Memória da Cidade

Livro narra a história do Palácio Gustavo Capanema

Uma história romanceada sobre o prédio que abrigou o MEC, erguido nos anos 30

Por: Lula Branco Martins

Fachada do edifício
A fachada do edifício em 1946; um desenho do início do projeto; e o presidente Getúlio Vargas (o segundo, da esq. para a dir.) na inauguração: obra modernista (Foto: Divulgação)

 

Mais um livro lançado neste verão sob a chancela do Comitê Rio450 e com o símbolo da festa de aniversário na capa, Dezoito Graus, do arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti, é uma história romanceada sobre a construção do Palácio Gustavo Capanema, erguido nos anos 30 na Avenida Graça Aranha, no Centro. O prédio, feito para sediar o Ministério da Educação na Era Vargas, foi um marco da arquitetura moderna. Diferente de tudo o que se via até então no que diz respeito a um edifício de sua magnitude, catorze andares, ele não toca o solo: a base repousa sobre pilastras. Além disso, comporta uma grande área no térreo destinada ao paisagismo. Seu projeto misturou os talentos de brasileiros como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, e teve também a mão do suíço Charles-Édouard Jeanneret-Gris, ou Le Corbusier, que, segundo a versão de Cavalcanti, foi decisivo na questão de que as janelas ficassem todas elas voltadas para o mar. De uma de suas tiradas, aliás, vem o título do livro, editado pela Língua Geral: Corbusier acreditava ser justamente 18 graus a temperatura ideal num escritório. No romance, o poeta Carlos Drummond de Andrade conversa com Lúcio Costa e os dois zombam do comentário: “A temperatura não é, como quase tudo no mundo, um valor absoluto. Depende da relação com o exterior. Para um siberiano, 18 graus é tórrido. Para os cariocas, a verdadeira Sibéria”.

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(Foto: Reprodução)
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(Foto: Divulgação)

Fonte: VEJA RIO