lazer

Quintal eclético

A Floresta é imbatível, mas o Baixo Varnhagen e agora a Uruguai são outras opções de diversão

Por: Fernanda Arduini - Atualizado em

Fernando Lemos
(Foto: Redação Veja rio)

Chegando ali, fica difícil acreditar que estamos dentro de uma cidade. Encantadora, silenciosa e fresca (no inverno, fria mesmo), a Floresta da Tijuca é refúgio de todos os cariocas ? mas, para quem mora no bairro, funciona como uma espécie de quintal, com churrasqueira, área para piqueniques, trilhas e cascatas. Em um dia de trânsito normal, indo de carro da Praça Saens Peña até o portão de entrada do parque tijucano, não são gastos mais do que quinze minutos. Tem gente que vai lá quase diariamente. O produtor musical Luiz Boal caminha às segundas, quartas e sextas entre as árvores centenárias. ?Preciso deste clima de natureza para recarregar as energias?, diz ele. A Floresta e as Paineiras integram o Parque Nacional da Tijuca, neste ano soprando 50 velinhas. Mas a história dessas montanhas vem de muito mais longe. E houve momentos nada verdejantes.

Basta dizer que, no século XIX, sua área quase inteira teve de ser reflorestada. Porque bem antes disso, por volta de 1760, aventureiros haviam derrubado porções intocadas de Mata Atlântica para dar lugar à agricultura. Viveu-se o auge do café, que, se por um lado impulsionou o comércio e a ocupação de toda a região, por outro foi causador de uma catástrofe ecológica. Depois de enfrentarem, por anos, latifundiários, donos de fazendas e muitas vezes até seus capangas, o imperador dom Pedro II e o barão do Bom Retiro determinaram, em 1861, o início do reflorestamento. Então, sem lenhadores nem carvoeiros por perto, foram plantadas, aos milhares, mudas de jequitibá, cedro, pau-brasil, goiabeiras, jaqueiras. E a fauna fugidia foi, do mesmo modo, estimulada a voltar. Aos poucos, a área também seria embelezada, com a construção de pontes, a abertura de fontes e lagos e a inauguração de recantos e restaurantes. Mais recentemente, as trilhas viraram alvo de frequentadores em busca dos benefícios da vida saudável (confira as dicas no quadro ao lado).

lazervocesabia.jpg
(Foto: Redação Veja rio)

Cerca de 3?500 pessoas frequentam o parque a cada fim de semana. A entrada é gratuita e o horário de funcionamento vai das 8 da manhã às 5 da tarde. É possível se cadastrar como ?visitante matutino?, o que dá direito de entrar na floresta mais cedo, a partir das 7 horas. Logo na portaria, uma placa exibe as normas que devem ser seguidas: é proibido, por exemplo, caçar, retirar plantas, passear com animais domésticos e deixar oferendas religiosas. E nada de jogar lixo fora dos coletores, é claro. Bicicletas, patins e skates são bem-vindos, mas não nas trilhas, apenas nas ruas asfaltadas.

Entre as áreas mais visitadas, alinham-se o Playground Mayrink, o Bom Retiro e o Meu Recanto, lugares onde também não é necessário pagar nada nem reservar antecipadamente ? mas há que contar com a sorte de ainda ter mesas e bancos disponíveis. O aconselhável é chegar o mais cedo possível. Funcionários do parque alertam sempre para a costumeira aproximação dos quatis, que são inofensivos, mas contumazes larápios de comida. Quem se embrenha pelas trilhas sabe que há mais ? e maiores ? bichos por ali: cobras-corais, jararacas, iguanas, macacos, tatus e gambás podem ser vistos eventualmente, mas é à noite, quando o parque está fechado, que eles costumam dar o ar da graça.

O ponto mais alto da Floresta é o Pico da Tijuca, 1?022 metros acima do nível do mar. E uma das trilhas mais famosas do Parque Nacional é a da Pedra Bonita. Vai-se de carro até o início do caminho, e seu percurso pode ser feito, andando sem pressa, em quarenta minutos. Não são necessários corda nem pinos de sustentação, mas há trechos de mata fechada, bem verticais. O esforço compensa: no topo, chega-se não a um mirante, mas a uma área equivalente a dois campos de futebol, que por isso mesmo não costuma causar vertigem nos visitantes. De lá, avistam-se parte da Zona Sul e, ao longe, a Barra da Tijuca. Passam ali perto parapentes e asas-deltas que pousarão em São Conrado.

lazer2.jpg
(Foto: Redação Veja rio)

Se o seu estilo é outro e para você caminhar só vale se for apenas até a mesa do bar, é melhor trocar as delícias da Floresta pelo agito do chamado Baixo Varnhagen, na praça de mesmo nome. Há quase dez anos os ilegais camelôs de passarinho deixaram o local, que aos poucos foi se enchendo de restaurantes. Em julho de 2004, criou-se oficialmente o Polo Gastronômico da Tijuca, reunindo os estabelecimentos do entorno. A concorrência é estimulada e faz aumentar a variedade de ofertas. Quem gosta de chope deve ir ao Buxixo. Crepes, por sua vez, são ? como o nome deixa claro ? no Pancrepe. O Arte Bia é especializado em camarão. Na esquina do lado fica o Siri, com frutos do mar que um dia fizeram a cabeça de gente famosa, como o compositor Aldir Blanc. E a cada semana parece que surge um novo letreiro. No ano passado, foi o Mexe México. O badalado Rota 66 é da safra 2011.

Surgido agora, em um movimento pós-Varnhagen, vem se destacando o ponto de confluência entre as ruas Conde de Bonfim e Uruguai. Ali, capitaneado pelo bar e restaurante Otto, forma-se um point que mistura badalação e boa gastronomia, reunindo nos arredores endereços como Donna Donni, Tsuki e Casa da Ostra, além do pé-sujo Bar do Pinto. A 100 metros de lá, filas se formam no tradicional Rei do Bacalhau, na Rua Xavier de Brito, a ?praça dos cavalinhos?, onde são oferecidos passeios de pônei e de charrete ? o que agrada às famílias, que se divertem, comem e bebem, enquanto a filharada passa o tempo num trote lento, devidamente controlado por adestradores.

Fonte: VEJA RIO