MEMÓRIA DA CIDADE

Intriga internacional

Livro conta a história, pouco conhecida, dos jornalistas e comerciantes chineses que, tidos como agentes do comunismo, foram presos no Rio em 1964

Por: Lula Branco Martins

Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Contando uma história, pouco divulgada, sobre o maior incidente diplomático envolvendo Brasil e China no regime militar, O Caso dos Nove Chineses, recém-­lançado pela Objetiva, revela o grau de paranoia que costumava mover algumas ações da ditadura. O presidente João Goulart tinha visitado aquele país em 1961, e a partir de então veio o temor de que por aqui fosse instalado um projeto socialista ? assim, a partir de 1964, qualquer grupo de orientais andando na rua era visto como perigoso, na ótica dos agentes da repressão. No livro, Murilo Fiuza de Melo e Ciça Guedes mostram como uma ação desastrada de órgãos militares acabou transformando pessoas comuns em "heróis de Mao Tsé-tung": jornalistas e comerciantes chineses em missão legal foram presos e torturados sob a suspeita de serem "agentes internacionais instalados no Brasil para disseminar o comunismo". O apartamento que ocupavam no Flamengo (foto) foi invadido por homens do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), e só um ano depois eles seriam soltos, mas logo expulsos do território nacional, conduzidos pela polícia até o embarque, no Galeão. O caso adiou a aproximação entre os dois países, o que só viria a se dar em 1974.

Acervo Nacional/Acervo Correio da Manhã (foto principal), Arquivo público do Estado do RJ -APERJ (retratos)
(Foto: Redação Veja rio)

Fonte: VEJA RIO