MODA

Marcas com sotaque carioca

Despojadas, coloridas, modernas ou sofisticadas, elas reproduzem o estilo e a alma da cidade. Veja dez grifes que são a cara do Rio

Por: Louise Peres - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Criar um produto, associá-lo a uma marca sólida e torná-la reconhecida pelo seu público não é uma tarefa fácil. A partir de terça (8), o Polo de Pensamento Contemporâneo (POP) inicia uma série de encontros sobre as estratégias envolvidas na construção da identidade de uma grife. Com curadoria de André Carvalhal, professor da FGV, publicitário e jornalista, o curso ?Criação de marca de moda? vai abordar as principais etapas desse processo. Além dele, outros profissionais que são referência no assunto participam como palestrantes, como o stylist José Camarano, o empresário Ricardo Brautigan e a estilista Alessandra Marins.

Segundo Carvalhal, o primeiro passo é a descobrir a vocação da marca. ?Ela é da noite? É urbana? É comercial ou conceitual? Essas perguntas ajudam a descobrir porque ela existe?, explica ele, que há cinco anos é gerente de marketing da Farm. A grife carioca, criada em 1997, é um exemplo entre poucas que conseguem se destacar de maneira tão autêntica entre tantas que surgem na cena fashion da cidade. Inspirados no tema, listamos dez grifes cuja essência é sinônimo do espírito e do estilo de vida do Rio.

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BLUE MAN

Na Ipanema dos anos 70, a grife surge pelas mãos do paraense David Azulay. Dois biquínis jeans que por acaso caíram em suas mãos, fizeram com que ele descobrisse a vocação para a moda praia. Mais rato das areias do que estilista, Azulay transformou jeans de segunda mão em peças que conquistaram o Rio e até a Rua Augusta, em São Paulo, no verão de 1971/72. Ao longo desses quarenta anos, a marca se consolidou como um ícone da moda praia carioca, com suas estampas tropicais inventivas e campanhas e desfiles que exploram a paisagem do Rio como cenário.

CANTÃO

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(Foto: Redação Veja rio)

Ao criar o Cantão, em 1967, o casal Leila Barreto e Peter Simon respondeu aos anseios de uma juventude ansiosa por novidades, por renovação. De sua primeira loja, aberta na Tijuca, a marca se expandiu para o resto da cidade e lançou hits que viraram objeto de desejo de gerações de mulheres: as mochilas jeans, agendas, as estampas, até hoje características da grife, e a febre do tênis que, de tanto sucesso, originou um spin-off: a Redley.

FARM

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(Foto: Redação Veja rio)

Um importante movimento da cena fashion carioca foi vitrine para o lançamento da Farm. Em 1997, na Babilônia Feira Hype, a criação de Marcello Barros e Katia Bastos deu seus primeiros passos. Somente dois anos depois, em 99, foi aberta a primeira loja da marca. Os anos 200 vieram para consolidá-la como uma grife jovem, descolada e antenada, traduzindo em peças a alma da garota da Zona Sul. A partir de 2005, inicia sua expansão pelo resto do país, levando a outros estados os looks que são sucesso no balneário carioca. Também marca presença no exterior, durante uma temporada de verão na Galeries Lafayette, em Paris.

GILSON MARTINS

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(Foto: Redação Veja rio)

Quando ainda era estudante da Escola de Belas Artes da UFRJ, em 1982, ele desmontou uma antiga mochila e replicou o modelo usando lona de praia como material. Ali começava a trajetória do designer que, após criar e produzir para grifes como Company, Shop 126, Fabricato e Cantão, foi incentivado pela curadora Sheila Lerner a transformar suas criações em obras de arte. Em 1993, criou as primeiras bolsas-escultura, expondo-as na Caixa Cultural. Dois anos depois, Gilson Martins lançou a linha Brasil, com peças decoradas e estruturadas usando elementos da bandeira nacional. Dali, o calçadão de Copacabana, o Pão de Açúcar, o Corcovado e outros cartões-postais da cidade inspiraram e se tornaram referência de seus trabalhos.

HAVAIANAS

As sandálias de borracha não são um produto originalmente carioca. Apesar de ter sido criado e fabricado pela São Paulo Alpargatas, trata-se de um patrimônio nacional. No entanto, é imediata a identificação do produto com o lado de cá da ponte aérea ? no Rio, até para ir ao shopping se usa Havaianas. Desde a década de 90, quando a marca passou por um reposicionamento e teve seu produto reformulado e incrementado ? com estampas, cores, modelos variados e até parcerias com grifes de luxo -, as sandálias se tornaram objeto de desejo em todo o mundo. Imagine-se numa praia carioca: provavelmente, no cenário idealizado, você também terá nos pés os famosos chinelos surgidos em 1962 e que, 50 anos depois, virou símbolo do estilo despojado e despreocupado de quem vive à beira-mar numa das cidades mais cobiçadas do planeta.

ISABELA CAPETO

Uma das estilistas mais representativas da nova geração da moda carioca, Isabela Capeto conquistou seu espaço com uma moda criativa, cuidadosa e artesanal. Antes de alçar voo solo, fez parte das equipes das grifes Maria Bonita, Maria Bonita Extra e Lenny. Abriu seu primeiro ateliê em 2003, na Gávea, partindo também para consultorias no exterior. Um ano depois mostrou suas criações no Fashion Rio, mas na temporada seguinte trocou as passarelas cariocas pelo São Paulo Fashion Week. A grife chamou atenção e foi comprada pela Inbrands, que detém as marcas SPFW, Fashion Rio, e Ellus. Isabela conseguiu, com suas criações descontraídas e cariocas, visibilidade global: tem peças nos EUA, França e até no Japão.

LENNY

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(Foto: Redação Veja rio)

A paulista chegou ao Rio em 1979. Ao procurar biquínis com modelagem comportadas, mas que conservassem o charme carioca, e voltar para casa de mãos vazias, Lenny comprou alguns quilos de lycra e contratou uma costureira. Da ideia, nasceu a pequena confecção, que em poucos anos venderia para grifes como Fiorucci, Bee e Richards. Em 95, decidiu criar sua própria marca, abrindo sua primeira loja em Ipanema. Com suas modelagens maiores e chiques, com forte presença de estampas geométricas, Lenny criou uma moda praia sofisticada, mas com a cara do Rio, que há vinte anos tem seu lugar marcante na cena fashion carioca.

OSKLEN

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(Foto: Redação Veja rio)

Uma das brasileiras mais bem sucedidas no exterior, a grife de Oskar Metsavaht procurar vender ao mundo um modo de vida tipicamente carioca. Não à toa o nome Osklen carrega consigo a expressão ?brazilian soul?. Felicidade, bem-estar e despojamento são os conceitos fundamentais do negócio iniciado por Metsavaht numa loja em Búzios, na região dos Lagos, no final da década de 80. Do sportswear, ele amplicou o portfolio para camisas, bermudas, tênis e, em 99, lançou uma coleção feminina. Com estilo esportivo sofisticado, mixa o tecnológico com o orgânico e aposta em materiais eco-friendly nas malhas, tricôs e linhos. A Osklen tem lojas no Estados Unidos, na Itália e no Japão, e já teve suas peças desfiladas por Madonna, Matthew McConaughey, Drew Barrymore e até o estilista Marc Jacobs.

SALINAS

A produção colorida, jovem e descontraída faz da Salinas um ícone quando o assunto é moda praia - traços de sua estilista, a carioca Jacqueline de Biase. Desde 1982, quando ela foi criada, Jacqueline é a responsável pelos desenhos, formas, cores e estampas que se tornaram marca da Salinas. De uma pequena fábrica em Santa Teresa, os biquínis, maiôs e saídas de praia confortáveis e multicoloridos ganharam um ponto fixo numa loja aberta em Ipanema. Conquistaram as cariocas, e as gringas também.

TOTEM

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(Foto: Redação Veja rio)

Após dois anos fornecendo para outras marcas, a Totem abriu suas portas em 1995. Apaixonado por cores e estampas fortes, o surfista Fred d'Orey abriu sua primeira loja em Ipanema, com uma linha praia masculina. Diante de muitos pedidos do público feminino, passou a oferecer também para as cariocas os desenhos exóticos e contrastantes que viraram marca da grife. O caminho tropical e cosmopolita seguido nas coleções, que sintetiza o espírito do Rio de Janeiro, fez da Totem uma referência na moda brasileira.

Polo de Pensamento Contemporâneo ? POP. Criação de marca de moda. Oito aulas, de 19h30 às 21h30. 08, 10, 15, 17, 22, 24, 29 e 31 de maio. Três parcelas de R$265.

Rua Conde Afonso Celso, 103, Jardim Botânico. 2286-3299/ 2286-3682. www.polodepensamento.com.br.

Fonte: VEJA RIO