Carioca nota dez

Wal Schneider dá aulas de teatro a moradores do Complexo do Alemão

Ator é o criador do projeto Palco da Vida, que oferece acesso gratuito à cultura na região

Por: Thais Meinicke

No Palco da Vida
Wal Schneider posa com os alunos do projeto (Foto: Selmy Yassuda)

Nascido em Tabuleiro do Norte, cidadezinha de cerca de 30 000 habitantes no Ceará, filho de um carpinteiro e uma faxineira, Wal Schneider encontrou na televisão — que via na casa de vizinhos — um contato com o glamour, ainda que a distância. “Ela mostrava tudo o que eu não tinha. Geladeira, comida boa... Só pensava que queria aquilo para mim também”, lembra. Mais do que isso, a TV reforçou nele a vontade de se tornar artista. Aos 17 anos, ele pegou carona em um caminhão de melão rumo ao Rio para realizar esse sonho. Chegando aqui, a realidade foi bem diferente do que aparecia na telinha: Schneider precisou dormir no chão, fazer diversos bicos e até mesmo pedir sobras de comida a desconhecidos. Apesar das adversidades, com a ajuda de amigos conseguiu concluir o ensino médio, estudar teatro na conceituada Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e cursar faculdade de artes cênicas. Com participações em programas de TV no currículo e fazendo p­­ós-graduação na área, o ator tem, desde 2007, compartilhado a sua experiência por meio do projeto Palco da Vida, que oferece aulas gratuitas de teatro a moradores do Complexo do Alemão.

"Ver a alegria dessas pessoas ao ser aplaudidas no palco não tem preço”

O trabalho surgiu como uma oficina na unidade do Sesc em Ramos, com duração prevista de seis meses. Percebendo o interesse dos jovens, Schneider decidiu continuar com as aulas, mesmo sem uma sede fixa. Nesse período, chegou a realizar as atividades no quintal de uma das alunas. Em 2011, depois de passar por vários locais, pôde, com o auxílio de amigos, alugar uma casa em Olaria para o projeto. Lá, cerca de sessenta alunos, de todas as idades, têm a chance de se iniciar no mundo das artes cênicas, com ensaios, leituras, exibição de vídeos e encenação de peças. Para estimular a leitura, o espaço possui ainda uma biblioteca com mais de 3 500 livros e 8 000 revistas. Manter tudo isso de pé continua sendo uma batalha: sem patrocínio, Schneider depende de doações para pagar o aluguel e honrar as despesas. Todo o esforço, ele garante, vale a pena. “Minha felicidade é poder compartilhar esse sonho. Ver a alegria dessas pessoas ao ser aplaudidas no palco não tem preço.”

Fonte: VEJA RIO