EXPOSIÇÕES

Milton Machado

Retrospectiva do artista no CCBB reúne cerca de 100 obras em técnicas variadas

Por: Rafael Teixeira

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Everton Ballardin/Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Arquiteto com mestrado em planejamento urbano e doutorado em artes visuais, músico amador, escritor, poeta, professor e palestrante, Milton Machado revela diversificação também em suas obras, como atesta de maneira eloquente a exposição Cabeça. Atração no CCBB, a mostra é um painel antológico da produção do artista carioca desde o fim dos anos 60. São mais de 100 criações, variadas a ponto de desnortear quem busca um traço comum a todas elas. A atenção do visitante é capturada já na rotunda, onde está a escultura Módulo de Destruição Atravessado por Nômade (2010-2014). Trata-se da união de duas peças distintas, dispostas lado a lado: uma espécie de jaula gigante, com 3,8 metros de altura, cuja sombra eventualmente incide - como se aprisionasse - sobre o segundo trabalho, um pedestal encimado por uma esfera negra. No 2º piso, o ecletismo de Machado se revela plenamente em pinturas, esculturas, fotografias, objetos, desenhos, instalações, vídeos e colagens. Ponto alto do acervo, as ilustrações, em sua maioria, demandam bastante tempo do observador. É o caso de Oslo (2011), desenho detalhado que sugere uma paisagem urbana fantástica. Uma das mais conhecidas de sua trajetória, 21 Formas de Amnésia: um Pequeno Museu Imaginário (1989) teve origem, curiosamente, em um desenho renegado pelo artista e cortado em 1?750 pedacinhos de 1 centímetro quadrado. A observação da imagem em cada um deles inspirou Machado a dar inusitados nomes a grupos de fragmentos, que podem ser contemplados pelo visitante com lupas.

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. → Quarta a segunda, 9h às 21h. Grátis. Até o dia 29.

Fonte: VEJA RIO