DE BRAÇOS ABERTOS

Ainda há esperança

Com multas mais altas e exigência de 40 horas semanais de trabalho, as novas regras desagradaram muitos taxistas ? mas podem melhorar o serviço que eles prestam no Rio

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Divulgação / Riotur
(Foto: Redação Veja rio)

Você entra no carro e o motorista lhe dá bom dia. Pergunta se a temperatura do ar condicionado está boa e qual é o seu destino. Ele quer saber se você tem um caminho preferido. O pagamento pode ser feito com cartão - e você fica feliz ao sair do táxi sem se sentir enganado ou mal atendido.

Para os cariocas, isso soa como um sonho - ou um devaneio. Andar de táxi no Rio, e os turistas concordam, não costuma produzir experiências muito agradáveis. Pelo menos até agora. E uma das principais causas era a falta de controle da Prefeitura, que regulava a atuação dos taxistas com um código de 1970. Bem, as velhas regras foram atualizadas e as novidades, se cumpridas, podem melhorar um bocado a vida de quem vive aqui ou vem a passeio.

Em primeiro lugar, exigiu-se que os motoristas trabalhem ao menos 40 horas por semana, como qualquer outro profissional, aumentando a oferta de carros disponíveis. A Secretaria Municipal de Transportes, responsável pelas mudanças, passa a ter maior controle sobre os profissionais: quem quiser tirar uma semana de folga, por exemplo, deve avisar ao órgão.

GPS para todos

Todos os carros são obrigados a ter GPS, o que pode ser muito útil no planejamento de transportes da cidade se a Prefeitura - isso ainda será discutido - tiver acesso ao monitoramento dos automóveis assim como já tem dos ônibus, sabendo, dessa forma, quais regiões têm carência de táxi. Além disso, cada carro precisará ser trocado quando completar seis anos de fabricação - cinco anos, no caso dos táxis executivos -, o que deverá, a médio prazo, modernizar a frota.

Multas mais altas

"As infrações estão mais claras. Nos casos em que o taxista age de má fé, ele poderá, inclusive, ter sua permissão cassada", diz o secretário da pasta, Carlos Osório. As multas, nos casos de infração ao código, subiram: de R$ 26 a R$ 157 (variação anterior) para R$ 84 a R$ 625. Cada multa terá uma pontuação e o taxista que estourar o limite de vinte pontos por ano cumprirá suspensão de um mês, além de passar por uma reciclagem. A segurança do passageiro também deve aumentar com uma mudança simples: o taxista dono da permissão passa a ser responsável também pelos taxistas auxiliares. "Acho que, dessa forma, eles vão pensar duas vezes antes de escolher o auxiliar", diz o advogado Rodrigo Barros, que volta de táxi do Centro até Ipanema todas as noites.

E língua estrangeira?

Os turistas ainda precisarão de um pouco de paciência, pois o estudo de um idioma estrangeiro foi exigido apenas dos motoristas executivos - e, mesmo assim, somente um curso básico. A opção de pagamento em cartão também só e obrigatória para os táxis especiais. O que não deixa de ser um avanço para a cidade que, daqui a dois anos, será sede dos Jogos Olímpicos, com um fluxo de turistas crescente e de cariocas que desejam - e merecem - um serviço melhor.

Fonte: VEJA RIO