COTIDIANO

Em campo minado

Implosões estrepitosas castigam a região portuária e deixam em pânico quem trabalha em prédio no epicentro das obras

Por: Carolina Barbosa

Fotos Felipe Fittipaldi
(Foto: Redação Veja rio)

A máxima "o que vem de baixo não me atinge" definitivamente não vale na Zona Portuária Carioca. No dia 2, uma segunda-feira, uma implosão realizada no início da tarde para a abertura de um túnel na Via Binário assustou quem trabalha no Edifício Dom Leão I, situado na esquina das avenidas Rodrigues Alves e Barão de Tefé. Segundo relatos, o prédio comercial de cinco andares sofreu uma forte trepidação durante três segundos, o suficiente para chacoalhar o mobiliário e tirar objetos do lugar. O susto foi tão grande que se fez necessário evacuar o imóvel, e os mais ressabiados preferiram não retornar aos escritórios, mesmo após a garantia de que a estrutura não havia sofrido abalo. Erguido há mais de uma década, o Dom Leão I exibe rachaduras na fachada lateral e em áreas internas, além de danos no revestimento de granito e nas pastilhas dos banheiros. Pelo cálculo do condomínio, o prejuízo já está na faixa de 300?000 reais. "Nossos inquilinos reclamam muito do barulho. É ensurdecedor", diz Robson Ximenes, síndico do edifício, que tem entre seus ocupantes a empresa de logística DHL, a Caixa Econômica Federal e a Telespazio, do ramo de telecomunicações. Três dias depois, em outra parte do porto, o prédio da Secretaria Estadual de Educação também foi esvaziado após um estrondo mais intenso ter sido sentido. Um dos que saíram às pressas foi o próprio titular da pasta, Wilson Risolia.

Nenhum outro lugar da cidade é alvo de tantas intervenções quanto os bairros da Saúde à Gamboa, na extensão portuária. Além da derrubada da Perimetral e da abertura do novo trecho da Via Binário, há uma série de prédios em construção. De acordo com a concessionária Porto Novo, responsável pelas empreitadas públicas, as detonações para a abertura do acesso subterrâneo chegam a ocorrer duas vezes ao dia, com o nível de ruí­do dentro do limite de 100 decibéis, o equivalente ao barulho de uma britadeira. Sobre as rachaduras no edifício, a empresa informa que seus técnicos fazem vistorias periódicas e que nenhum problema foi constatado. Pelo visto, a rotina de explosões e o transtorno de conviver com tremores e poeira ainda vão perdurar por um tempo, pois as obras devem se estender até a Olimpíada de 2016. Mesmo que seja para o bem da cidade, sacrifício tem limite.

Fonte: VEJA RIO