COTIDIANO

José Júnior

Mesmo com os tiros na sede do AfroReggae, o coordenador da ONG não desistiu de seus projetos, levando cultura a jovens de favelas ainda sob o domínio do tráfico

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Fernando Lemos
(Foto: Redação Veja rio)

Líder do grupo cultural AfroReggae, José Júnior viu-se no olho do furacão em 2013. Justamente no ano em que a ONG comemora duas décadas de atuação em zonas de conflito e áreas ainda dominadas por traficantes, ele sofreu uma série de pressões e esteve no meio de tiroteios ? não é linguagem figurada. A primeira crise foi em maio, durante o Desafio da Paz, que ele ajudava a organizar no Complexo do Alemão. Atirando para cima, a esmo, bandidos atrasaram o início da corrida, levando temor aos participantes. O pior, no entanto, viria três meses depois, quando o prédio do AfroReggae da Vila Cruzeiro foi alvo de uma saraivada de balas. Júnior chegou a falar em fechar a sede, mas voltou atrás. Sem ligar muito para a suposta condição de ?homem marcado para morrer?, hoje ele só circula pela cidade escoltado por seguranças. E segue divulgando seus preceitos em palestras Brasil afora e, especialmente, na TV: agora prepara um reality show sobre o Caminho de Abraão, percorrendo áreas conflagradas do Iraque a Israel, programa que deve se juntar aos já consagrados Conexões Urbanas, Papo de Polícia e Paixão Bandida. Aos 45 anos, mantém-se como um símbolo no que se refere a ações sociais em favelas, mesmo após as intempéries de 2013. Por ter superado este ano difícil, merece o prêmio. E a categoria não poderia ser outra: ele é mesmo um cara especial.

Fonte: VEJA RIO