CINEMA

Cinebiografia de Tim Maia conquista pela trilha sonora

No revezamento do papel-título, Robson Nunes e Babu Santana dão corpão e alma à cinebiografia do cantor

Por: Miguel Barbieri

tim maia
Babu Santana, como o astro furacão: sucesso em meio às drogas (Foto: Divulgação)

No palco, o ator Tiago Abravanel construiu um Tim Maia à imagem do cantor carioca com impressionante semelhança vocal. Agora, Robson Nunes e Babu Santana causam sensação na cinebiografia de Mauro Lima. O livro Vale Tudo, de Nelson Motta, que serviu de base para a peça, também é usado para o longa-metragem (bem longo, diga-se de passagem). Dirigido pelo realizador de Meu Nome Não É Johnny, o filme dura duas horas e vinte minutos e segue a ordem cronológica. Capta desde a infância de Tião (seu apelido), como entregador de marmitas, até sua morte, em 1998, aos 55 anos. Robson Nunes pega o papel ainda adolescente, quando Tim fundou, em 1957, o grupo The Sputniks, ao lado do então desconhecido Roberto Carlos. Nem mesmo as apresentações no programa de Carlos Imperial (Luis Lobianco) o levaram à fama. Sem chances de crescer no Brasil, Tim se mandou para os Estados Unidos e voltou de lá deportado pela participação no roubo de um carro. A partir de um contato com o cantor Fábio (o narrador da história e personagem que mistura vários amigos do músico), interpretado por Cauã Reymond, surgiu o lançamento na noite. Após diversas tentativas, Tim consegue reencontrar Roberto Carlos e, em 1969, o Rei grava uma música dele, Não Vou Ficar. O soul ganha as paradas, ele vira sucesso e vem junto o status de encrenqueiro e polêmico. Babu Santana entra nessa segunda fase e não economiza numa performance  próxima à de um furacão. O roteiro tampouco tapa o sol com a peneira e investe num registro aberto. Enfoca a sua decadência, o mergulho nas drogas, torrando a grana em aventuras e ganhando um triste anonimato depois de gravar os lendários discos Tim Maia Racional — Volumes 1 e 2. Há um certo probleminha de ritmo — o roteiro se estende demais na primeira parte e corre contra o tempo nos quinze minutos finais. Nada, contudo, capaz de desabonar esta visão da trajetória do “Síndico”, salpicada de canções marcantes, a exemplo de Azul da Cor do Mar e Sossego. ✪✪✪ Tim Maia, de Mauro Lima (Brasil, 2014, 140min). 16 anos. Estreou em 30/10/2014. 

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Fonte: VEJA RIO