Retrato da Semana

Fernandinho Beira-Mar vem ao Rio com megaoperação de segurança

Cumprindo pena centenária num presídio federal em Rondônia, o traficante esteve no Rio para ouvir novas condenações e mobilizou um esquema de segurança que envolveu 220 agentes policiais

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Fernandinho Beira-Mar
(Foto: Divulgação)

Na tarde da última quarta (13), os flashes espocaram intensamente nas salas do Tribunal de Justiça, no Centro. Lá estava, após bom tempo longe da cidade — ele cumpre pena em um presídio federal em Porto Velho, Rondônia —, o traficante de drogas Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar. Prestava depoimento sobre a acusação de ter matado quatro bandidos durante uma rebelião no presídio de Bangu 1, em 2002, e parecia tranquilo, jogando beijos para os parentes, muitas vezes sorrindo e, claro, alegando inocência. Já tinha 200 anos de pena, pegou mais 120. Vindo da Região Norte num avião da Polícia Federal, Beira-Mar saltou no Santos Dumont e, devidamente escoltado, de lá seguiu para o prédio do Fórum num helicóptero. O esquema de segurança montado para acompanhá-lo foi alvo de crítica tanto pelo custo, avaliado em 120  000 reais, como pelo risco da operação em si, ainda mais num tempo em que se tem o recurso das videoconferências. A visita do criminoso ilustre coincidiu com um momento delicado para a área de segurança da cidade. Favelas na região de Santa Teresa, Catumbi e Estácio (no caso, os morros da Coroa, de São Carlos, Fallet-Fogueteiro e da Mineira), todas com UPPs, têm sido palco de disputas entre traficantes ali estabelecidos. O confronto no Fallet deixou cinco mortos apenas no fim de semana, entre eles o jovem Diego Luniere, rapper que atuava em projetos sociais, vítima de uma bala perdida. Um retrato do descontrole na região foi revelado com a divulgação na terça (12), pelo jornal O Estado de S. Paulo, de gravações em que policiais que se comunicavam por rádio mostram-se surpreendidos pelo deslocamento de 100 indivíduos “fortemente armados” em direção ao Morro da Coroa, saídos de uma favela vizinha. Com ou sem Beira-Mar, a guerra ainda está longe de ter fim.

Fonte: VEJA RIO