EDIÇÃO DA SEMANA

Histórias Cariocas

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Urca disfarçada de Gávea

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(Foto: Redação Veja rio)

Encerram-se no mês que vem as filmagens de O Crime da Gávea, de André War­war, jovem diretor da Globo, com roteiro assinado pelo experiente novelista Marcílio Moraes, da Record. A parceria dos profissionais de emissoras concorrentes dará num thriller, protagonizado por Simone Spoladore, com foco no misticismo que gira em torno da Pedra da Gávea ? há quem diga que foi esculpida por fenícios; outros, mais viajantes, asseguram que se trata de um platô fincado há milênios por extraterrestres. A produção deparou com um problema: uma das cenas remeterá às famosas fendas da rocha, mas na verdade não será filmada ali. Como o lugar é muito alto (a 800 metros do chão) e perigoso, a equipe procurou fendas parecidas em outras partes do relevo carioca, encontrando-as no Morro da Urca. Garante-se que na edição final esse truque quase não será notado.

Entre as passarelas, a sala do pão

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(Foto: Redação Veja rio)

A atriz Ísis Valverde vai vestir TNG e a modelo Izabel Goulart estará de Cia.Marítima. Serão certamente duas das atrações mais concorridas da 21ª edição do Fashion Rio, a partir de terça (22), no Jockey Club, na Gávea. Mas nem todos os olhos estarão voltados para as passarelas. No lounge da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (acima), o papo será outro: pão. E isso nada tem a ver com ?pão? no velho sentido de ?homem bonito?, como os modelos que vão desfilar ali perto. É que naquele salão será realizado, correndo paralelo ao evento principal, um encontro entre donos de confeitarias e padarias. A sala terá decoração que remete aos Jogos de 2016, com aros olímpicos estilizados e palavras como ?superação? e ?competência? enfeitando as paredes.Já reparou que a Lagoa é um coração?

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(Foto: Redação Veja rio)

Ainda circulando em versão impressa e com vendas diárias na casa dos 100?000 exemplares, o Jornal do Brasil publicava, em 1998, uma série de fotos de Marco Terranova em que a Lagoa Rodrigo de Freitas, num registro feito de helicóptero e sob determinado ângulo, apresentava contorno semelhante ao de um coração. Na época gerou polêmica, pois muitos leitores simplesmente não conseguiram enxergar na imagem o símbolo que o fotógrafo quis mostrar. Inspirada nessa e em outras tomadas aéreas do local, a designer Tatiana Zaharoff criou um anel de ouro branco e sodalita, pedra semipreciosa de tom azul-clarinho ? segundo a otimista artista plástica, essa é a cor das águas daquele ponto turístico. A joia se chama, claro, Lagoa, e foram fabricados só cinco exemplares, ao custo de 1?800 reais cada um.

Memória da cidade

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(Foto: Redação Veja rio)

Abril de 1939, sede de uma indústria farmacêutica na Rua Mem de Sá, centro pulsante da Lapa. O que faziam ali o poeta Carlos Drummond de Andrade e o romancista Graciliano Ramos (marcados na foto), sentados em volta da mesa, ao lado de outra meia dúzia de intelectuais? Eles eram os jurados do concurso de contos da revista Boa Nova, publicação bancada pelos Laboratórios Daudt ? por isso no centro está João Daudt Filho, o senhor mais rechonchudo, de óculos, que enriqueceu fabricando o xarope Bromil e o dentifrício Odol. Amante da cultura, investiu em projetos de artistas como Di Cavalcanti e escritores como Olavo Bilac. Sua empresa, hoje parceira de hospitais como o Instituto Nacional do Câncer, comemora 130 anos no mês que vem, com uma festança em Vassouras, interior do estado.

É tempo de camélia

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(Foto: Redação Veja rio)

Quando nasceu, no Alto da Boa Vista, há 71 anos, Álvaro tinha um sobrenome. Aliás, dois: Barros Moreira. Mas no fim da década de 50 comprou a Camélia Flores, no Centro. Fez tanto sucesso que passaria a ser chamado de Álvaro da Camélia ? o curioso é que essa planta nunca foi, nem de longe, a mais comercializada na loja, respondendo por apenas 5% do total das vendas. Raras no mercado e geralmente pintadas com anilina (no Rio, a versão que predomina na natureza é a branca), as camélias estão vivendo suas melhores semanas. Essa demanda ajuda a baixar os preços quase pela metade. Confira abaixo.

Quantas flores Álvaro já vendeu

20 milhões

Desse total, quantas eram camélias

1 milhão

Uma dúzia de camélias fora de época

160 reais

Preço na estação

90 reais

A melhor estação

maio/junho

Fonte: VEJA RIO