EXPOSIÇÕES

Tomie Ohtake

Mostra da pintora japonesa tem telas feitas com os olhos vendados

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

João Liberato/divulgaçÃo
(Foto: Redação Veja rio)

No fim dos anos 50, o crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981) propôs a Tomie Ohtake uma curiosa empreitada: a produção de telas com os olhos vendados. A ideia de privar a pintora do sentido mais utilizado na realização de suas criações se revelou condizente com sua trajetória. Nascida em Kyoto, no Japão, e radicada em São Paulo desde os anos 30, ela vinha desenvolvendo uma obra que já se espraiava para além da figuração. De olhos tampados quase o tempo todo ? em alguns momentos, retirava a venda, olhava o resultado e, novamente sem enxergar, retomava a pintura ?, criou cerca de quarenta peças para essa série. Dedicado a estudos sobre a artista há mais de quinze anos, o crítico e curador Paulo Herkenhoff garimpou esses trabalhos em instituições e coleções particulares. Vinte e três belos exemplares estão reunidos na exposição Pinturas Cegas, em cartaz no Museu de Arte do Rio. Surgidas entre 1959 e 1962, as criações sem título trazem uma evanescente e elegante composição de pinceladas, em abordagem distinta daquela linha mais geométrica que Tomie vinha desenvolvendo até então. Observadas a distância, algumas ainda provocam um curioso efeito óptico, confundindo-se com mármore. Um trabalho de 2009, que evoca um olho, completa a seleção da artista, que acaba de fazer 100 anos e é reconhecida como um dos maiores nomes do abstracionismo no país.

Museu de Arte do Rio. Praça Mauá, s/nº, Zona Portuária, ☎ 2203-1235. → Terça a domingo, 10h às 18h. R$ 8,00. Grátis às terças. Meia-entrada para estudantes de escolas particulares e universitários. De quarta a domingo, grátis para alunos e professores da rede pública, crianças de até 5 anos e pessoas com mais de 60 anos. Até 2 de fevereiro.

Fonte: VEJA RIO