Meu Estilo

com Lenny Niemeyer

Para a estilista, bebida gelada e boa mistura de convidados fazem o sucesso de uma festa

Por: Louise Peres - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Além de assinar biquínis e acessórios que há 20 anos representam com sofisticação e estilo a moda praia carioca no Brasil e no exterior, Lenny Niemeyer sabe receber como ninguém. Seja em um almoço trivial de domingo ou em uma de suas disputadíssimas festas pós-desfile, famosas por reunirem música boa, gente interessante e durarem até o dia amanhecer, ela gosta mesmo é de ver a casa cheia. Sem mistério, a estilista dá as dicas para organizar a festa perfeita.

Por que suas festas dão tão certo?

O segredo de uma boa festa é ter uma boa mistura de gente, não se prender a determinados grupos e trazer pessoas de fora. Receber com uma certa descontração, com bebida boa e gelada, boa comida e boa iluminação. E deixar os convidados super à vontade!

Como é o planejamento? Como você calcula as bebidas, por exemplo?

Como bebida não estraga, procuro sempre ter em estoque. Mas em geral calculo uma garrafa de champanhe por pessoa. Uísque e vodca, uma garrafa para cinco a seis pessoas. E tem a cervejinha, que sempre tem lá os seus adeptos. Em festas pós-desfiles, recebo muitos estrangeiros e gosto de oferecer caipirinha.

E a comida?

A comida é o de menos. Normalmente não misturo festa com jantar, faço uma mesa com coisas mais práticas. Garçom circulando com salgadinhos pelo meio da festa atrapalha o andamento! Mas é legal ter uma mesa, porque as pessoas bebem, né... é mais pra dar uma sustentada. Gosto de pôr um salmão, umas pastinhas, às vezes faço uma coisa toda árabe, uns sanduíches, um rosbife frio. Ou uma salada já bem cortada, que não exija faca e a pessoa não precise apoiar.

E quem está com o orçamento mais curto? O que essa pessoa deve privilegiar?

Se não tiver com muito dinheiro, é melhor fazer uma festa menor, pra menos gente, e investir mais para oferecer uma coisa de qualidade. Se servir cerveja, que seja bem gelada! Olha que delícia, uma festa só com cerveja? Não tem problema nenhum! Whisky, champagne, são totalmente dispensáveis. E decoração também. Dá pra fazer uma coisa simples, umas velas, uma iluminação legal no ambiente... Se for em casa, nem precisa mudar muito. E boa música, que é muito importante. Tem que equilibrar, reservar ambiente pra dançar e ambiente pra conversar. Se o espaço for pequeno, precisa dosar o volume na medida, e com a música certa ? lounge no começo, e ir agitando aos poucos.

Alguma festa sua deu errado? Ou alguma coisa não saiu como você planejava?

A porta! Sempre dá problema. A gente já pôs catraca, seguranças, mas não adianta: sempre tem gente que sai chateada, que queria entrar... Mas isso é uma coisa bem brasileira: as pessoas são convidadas e acham que podem levar mais três, quatro pessoas. Não me incomodo nem um pouco; adoro receber pessoas novas - desde que caiba. Na festa da Wallpaper (Lenny organizou uma festa para Tony Chambers, editor da revista inglesa, em março de 2010), por exemplo, era o dia mais quente do ano, um calor insuportável, e o ar condicionado não deu conta. Era algo que a gente não podia prever, eu não imaginava que ia aparecer tanta gente. Então na festa da Herrera (Carolina Herrera, estilista venezuelana, homenageada com uma festa na casa de Lenny em outubro) começamos pelo que deu errado: preparamos uma estrutura que garantisse um ambiente agradável, com gerador e ar condicionado mais potente.

E qual foi a festa mais legal? Você conseguiria escolher uma que tenha sido memorável?

Ai, foram tantas... Mas teve uma de Réveillon, há uns quatro anos atrás, que foi o máximo! Eu nunca estou no Rio nessa época, mas nesse ano acabei ficando aqui e decidi organizar uma coisa lá em casa. Fui chamando as pessoas. ?Vai ficar no Rio? Passa lá em casa!?. Foi uma loucura, porque eu perdi o controle de quantas pessoas iam aparecer lá, não sabia se 100 ou 300! Mas o melhor foi quando, no fim da tarde, no meio dos preparativos, uma confusão danada de gente entrando e saindo e eu lá, fazendo a unha dos pés, quando de repente entra uma mulher desconhecida, super bem arrumada, e me diz: ?olha, com licença... você não me conhece, mas eu sou sua vizinha, moro aqui na Lagoa. E eu tenho um filho lindo! Tenho certeza que ele vai fazer toda a diferença na sua festa! Não precisa me responder agora. Toma aqui o meu cartão, se você resolver é só me ligar. A gente a-do-ra-ria vir à sua festa!?. Eu não retornei, né... (risos).

E a festa?

Ah, a festa foi ótima! Realmente deu muita gente, mas aconteceu em vários turnos. As pessoas vinham de outros lugares e passavam lá depois da virada, de manhã, praticamente... Um monte de gente querida, uma delícia.

Algum exemplo de festa que tenha sido um fracasso? Ou que você tenha pensado: ?é, essa festa não precisava ter acontecido??

Uma vez uma amiga pediu que eu organizasse uma festa para um estilista italiano (famoso, florentino), uma coisa que depois eu vi que não tinha mesmo nada a ver eu fazer. Foi uma coisa super em cima da hora, de um dia pro outro. Era uma terça à noite, marcamos para umas 21h, um jantar mais descontraído. Preparei tudo, chamei as pessoas e... ele chega às duas da manhã, super mal acompanhado. Acho que foi a única vez que realmente me tirou do sério. A sorte é que as pessoas eram muito amigas e em três minutos nós já tínhamos esquecido que a festa era pra ele (risos). Uma outra vez foi uma banda de música ? que eu nem posso dizer o nome porque não me lembro ? que me pediu para organizar uma festa com uma área vip. Pelo amor de Deus, né? A Carolina Herrera, uma mulher incrível, elegante, super simples, circulou, falou com todo mundo... não teve isso.

E como é a escolha dos seus convidados?

Eu convivo com muita gente. Tem pessoas ligadas ao trabalho, ao meu dia a dia, amigos dos meus filhos... Quando faço uma festa, englobo tudo isso. Um final de semana desses, por exemplo, meu almoço era a coisa mais eclética que você pode imaginar: tinha o embaixador do Canadá, o fotógrafo da National Geographic, gente que eu vou convidando mais informalmente e que se juntam aos meus amigos, que eu acabo conseguindo ver mesmo no final de semana. Digo: ?aparece lá em casa domingo!?. Quando eu vi eram umas 35 pessoas na minha casa! Esses almoços são mais informais mesmo. Mas em festa é uma mistura disso tudo.

Já aconteceu de gente que não se dá bem acabar se esbarrando em uma das suas festas?

Claro que acontece isso, a gente até prevê que vá acontecer. Um casal que namorou, ou que foi casado por muito tempo, e que se separou, por exemplo. Não existe isso de convidar um e não convidar o outro, ou de avisar a um que o outro vai. Parece que você não quer que a pessoa vá. É todo mundo convidado! A pessoa já era minha amiga, não vou deixar de chamar. Não dá pra descartar as pessoas assim. Ainda mais em festa grande, em que você consegue às vezes nem cruzar com a pessoa.

Mas já rolou alguma situação chata, um mal estar por conta disso?

Ah, já... Já rolaram briguinhas, bate-boca, uma pessoa se estressa com a outra, mas isso a gente disfarça e tenta contornar. Na verdade as pessoas não devem fazer isso, né? Se alguma coisa incomoda, não dá pra brigar na casa dos outros. Tem que ter bom senso. Mas nem sempre as pessoas se retiram...

Entre se despedir e sair à francesa, você já disse que prefere a segunda opção. Por que?

Acho chato me despedir, parece que eu estou anunciando o fim da festa. Não gosto de ver o dia clarear, mas gosto que as festas durem até o sol nascer. E quando saio, a coisa já tá no embalo: já recebi todo mundo, já falei com todo mundo, e deixo sempre alguém me representando ? filho, namorado, amigo. O meu barato mesmo é a preparação. Não saio dali para me arrumar enquanto não checar se tudo está acertado. Pra mim, a festa começa muito antes.

Suas festas em uma frase?

Pura alegria!

Fonte: VEJA RIO