Comédia

O Candidato Honesto se perde em grosserias

De volta às telonas, Leandro Hassum vai além do clichê do gordinho encrencado 

Por: Tiago Faria - Atualizado em

À prova de crises econômicas e de roteiros picaretas, os índices de popularidade de Leandro Hassum seguem inabaláveis no cinema. Evidência disso é que, apenas três meses depois de lançar o sofrível Vestido pra Casar, o humorista está de volta às telas em mais uma comédia. Felizmente, traz uma bem-vinda surpresa: pela primeira vez, ele interpreta um personagem capaz de ir além do clichê do gordinho encrencado — um tipo já testado e reprisado em fitas como Até que a Sorte Nos Separe e sua continuação. A sátira política O Candidato Honesto resolve, ao menos em parte, essa tendência ao mais do mesmo. Sem abandonar o humor físico, Hassum é desafiado a usar seu repertório de caras e bocas para compor o perfil bem atual de um político tão carismático quanto corrupto. Sair do previsível fez bem ao astro, em seu melhor momento num longa-metragem até hoje. Mais difícil, para ele e para o público, é engolir um roteiro que, depois de uma primeira metade promissora, toma o rumo do escracho mais banal, apelando para um tiroteio de palavrões e outras grosserias. Por fim, descamba em sentimentalismo e lições de moral. A premissa lembra o ponto de partida da comédia O Mentiroso, hit de Jim Carrey lançado em 1997. Em primeiro nas pesquisas de opinião, o ex-líder sindical e deputado João Ernesto tem o eleitorado na mão. Modesto e emotivo diante do público, ele mostra uma faceta odiosa nos bastidores: rouba dinheiro do contribuinte, envolve-se em negociatas com grupos religiosos e estimula os próprios filhos a trapacear. Esse oba-oba chega ao fim quando sua consciência entra em curto-circuito e, desesperado, ele passa a falar apenas a verdade. Direção: Roberto Santucci (Brasil, 2014, 110min). 12 anos. Estreou em 2/10/2014.

Fonte: VEJA RIO