COTIDIANO

O adversário mora ao lado

Pré-candidatos ao governo estadual, o senador Lindbergh Farias e o vice Luiz Fernando Pezão disputam os votos dos vizinhos no Leblon

Por: Caio Barretto Briso - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

O próximo governador do Rio de Janeiro só será escolhido em outubro do ano que vem, mediante o crivo de um colégio eleitoral em torno de 11 milhões de pessoas. No Leblon, porém, corre uma piada (com um fundo de verdade) em relação ao pleito: salvo uma reviravolta no quadro atual, o vencedor será um morador do bairro. Dois pré-candidatos que despontam como favoritos, o senador Lindbergh Farias (PT) e o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), pertencem à vizinhança que ostenta o metro quadrado mais caro da cidade. Rivais no sonho de comandar o Rio, eles moram a apenas duas quadras de distância um do outro: Pezão, na Rua Rainha Guilhermina, e seu oponente, na Rita Ludolf. Curiosamente, a via que separa os dois competidores é a Aristides Spínola, residência do atual governador, Sérgio Cabral.

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(Foto: Veja Rio)

Embora ainda seja cedo para conhecer em detalhes o projeto gestor de cada um deles, VEJA RIO fez uma pesquisa informal com 150 moradores do Leblon para saber qual dos dois desfruta maior popularidade por ali. Na enquete, sem amostragem científica, Pezão venceu por uma margem ra­zoá­vel: ficou com 45% das intenções de voto contra 37% do oponente. Apenas 18% preferem outros nomes, afirmam que vão votar em branco ou nulo, ou ainda não escolheram o candidato. Tamanha adesão tem explicação. Ambos fazem política ali mesmo, atuando como "ouvidores" da área. "Muita gente me procura pedindo ajuda, e atendo sempre que possível", diz o vice-governador, que mora com sua mulher, Maria Lúcia. "Eu me relaciono muito bem com todos aqui. Porteiros, garçons e empregadas domésticas me adoram", afirma o senador petista, que vive com Maria Antonia Goulart, sua cara-metade, e as filhas Beatriz, 2 anos, e Marina, 11 meses.

A julgar pelo entusiasmo com que falam da região que escolheram para morar, dificilmente eles vão optar ? no caso de vitória ? por se mudar para o Palácio Laranjeiras, o imponente imóvel que pertenceu à família Guinle e se tornou a residência oficial do governador fluminense. A dupla sabe aproveitar como poucos as virtudes do Leblon, que fica entre a Lagoa e o mar e dispõe de restaurantes de primeira linha (veja o quadro). Pezão é bom de garfo ? e de copo, como ele próprio admite. Seu roteiro gastronômico inclui o restaurante Quadrucci, a padaria Rio Lisboa e a delicatessen Talho Capixaba. Desde janeiro, no entanto, o local que ele mais frequenta é mesmo o calçadão. Por recomendação médica, caminha diariamente até o Arpoador, sempre sozinho e perto do amanhecer. Em seis meses conseguiu perder 18 quilos. Pai de duas filhas pequenas ? além do primogênito Luiz, de 17 anos ?, Lindbergh é adepto de uma programação mais voltada para o público infantil. Ele leva as meninas para brincar no Baixo Bebê e vai sempre à Livraria Argumento. Um de seus programas favoritos é almoçar no Nam Thai, restaurante tailandês que fica no território inimigo, na rua de Pezão.

O poder político já esteve fixado em diversos eixos da cidade. Do Paço Imperial, onde despachavam vice-reis e imperadores, aos palácios do Catete e Guanabara, os mandatários sempre optaram por imóveis majestosos para trabalhar. Para residir, porém, a escolha tem recaído em apartamentos na Zona Sul carioca, opção que fizeram Leonel Brizola (Copacabana), Moreira Franco (Lagoa) e Sérgio Cabral (Leblon). Bem adaptados ao bairro, tanto Lindbergh quanto Pezão se veem agora diante do desafio de conquistar o eleitor da capital. A força política do senador, paraibano de João Pessoa, está na Baixada Fluminense, onde foi prefeito de Nova Iguaçu em dois mandatos. Seu adversário fez carreira política no município de Piraí e é o articulador do governo no interior. "Lind­bergh será mais capaz de olhar o estado inteiro, e não apenas a capital", aposta a empresária Maria Elisa Lisboa. "Prefiro o Pezão, pela continuidade. Começar tudo de novo pode ser ruim", opina o engenheiro Paulo Cartaxo. No Leblon, com certeza, a corrida eleitoral já começou.

Fonte: VEJA RIO