Eleições

Principais candidatos ao governo do Rio apresentam suas propostas

Os cinco candidatos mais bem colocados na disputa pelo governo do estado do Rio de Janeiro apresentam suas propostas nas áreas de educação, segurança, saúde e transporte

Por: Sofia Cerqueira e Ernesto neves - Atualizado em

A corrida eleitoral entre os cinco principais candidatos ao governo do Rio
(Foto: Kacio Pacheco)

O próximo ocupante do Palácio Guanabara tem uma missão árdua pela frente. Ele precisa garantir que a recuperação social e econômica ensaiada nos últimos anos se consolide e avance em setores em que isso ainda não aconteceu. Os indicadores de pujança são claros. A receita com ICMS aumentou em 6,6 bilhões de reais entre 2011 e 2013 — de 25 bilhões para 31,6 bilhões. No mesmo período, o orçamento passou de 56,5 bilhões para 83,7 bilhões, um salto de 48%. As contas públicas, entretanto, encontram-se desequilibradas. No ano passado, a diferença entre as receitas e as despesas do estado, sem considerar aportes externos como empréstimos, ficou em 4,7 bilhões de reais.Esse é o cenário financeiro que serve como pano de fundo para uma realidade de contrastes nos quatro setores que concentram o maior volume das verbas públicas — educação, segurança, saúde e transporte, respectivamente. No próximo dia 5, os 12 milhões de eleitores fluminenses, 4,8 milhões na capital, escolherão seu novo governador. Segundo a última pesquisa do Ibope, divulgada na terça-feira passada (23), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) lidera as preferências, com 29% das intenções de voto. O ex-governador Anthony Garotinho (PR) vem em segundo, com 26%, seguido dos senadores Marcelo Crivella (PRB), 17%, e Lindberg Farias (PT), 8%. Em quinto, está o professor Tarcísio Motta (PSOL), com 2%. Nas próximas páginas, esses cinco candidatos expõem as iniciativas que pretendem adotar em cada uma das quatro áreas estratégicas da administração pública. Cabe a você, eleitor, escolher o melhor.

Policiais com crianças na UPP do Complexo  do Alemão: o sistema precisa ser aperfeiçoado
(Foto: Bruno Itan)

É consenso que a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foi um grande avanço na área de segurança do Rio, a ponto de sua manutenção ser unanimidade entre os candidatos. O projeto, que já contempla 38 comunidades, no entanto, precisa ser expandido e aperfeiçoado. Os seguidos ataques de bandidos a policiais dessas unidades, sobretudo no Complexo do Alemão, expuseram as dificuldades que o sistema ainda enfrenta. Ao mesmo tempo, é necessário investir na formação e no treinamento de praças e oficiais como forma de tornar mais eficaz a ação nessas áreas e aproximar a PM da população local. Além de coibir abusos praticados por policiais, o novo governo precisa concluir a complexa tarefa de livrar a instituição de elementos corruptos. Isso é  essencial para recuperar a imagem de uma corporação desgastada por sucessivos malfeitos praticados por parte de seus membros.  

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segurança
(Foto: Veja Rio)
Escola na  Zona Oeste: recuperação  no ranking  e déficit de professores
(Foto: Bruno Itan)

Não há dúvidas de que a educação deverá demandar atenção contínua do governador eleito. Depois de anos amargando posições vergonhosas no ranking de avaliação do governo federal, a rede estadual de ensino do Rio obteve a terceira melhor nota (3,66) no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013/2014, divulgado no início do mês. Há quatro anos, os alunos do ensino médio do estado só conseguiram tirar notas mais altas do que os do Piauí, ficando em 26º lugar. Apesar da melhora, ainda há muito que fazer pela rede de ensino. A qualificação e a melhor remuneração do corpo docente estão entre as necessidades prementes. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União, em parceria com outros 28 tribunais estaduais, divulgada em março, mostrou que o Rio é o sétimo estado com o maior déficit de professores. Segundo o estudo, faltam 1 624 docentes em sua rede de ensino. A disciplina com a situação mais crítica é física, com a carência de 692 professores. O próximo mandatário também vai ter de lidar com o anseio por melhores salários da categoria. Só neste ano, os professores do estado passaram 47 dias de braços cruzados reivindicando um aumento de 20%.

Confira as principais frases do debate entre os candidatos ao governo

Educação
(Foto: Veja Rio)
Estação do metrô no Maracanã:  o desafio  é vencer a ineficiência do sistema
(Foto: Divulgação)

Uma pesquisa recente revelou que a capital do estado já tem o terceiro pior trânsito do mundo, atrás de Moscou e Istambul. Em grande parte, isso se deve a um sistema de transporte público caro, sucateado e ineficiente. Ao estado cabem a ampliação e a supervisão da gestão dos sistemas metroviário, ferroviário e de barcas, operados por concessionárias privadas. Com essas atribuições, o novo ocupante do Palácio Guanabara terá de enfrentar problemas que vão de críticas ao custo da travessia marítima entre Rio e Niterói à qualidade do serviço prestado pela SuperVia nas linhas ferroviárias de subúrbio. Com trens sucateados e um sistema de operação ultrapassado, a rede é foco de crises, como a que se seguiu a um descarrilamento no início do ano e levou a uma interrupção da circulação por treze horas no trajeto Central do Brasil-Saracuruna. Milhares de passageiros se viram obrigados a caminhar pelos trilhos. Críticas à operação do metrô do Rio também são frequentes. Depois de anos estagnado, o sistema passa por uma expansão em direção à Barra, a ser inaugurada na próxima gestão, mas teme-se que com a configuração em uma única linha a superlotação das composições se agrave.

Transporte
(Foto: Veja Rio)

 

Unidade  de Pronto Atendimento  na Rocinha: investimentos escassos no setor
(Foto: Divulgação)

Longas filas, má qualidade no atendimento e carência de médicos e equipamentos são problemas recorrentes na rede estadual de saúde. Esse cenário é resultado, sobretudo, da escassez de recursos destinados ao setor. Embora seja o segundo estado mais rico do país, o Rio está na lanterna em atenção aos hospitais e em programas voltados para o combate a doenças. De acordo com pesquisa do IBGE divulgada em março, o estado é a unidade da federação que dedicou a menor fatia de seu orçamento aos gastos com saúde, que somaram apenas 7%. A lei obriga a um repasse mínimo de 12%. A crise no setor tem ainda outros números desoladores: só em 2013, segundo o Ministério Público Estadual, 209 pacientes morreram à espera de leito em UTIs e enfermarias especializadas. Outro levantamento, neste caso do Conselho Federal de Medicina, mostrou que, entre janeiro de 2010 e julho de 2013, o Rio perdeu 4 621 leitos hospitalares. O próximo governador ainda enfrentará a questão da superlotação e falta de insumos nas UPAs, criadas para desafogar as portas das emergências dos hospitais, e a polêmica em torno do sistema de organizações sociais (OS), que terceiriza a gestão de unidades hospitalares.

Saúde
(Foto: Veja Rio)

 

Fonte: VEJA RIO