Cidade

Impasse sobre trajeto pode atrasar obras do metrô

MP pede paralisação de obras baseado em documento feito por associações de moradores

Por: Ernesto Neves - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

A expansão do metrô rumo ao bairro da Barra da Tijuca pode ser paralisada ainda esta semana. O Ministério Público do estado vai entrar com uma ação civil pública para interromper as escavações, feitas de Ipanema rumo ao bairro da Zona Oeste. A ação tem como base um relatório do movimento "O Metrô que o Rio precisa", assinado por 16 associações de moradores e o engenheiro Fernando Mac Dowell, que trabalhou na construção da Linha 1, nos anos 70.

O impasse pode atrasar a inauguração da Linha, prometida como solução para aliviar o trânsito caótico entre a Zona Sul e a Oeste. Segundo as associações dos bairros que estão no trajeto, a melhor opção seria manter o traçado original. Nele, a conexão entre a nova linha e a já existente seria feita por uma estação na Gávea. Construída em dois níveis, ela seria a melhor solução para absorver fluxo intenso de pessoas. Dali, as composições seguiriam pelo Jardim Botânico e Humaitá até o Centro, numa linha independente ao atual sistema. As associações argumentam que tal traçado não comprometeria ainda mais a capacidade da Linha 1, que opera sobrecarregada. Em junho, a VEJA Rio mostrou o caos instalado nos transportes sobre trilhos, que incluem interrupções no tráfego constantes e vagões superlotados.

O governo do estado defende o trajeto que está em construção. Nele, a Linha 4 se cruza com a 1 na estação General Osório, em Ipanema. De lá, o metrô segue nos bairros da orla, passando por Leblon e São Conrado antes de chegar à Barra. E os passageiros que vierem da Zona Oeste seguirão para a região central pelo traçado já existente. De acordo com a secretaria estadual de transportes, a mudança beneficia 240 mil pessoas a mais do que a outra opção.

As metrópoles que mais investiram no transporte subterrâneo seguem na direção oposta ao Rio. Em Paris, Nova York e Moscou, as linhas foram construídas em verdadeiras redes, que se conectam em algumas estações (Veja o infográfico abaixo). Para cruzar essas cidades, o usuário passa por várias linhas, o que economiza tempo e não sobrecarrega o sistema. Na versão carioca, quem quiser ir da Pavuna para a Barra precisará seguir por um eixo único, parando em todas as estações da Linha 1 até chegar ao destino final.

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(Foto: Redação Veja rio)

Outro problema criado pelo trajeto imposto pelo governo estadual será a interdição da estação General Osório. Como não foi construída para ser uma estação de transferência, ela precisará ser fechada para as obras de ampliação. "O metrô, por sua complexidade e custos elevados, não admite erros", disse o engenheiro Fernando Mac Dowell em entrevista dada à VEJA Rio em agosto. Fernando também criticou o início das obras antes que se saiba que local da Gávea abrigará a estação. Para piorar a situação, o cronograma está apertado. A previsão inicial é de que todo o sistema estaria pronto em dezembro de 2015. Mas o secretário estadual de transportes, Júlio Lopes, admitiu que dificilmente a estação Gávea ficará pronta na data prevista.

Além do metrô, outras obras prometidas para a Copa e as Olímpiadas podem estourar o cronograma. Confira quais são elas aqui.

Fonte: VEJA RIO