TRANSPORTES

Um gigante subterrâneo

O equipamento alemão que vai perfurar o metrô de Ipanema à Gávea impressiona pela dimensão e tecnologia utilizada

Por: Ernesto Neves - Atualizado em

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(Foto: Veja Rio)

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Promessa de dias melhores para quem precisa se deslocar entre a Barra e o Centro, a Linha 4 do metrô vai entrar numa fase decisiva. A perfuração da rede de túneis chega em breve ao trecho mais complexo, entre Ipanema e a Gávea. Para vencer a distância entre os dois bairros será usada uma máquina que impressiona por sua dimensão e tecnologia. Trata-se do tunnel boring machine, conhecido como tatuzão. Comprado pelo governo estadual por 100 milhões de reais de uma empresa alemã, o equipamento será utilizado pela primeira vez no Rio. Trazidas da Europa de navio, as 120 peças do escavador desembarcaram por aqui em março. No momento, o tatuzão encontra-se na fase inicial de montagem. Ao longo deste mês seus módulos serão transportados até o canteiro de obras, no subsolo da Praça General Osório. Depois que todos os seus pedaços forem encaixados, ele será testado ao longo de setembro, com previsão de entrar em operação no mês seguinte. "É um método largamente empregado em metrópoles americanas e europeias. O túnel sob o Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, foi feito assim", revela o engenheiro Alexandre Mahfuz, responsável pela coordenação do aparelho.

As ordens de grandeza da máquina são assombrosas. Com 120 metros de comprimento e altura equivalente à de um prédio de quatro andares, é o maior exemplar já utilizado na América Latina (veja o quadro). Para atuar no complicado subterrâneo carioca, o equipamento teve de ser construído com certas especificações. É dotado de dois sistemas de perfuração, um para terreno arenoso e o outro capaz de destruir rochas. Ao contrário do método tradicional, o tatuzão não faz uso de explosivos. Sua capacidade de escavar galerias sem causar transtorno à superfície é considerada fundamental para esse trecho da Zona Sul, densamente ocupado e situado sobre frágil solo poroso. Em paralelo à escavação, a máquina conta com um sistema que instala automaticamente anéis de concreto ao longo do túnel, a fim de dar-lhe sustentação. Para evitar a movimentação do terreno durante o processo, a parte frontal do aparelho, onde fica a roda de corte, dispõe de alta pressão. Assim, tal qual acontece em submarinos, os operadores que trabalham nesse setor precisam passar por uma câmara hiperbárica na transição entre os ambientes. Quem caminhar por Ipanema e pelo Leblon nos próximos meses não deverá nem notar, mas os subterrâneos dos dois bairros terão movimentação de operários, engenheiros e equipamentos quase tão frenética quanto as ruas da região.

Fonte: VEJA RIO