Exposições

Leveza dos gigantes

José Resende extrai agilidade de cinco grandes obras no MAM

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

Avaliação ✪✪✪

Jaime Acioli/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Três esculturas públicas no Centro levam a sua assinatura: Passante, no Largo da Carioca, Vênus e Tartaruga, ambas na esquina das ruas do Rosário e Visconde de Itaboraí. Conhecido pelas obras grandiosas, José Resende causou surpresa em setembro passado ao exibir dez criações de pequenos formatos construídas com vidro, retalhos de seda e parafina. Na nova individual, que ocupa o Espaço Monumental do MAM, o artista paulistano de 66 anos de idade e 45 de carreira planejava unir essas vertentes, mas as duas peças mais delicadas do acervo apresentaram rachaduras. A intervenção do acaso resultou em um harmonioso conjunto de cinco trabalhos gigantes que preenchem o amplo espaço com variedade de formas e materiais empregados.

Próximo à entrada, o primeiro deles desafia a gravidade: três cilindros de cobre suspensos, na horizontal, por finos cabos são sustentados apenas por um eixo vertical do mesmo material. A composição seguinte lembra um totem. Traz sete seções de tronco de árvore dispostas na vertical, presas a uma haste de cobre. Mais adiante, um inusitado tripé, também de tubos de cobre, oferece duas figuras geométricas, dependendo do ângulo do observador: de frente é um triângulo, de lado, um quadrado. Resende segue jogando com o vasto ambiente. Produz contornos de pera, desenhados por canos de aço inoxidável suavemente curvados, sugerindo leveza inimaginável para um objeto de quase 5 metros de altura e 3 de circunferência. Síntese das intenções do artista, a mais atraente peça exposta tem 12 metros de comprimento. Dois aros de cobre, cada um medindo 1,7 metro de altura, parecem estar em rota de colisão. Vergalhões presos em cada um dos aros passam a impressão de movimento. Algo difícil de imaginar para suportes tão pesados.

José Resende. Museu de Arte Moderna. Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo, Centro,2240-4944. → Terça a sexta, 12h às 18h; sábado, domingo e feriados, 12h às 19h. R$ 8,00. A bilheteria fecha meia hora antes. Pessoas com mais de 60 anos pagam R$ 4,00. Grátis para amigos do MAM e menores de 12 anos. Aos domingos vigora o ingresso-família: pagam-se R$ 8,00 por grupo. Estac. (R$ 3,00 por uma hora). Até 14 de agosto. www.mamrio.com.br.

Fonte: VEJA RIO