Negócios

Uma nova fronteira no Centro

A inauguração do Port Corporate Tower, o primeiro prédio de escritórios na Zona Portuária, marca o início da ocupação comercial nessa área da cidade

Por: Cibele Reschke

genilson-araujo
Novidade na paisagem: a torre tem 22 andares e 13 000 metros de área útil (Foto: Genilson Araújo)

Em meio a muita poeira e inúmeras construções incompletas povoadas de operários, escavadeiras e guindastes, um novo prédio chama a atenção de quem anda na região portuária. Trata-se do Port Corporate Tower, que dá início à ocupação comercial desse território da cidade. Inaugurada na terça (25), a luxuosa torre envidraçada com vista panorâmica para a Baía de Guanabara é toda ecologicamente correta, com recursos tecnológicos de última geração e 13 000 metros quadrados de área útil. Do alto de seus vinte andares, é possível ver a pujança das obras de revitalização dessa região, que tiveram início há três anos. “Qualquer visionário pode enxergar o futuro próspero da cidade por essas vidraças”, afirmou o americano Rob Speyer, presidente mundial da Tishman Speyer, construtora americana responsável pelo empreendimento localizado na Avenida Rio de Janeiro, em meio aos armazéns do cais. “Os imóveis tombados vão se integrar aos edifícios novos, fazendo com que a região não deixe de lado sua personalidade histórica. E, com o crescimento no entorno, tudo o que for construído por lá hoje vai ser extremamente valorizado”, diz o executivo que veio ao Rio para a inauguração.O prédio recém-entregue é o primeiro dos 38 empreendimentos corporativos previstos para ser erguidos na Zona Portuária. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), órgão da prefeitura que coordena a ocupação da área, cerca de quinze projetos já estão com a licença aprovada para dar início às obras. Mas, além dos novos prédios comerciais, o plano da Cdurp inclui a reforma de imóveis residenciais e a criação de um novo polo cultural, com a construção de dois museus — o MAR, aberto em março de 2013, e o Museu do Amanhã, previsto para 2015 —, um aquário marinho, anexos da Biblioteca Nacional e do Theatro Municipal, além de seis sedes de órgãos públicos e mais sete hotéis. “O objetivo é fazer com que o Centro volte a ser um lugar para morar e se divertir, e não só trabalhar. Isso fará com que as pessoas não gastem tanto tempo com o deslocamento, aliviando o trânsito em outras regiões da cidade também”, explica Alberto Gomes da Silva, presidente da Cdurp. De fato, é o renascimento de um trecho degradado, que havia décadas não recebia investimentos. Com isso, nos próximos anos, a população que atualmente ocupa a região — aproximadamente 30 000 pessoas — deve triplicar.As obras acontecem em paralelo a uma grande reforma da malha viária. Até o primeiro semestre de 2016, vêm aí a via Binário do Porto, que substituirá o elevado da Perimetral; o Túnel Rio 450, que vai ligar o centro do Rio à rodoviária; o túnel da Via Expressa, que vai conectar a Avenida Brasil ao Aterro do Flamengo; e o veículo leve sobre trilhos (VLT), um bonde de superfície integrado a metrô, trens, barcas, teleféricos, BRT e ônibus convencionais. Não se pode negar que a execução desse plano promissor tem gerado inúmeros transtornos para os cariocas, que sofrem com engarrafamentos potencializados pela interdição das vias de acesso ao Centro. Para piorar, a partir de sábado (29), três das cinco faixas da Avenida Rio Branco também serão interditadas para a implantação do VLT na área. “É impossível extinguir o impacto das obras na vida da população, mas, se tivermos paciência, seremos recompensados com um transporte de melhor qualidade em pouco tempo”, afirma José Renato Ponte, presidente da Porto Novo, concessionária responsável pela execução das obras do projeto Porto Maravilha, que deve consumir 7 bilhões de reais até a conclusão. Se todo o plano sair do papel, sem dúvida teremos uma nova fronteira no Centro.

infografico
(Foto: Paula Fabris)

 

Fonte: VEJA RIO