EDIÇÃO DA SEMANA

Retrato da semana - Os limites da arte

Festa de alunos da UFF no câmpus de Rio das Ostras, que tinha como tema ?corpo e resistência?, bomba na internet, gera interessante polêmica sobre o fazer artístico, mas acaba sendo alvo de investigação da PF

Por: Lula Branco Martins

Fotos reprodução da internet
(Foto: Redação Veja rio)

Reunidos na quarta (4), estudantes que participaram, em 28 de maio, de uma festa no câmpus da Universidade Federal Fluminense (UFF) na cidade litorânea de Rio das Ostras defenderam na reitoria a legitimidade do evento e o caráter artístico da performance. O assunto foi destaque, nesta semana, nas redes sociais e nos sites de notícias. Muito se questionou - é arte ou não é arte? - sobre a Xereca Satanik, cujas fotos bombaram na internet, mostrando vaginas sendo costuradas, gente sangrando, crânios humanos servindo de cenário e mulheres com os seios de fora. Não só alunos vêm se manifestando a favor do ato (que tinha como pano de fundo um protesto contra a violência a mulheres que grassa na Região dos Lagos), como também professores. "Causa-nos espanto o grau de estranheza e criminalização com que a performance e a universidade vêm sendo tratadas nos últimos dias. Por ser um espaço de experimentação de linguagens e reflexão, com seus evidentes riscos de choque à moral e ao senso comum, é na universidade que devem ser estimulados os debates, e negados quaisquer vícios de censura", escreveu na internet Daniel Caetano, do Departamento de Artes e Estudos Culturais. Foi de mau gosto? Certamente. Houve exageros? É possível. Mas utilizar-se do corpo e questionar seus limites pode ser, sim, uma forma de arte, das mais provocativas e instigantes - o evento integra o curso de produção cultural, parte de uma disciplina cujo tema é "corpo e resistência". Contou, inclusive, com seminários e discussões acaloradas em sala de aula, tendo como ápice a tal apresentação de um coletivo de alunos. É evidente que a questão, não menos importante, do suposto consumo de drogas durante o evento e as denúncias de atentado ao pudor também devem ser apuradas. Nesse sentido, agentes da Polícia Federal e a própria UFF já estão atuando. Perfeito. Mas que se deixe a arte livre e em paz.

Fonte: VEJA RIO