Memória da Cidade

Livro sobre história da música reúne fotos antigas do Rio

Cliques de um acidente entre lotações e de maiôs de duas-peças estão em publicação sobre a parceria de Tom Jobim e Billy Blanco

Por: Lula Branco Martins

Acidente entre lotações
A confusão causada pela colisão de ônibus, em 1958 (Foto: José Medeiros/Acervo Instuto Moreira Salles)

Quem acha que batida de ônibus, curiosos parando no meio da rua para ver de perto como foi e o consequente trânsito truncado na via são coisas só de agora que repare na foto acima, de 1958. Ela registra um choque de dois lotações na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo. Essa imagem, assim como muitas outras que mostram a nossa cara nos meados do século XX, está no livro Sinfonia do Rio de Janeiro: 60 Anos de História Musical da Cidade, escrito pelo jornalista João Máximo e recém-lançado pela Papel & Tinta. Trata-se de um compêndio acerca da parceria de Tom Jobim e Billy Blanco, com 250 páginas sobre música, é claro (traz até um CD com a gravação original, de 1954), mas que revela, além dos bastidores do processo de composição, o cotidiano de um Rio pré-bossa e ainda capital do país. Assim, aparecem enfeitando os capítulos fotografias de antigos bondes, carros todos eles pretos numa Avenida Rio Branco de mão dupla, banhistas na praia vestindo maiô comportado, elegantes frequentadores do Jockey Club fazendo as suas apostas e, já em 1959, o vôlei na areia de Copacabana. Os compositores, especialmente Jobim (nas fotos do livro, bem jovem e com cabelos pretos e lisos), também mereceram uma galeria de imagens. Eles fizeram a peça, intitulada a princípio Rio de Janeiro: a Montanha, o Sol, o Mar, Sinfonia Popular em Tempo de Samba, em doze movimentos, com títulos como Descendo o Morro, Arpoador e Matei-me no Trabalho. Mas ela acabaria ficando conhecida apenas como Sinfonia do Rio.

Tom Jobim e Billy Blanco
Blanco e Jobim: a rotina carioca surge em obra sobre a Sinfonia do Rio, composta há sessenta anos pela dupla (Foto: José Medeiros/Acervo Instituto Moreira Salles)

Fonte: VEJA RIO