EDIÇÃO DA SEMANA

Histórias Cariocas

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Tecnologia digital na praia

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(Foto: Redação Veja rio)

Vai ficando para trás o tempo do panfleto de papel, geralmente rasgado segundos depois de distribuído e que ainda é jogado na areia, sujando a praia. Alguns restaurantes e bares da Barra vêm se valendo de tecnologia moderna para badalar seu nome junto aos frequentadores do trecho do Pepê. Agora munidas de tablets, belas funcionárias de estabelecimentos como o SporTV Point têm circulado entre as barracas, abordando a galera mais jovem. O cadastro é feito em um minuto, e dali mesmo os clientes já podem fazer reservas de mesa. O Posto 2 e as proximidades dos hotéis de luxo foram as áreas escolhidas para esta primeira fase da iniciativa, um serviço bolado pela agência de consultoria digital EVO, que começou há dez dias e vai até a semana que vem. Na foto é Fernanda Gussen, uma tijucana de 26 anos, quem anota os dados dos banhistas.

Casamento sem degraus

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(Foto: Redação Veja rio)

Casa de festa que desde os anos 90 é palco de casamentos de luxo, a Lajedo, em Vargem Pequena, vem se especializando na inclusão de pessoas com necessidades especiais. Na última reforma, adaptou os toaletes e eliminou degraus ? lá tudo é plano, como mostra este panorama de sua piscina principal. Além disso, a partir do mês que vem os noivos ou noivas cadeirantes terão à sua disposição carrinhos de golfe para entrar no tapete vermelho. Para isso, um muro decorativo acabou de ser derrubado, pois impedia o caminho natural do veículo, que teria de fazer uma curva acentuada. Tanto zelo e mordomia têm seu preço: uma cerimônia de matrimônio ali custa, para qualquer tipo de casal, 70?000 reais em média.

Uma ode à melancolia

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(Foto: Redação Veja rio)

Estavam dez amigos no bar Aurora, em Botafogo, na semana passada, quando tiveram uma ideia: criar uma roda de samba dedicada a canções tristes, também diferente por ter um instrumento só: um surdo. Intitularam-se Melancobloco e ficaram de se encontrar na terça-feira gorda (21) em algum lugar ainda não definido da orla. O hino da turma é aquele clássico de Caetano Veloso: "A tristeza é senhora / desde que o samba é samba é assim". Dessa maneira, só entram no repertório canções melancólicas, de sofrimento ou de dor. Os líderes se dizem contra a baianização, o oba-oba musical e a alegria exagerada que, segundo eles, tomaram conta do Rio nos últimos carnavais. Estão ensaiando Luz Negra, de Nelson Cavaquinho, e Filosofia, de Noel Rosa. O patrono do grupo é o escritor francês nascido na Argélia Albert Camus, existencialista, portanto tristérrimo. E o símbolo deles, uma lágrima.

Palestras musicadas

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(Foto: Redação Veja rio)

Com show de Gal Costa, será aberta no dia 22 de março a casa de espetáculos Miranda, na Lagoa, dentro do complexo Lagoon. O pequeno palco, de 36 metros quadrados, também servirá para acalorados colóquios sobre personagens, temas e histórias da MPB, com palestrantes como Miguel Falabella, Ruy Castro e José Miguel Wisnik. Nesta "casa do saber da música", os encontros se darão sempre às terças, para cerca de 200 espectadores ? que pagarão um ingresso caro, 120 reais, mas que incluirá mini-shows com convidados especiais, uma espécie de "comentário musicado" ao que está sendo dito nos debates. Soraya Ravenle e Danilo Caymmi são alguns dos artistas que já confirmaram participação.

Memória da Cidade

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(Foto: Redação Veja rio)

A foto, de 1936, mostra a fachada da fábrica Moinho Fluminense, ainda hoje bastante preservada em suas formas originais, na Rua Sacadura Cabral, na Gamboa. Trata-se de uma construção em estilo eclético, com detalhes de arquitetura vitoriana e neoclássica. Foi ali, entre seus muros altos, que em 1939 surgiu o bloco Farinha no Saco e Samba no Pé, criado por operários mas que acabou também sendo frequentado pelos executivos da companhia. O nome, claro, era uma referência ao grão produzido e ensacado nas dependências do moinho ? fundado em 1887 e adquirido em 1914 pela Bunge, gigante americano do ramo alimentício. Histórias assim estão no site da Fundação Bunge, que aproveitou esta época de Momo para trazer à baila aquela farinhenta agremiação carnavalesca.

Fonte: VEJA RIO