galhofa por Samuel L. Jackson) pretende dar um “jeitinho” na humanidade usando o celular num plano maquiavélico. Vaughn, produtor dos primeiros longas-metragens de Guy Ritchie (Snatch) e realizador de Kick-Ass e X-Men: Primeira Classe, não brinca em serviço. Além das referências ao cinema do “mentor” Ritchie, traz a efervescência da filmografia de Quentin Tarantino e o humor sem noção do seriado Agente 86. A combinação dá certo, sobretudo pela maneira livre, leve e solta com que os protagonistas, Firth e Egerton, dividem a ação e se empenham em divertir a plateia. Estreou em 5/3/2015.
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  • Em seu segundo longa-metragem de ficção (e o primeiro lançado por aqui), a diretora Alice Rohrwacher, irmã da atriz Alba Rohrwacher (de A Bela que Dorme), mostra um invejável domínio dramatúrgico em roteiro de sua autoria. O drama As Maravilhas, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2014, remonta ao neorrealismo italiano ao enfocar uma família de humildes apicultores na região da Toscana. Casado com Angelica (Alba), o estrangeiro Wolfgang (Sam Louwyck) é pai de quatro garotas. A adolescente Gelsomina (Maria Alexandra Lungu), a primogênita, encarrega-se dos trabalhos mais pesados, além de ser a cabeça do clã e responsável pelas irmãs. Eles vivem em dificuldades financeiras vendendo mel em feiras e ganham a oportunidade de faturar uma grana extra hospedando um garoto delinquente em recuperação. Além disso, a sorte pode estar ao lado deles quando os produtores de um programa de TV, apresentado por Milly Catena (Monica Bellucci), chegam à cidade para escolher os nativos que melhor representam as origens e tradições do campo. Em registro naturalista, a realizadora monta um painel vivo de uma Itália afogada em sonhos e ideologias (personificada pelo pai) e, na figura de Gelsomina, à procura de saídas para emergir do buraco econômico. Estreou em 16/4/2015.
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  • Parceria entre o fotógrafo Edward Burtynsky e a cineasta Jennifer Baichwal, Marcas da Água é um fenômeno tecnológico. Com drones, helicópteros e aviões, a dupla captou imagens aéreas impressionantes em países como Índia e Estados Unidos para dar um panorama de como as pessoas tratam e/ou se beneficiam da água. Os registros passam da beleza do Rio Stikine, no Canadá, à sujeira dos curtumes à margem de um rio em Bangladesh. São instantâneos muitas vezes silenciosos em que as palavras se tornam dispensáveis — e o documentário pouco explicita suas intenções. Vale, contudo, deixar-se levar pelas câmeras leves e contemplativas dos realizadores e surpreender-se com construções como a barragem de Xiaolangdi, com 150 metros de altura, no Rio Amarelo, na China. Estreou em 26/3/2015.
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  • Baseado no conto Corpo Fechado, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa, Meus Dois Amores traz à tona a trajetória de Manuel (Caio Blat). Rapaz fracote do sertão, ele está noivo de Das Dô (Maria Flor), mas dorme com sua mula de estimação. Considerado um perdedor nato, o protagonista terá um desafio pela frente. Ele vendeu um cavalo doente para o matador Targino (Alexandre Borges) e vai enfrentar o rival com a cara e a coragem. No competente elenco ainda estão nomes como Lima Duarte, Vera Holtz e Ana Lúcia Torre. Uma boa direção de arte também sustenta a comédia, cujo registro caipira soa, ao mesmo tempo, renovador e passadista. Estreou em 19/3/2015.
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  • Comédia dramática

    Não Olhe para Trás
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    Danny Collins é um astro de rock das antigas. Estourou nos anos 70 com baladas de refrão grudento, passou décadas sem compor canções e continua lotando estádios. Fora do palco, divide uma mansão com uma garota, abusa das drogas e adora carrões. Quem dá vida ao protagonista de Não Olhe para Trás é Al Pacino, num de seus melhores papéis dos últimos tempos. Inspirado em fragmentos da vida do cantor inglês de folk Steve Tilston, hoje com 65 anos, o filme mostra como a rotina de Collins vira do avesso quando ele recebe de seu agente, Frank (Christopher Plummer), uma carta assinada por John Lennon na qual o ex-beatle o aconselha sobre a carreira. Collins toma uma atitude drástica: abandona a turnê, aluga um aposento longe de casa e sai em busca de familiares. Aqui, a fita embala numa jornada comovente de reconquistas. O cantor ganha a companhia de Mary (Annette Bening), a gerente do hotel que resiste às investidas do galã, e do filho (Bobby Cannavale), casado com Samantha (Jennifer Garner) e pai da agitada Hope. Drama e humor na dose correta dão ritmo ao longa. O que sobressai, no entanto, é a química irresistível entre Pacino e Annette. Estreou em 16/4/2015.
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  • Quem viu O Filho da Noiva (2001) e Longe Dela (2006) enfrentou dramas pesados sobre personagens com a doença de Alzheimer. Perto das histórias desses longas-metragens, Para Sempre Alice vai parecer fichinha. A atuação de Julianne Moore, recompensada com o Oscar de melhor atriz, é qualidade à parte. Ela interpreta a professora de linguística Alice Howland, casada e mãe de três filhos. Aos 50 anos, sua vida muda radicalmente após ser diagnosticada com uma rara doença cerebral degenerativa. O roteiro, elaborado em elipses, capta momentos ao longo do tempo da protagonista — do primeiro sintoma na  caminhada diária aos cuidados recebidos da caçula (Kristen Stewart), quando Alice já apresenta graves lapsos de memória. Brando na apresentação do caso, o filme também não se aprofunda no relacionamento da personagem com a família. É como se o longa-metragem fosse feito exclusivamente para Julianne e também Kristen brilharem. Estreou em 12/3/2015.
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  • Assim como o Gato de Botas de Shrek e os Minions, de Meu Malvado Favorito, os pinguins da animação Madagascar ganharam o próprio desenho. As aves marinhas surgiram como coadjuvantes no primeiro longa-metragem, de 2005, foram conquistando espaço maior nas duas continuações e têm até uma série de TV. A volta ao cinema se dá em grande estilo, com um roteiro repleto de tiradas muito divertidas e ação incessante, na medida para agradar a crianças e adultos. A trama volta rapidamente no tempo para mostrar como os adolescentes Capitão, Kowalski e Rico acolheram o bebê órfão Recruta desde que ele saiu do ovo. Na sequência, já adulto, o quarteto embarca para Veneza a fim de eliminar o maligno Octavius Brine. Por trás da aparência humana, esse geneticista é o polvo Dave, e suas péssimas intenções têm ligação com o passado dos protagonistas. Para ajudar os pinguins a derrotar o vilão, obcecado em acabar com o mundo, entram em cena quatro integrantes da organização secreta Vento Forte, especializada na proteção aos animais. Destaque entre os personagens, Capitão responde pelos melhores momentos de humor devido à sua suposta inteligência. Estreou em 15/1/2015.
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  • Documentário

    O Sal da Terra
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    Indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário, O Sal da Terra segue a linha cronológica para apresentar o fabuloso trabalho do mineiro Sebastião Salgado, radicado em Paris. É o diretor Wim Wenders quem narra a trajetória do economista que se exilou na capital francesa em 1973 e, lá, deu início a uma nova profissão. Das emblemáticas fotos de Serra Pelada, passando pelos refugiados africanos, Salgado relembra os momentos enfrentados em suas aventuras pelo mundo. Voltado à recuperação da Mata Atlântica, também se dedica ao Instituto Terra, organização sem fins lucrativos criada por ele e por sua esposa em 1998. Bem resolvido para mostrar a carreira do biografado, o filme, no entanto, passa de raspão por questões afetivas e pessoais. Estreou em 26/3/2015.
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  • Em 1965, um ano após receber o Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King (interpretado por David Oyelowo), ferrenho defensor dos direitos civis, juntou-se a uma campanha para que os negros tivessem direito a voto. No sul racista dos Estados Unidos, a situação era crítica e a pequena cidade de Selma, no Alabama, foi escolhida como QG de uma marcha histórica. A trama do drama Selma — Uma Luta pela Igualdade, candidato ao Oscar de melhor filme e canção (para Glory), é, por si só, atraente e, não à toa, as imagens reais que despontam no desfecho emocionam mais do que a romantização do fato. A diretora Ava DuVernay consegue bons momentos dramáticos, sobretudo pelo empenho de atores como Oyelowo, Tom Wilkinson e Tim Roth, este na pele do governador George Wallace. Há também cenas de forte impacto. Entre elas, a explosão que mata quatro garotinhas negras numa igreja (tema do documentário 4 Little Girls, de Spike Lee) e os violentos ataques à população negra por policiais brancos. São registros que espelham uma realidade ocorrida há apenas cinco décadas e, daí, a importância de ser retomados a qualquer instante. Estreou em 5/2/2015.
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  • Embora seja um estrondoso sucesso nas bilheterias dos Estados Unidos, Sniper Americano vem dividindo opiniões. Alguns saíram em defesa e outros atacaram a visão heroica que o diretor Clint Eastwood dá a um atirador de elite, responsável por matar 160 pessoas (confirmadas) em nome da defesa de militares americanos e civis iraquianos. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Eastwood, um veterano à frente e atrás das câmeras, de 84 anos, faz um registro seco para enfocar as feridas de uma guerra no cotidiano de Chris Kyle (papel de Bradley Cooper). Deixa para os créditos finais o sentimentalismo genuíno acompanhando as imagens reais do biografado. A primeira cena tem um grande impacto. No teto de uma casa em Fallujah, no Iraque, Kyle precisa tomar uma decisão em segundos: acerta ou não um tiro num garoto que muito provavelmente carrega um explosivo nas mãos a fim de atingir um tanque americano? O desfecho da sequência será retomado mais adiante. Partindo da infância do protagonista, a história concentra-se em sua fase adulta, passando pelo casamento com Taya (Sienna Miller), os treinamentos militares e, sobretudo, as operações no Iraque, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Eastwood afasta-se da “patriotada” e dos julgamentos morais para ir fundo nos dilemas íntimos de um homem a serviço de uma nação. Ignorado no Globo de Ouro, o longa-metragem surpreeendeu na corrida do Oscar e, neste domingo (22/2/2015), concorre a melhor filme, ator (Cooper), roteiro adaptado, montagem, mixagem de som e edição de som. Estreou em 19/2/2015.
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  • Drama

    Timbuktu
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    Com uma pegada de denúncia, o diretor Abderrahmane Sissako, da Mauritânia, escancara os absurdos desmandos dos extremistas muçulmanos num pobre vilarejo do Mali chamado Timbuktu, nome deste drama vencedor de sete prêmios no César 2015 (o Oscar francês), incluindo o de melhor filme. O personagem central é Kidane (Ibrahim Ahmed), um tuaregue que vive com a mulher e a filha pequena numa tenda do deserto, a alguns quilômetros de Timbuktu. Quando um vizinho mata uma vaca de Kidane, este revida sem violência, mas a briga termina em morte. Mesmo sem ter culpa, o protagonista segue os desígnios de Alá e vai a julgamento. Em registro de flerte com o documentário, o longa-metragem abre espaço para a poesia, representada numa tocante sequência em que meninos jogam futebol sem bola porque o esporte também está fora da lei. Estreou em 22/1/2015.
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  • Comédia dramática

    Um Fim de Semana em Paris
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    A cena de Bande à Part (1964), de Jean-Luc Godard, não está presente à toa nesta comédia dramática. Além da homenagem explícita ao expoente da nouvelle vague, o filme esbanja influências do movimento que revitalizou o cinema francês na década de 60. Ambientada nos dias de hoje, a trama apresenta o casal Nick e Meg, interpretados por Jim Broadbent e Lindsay Duncan. Para comemorar o aniversário de trinta anos de casamento, estes ingleses desembarcam na capital francesa a fim de resgatar as paixões do passado. Só que nada sai como planejado. O hotel de antes virou uma espelunca e, professores de classe média, eles decidem se instalar num cinco-estrelas e viver como reis por dois dias. O humor domina o enredo em vários momentos, mas, após um encontro com um antigo amigo de Nick (papel de Jeff Goldblum), o roteiro faz um rápido desvio para o drama. Em diálogos calibrados de Hanif Kureishi (o mesmo de Minha Adorável Lavanderia e Intimidade), o filme combina a melancolia da terceira idade com a travessura da juventude. Direção: Roger Michell (Le Week-End, Inglaterra/França, 2013, 93min). 14 anos. Estreou em 2/4/2015.
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  • Aos marmanjos fissurados por fitas de ação, uma dica: lencinhos de papel (sim, acredite) são recomendados nas sessões de Velozes e Furiosos 7. Na parte final do longa-metragem, um tributo a Paul Walker deve sensibilizar até os fãs mais turrões. A “licença poética”, embalada em trilha chorosa, dura pouco. Antes disso, e felizmente, o ator é homenageado de uma maneira menos óbvia: este é o tipo de blockbuster vibrante, divertido e exagerado que apetecia ao astro californiano. Apesar das muitas turbulências no percurso (Walker morreu em novembro de 2013, aos 40 anos, quando as filmagens ainda estavam longe do fim), o esforço de recorrer a dublês e a efeitos digitais para concluir a “saga” compensou. A fórmula, aliás, não muda (nem precisaria mudar). Com uma pegada “quanto menos plausível, melhor” semelhante à do capítulo anterior, ela combina  cenas de perseguição inacreditáveis, paisagens de revistas turísticas (das praias da República Dominicana aos prédios espelhados de Abu Dhabi) e personagens sempre prontos para disparar frases de efeito engraçadinhas. Até o alvo da turma liderada por Dom Toretto (Vin Diesel) e Brian O’Conner (Walker) deixa sabor de reprise: o vingativo Deckard Shaw (papel de Jason Statham) é irmão de um vilão do sexto episódio. A trama? Serve apenas para costurar um e outro espetáculo de explosões e acrobacias, como de hábito. Firme no comando de uma máquina de saborosos absurdos, o diretor James Wan (das fitas de terror Jogos Mortais e Invocação do Mal) acerta ao pisar fundo no acelerador e, sem culpa, não se levar nem um pouco a sério. Estreou em 2/4/2015.
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  • No drama, Andrew Neiman (Miles Teller) tem 19 anos e estuda num prestigiado conservatório musical de Nova York. Seu objetivo é virar um profissional da bateria, mesmo que, para isso, tenha de renunciar à família, aos amigos e aos amores. Não por acaso, seu talento nas baquetas ganha o reconhecimento do professor Terrence Fletcher (J.K. Simmons). Andrew, então, passa a integrar a banda de jazz do mestre, composta apenas de estudantes do primeiro time. A partir daí, sua vida transforma-se num cotidiano cheio de som e fúria. Tem-se, aqui, a fome com a vontade de comer. Se o professor se mostra um carrasco irascível, o aluno parece ter prazer com a extrema rigidez. Assim como o jovem protagonista, o diretor Damien Chazelle, prestes a completar 30 anos, tem uma fabulosa capacidade de entrega ao trabalho. Enxuto na duração e tenso em seu desenrolar, seu segundo longa-metragem pulsa no ritmo da história. Bem-aceito no Oscar 2015, ficou com os prêmios de ator coadjuvante (Simmons), montagem e mixagem de som. Estreou em 8/1/2015.
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Fonte: VEJA RIO