EDIÇÃO DA SEMANA

Histórias Cariocas

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Visita guiada pela paz

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(Foto: Redação Veja rio)

Ter uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em pleno funcionamento vem servindo de senha para que vários bairros e comunidades carentes cariocas ganhem agências bancárias, lojas, cinemas e, agora, visitas guiadas também. Professores contratados pela empresa Rios de História passaram a levar, só depois da pacificação, grupos de turistas e curiosos a favelas como Dona Marta (acima) e Chapéu Mangueira. É o que chamam de ?tour social?, com no máximo vinte pessoas, em passeios que chegam a durar duas horas. O próximo passo do projeto, que começa no início de 2012, será o ?tour étnico?, focado na cultura negra, com circuito pelos arredores da Zona Portuária.

Paraíso dos golfinhos

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(Foto: Redação Veja rio)

O Arquipélago das Cagarras, distante 5 quilômetros do continente, e com visão frontal de quem frequenta o Posto Nove, em Ipanema, estará na pauta de um encontro promovido pelo projeto Ilhas do Rio, neste domingo (18), às 17 horas, no centro de visitantes da colônia de pescadores do Posto Seis, em Copacabana. A palestra, gratuita, será ministrada pela bióloga Liliane Lodi, que desde 2006 vem monitorando o vaivém de golfinhos na região. O evento conta com o patrocínio da Petrobras e é uma iniciativa da ONG Instituto Mar Adentro. Desabitadas e sem faixas de areia grandes o suficiente para constituir uma praia, em 2010 essas ilhas passaram a formar, oficialmente, uma unidade de conservação marinha, aliás a única do litoral da cidade.

Memória da Cidade

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(Foto: Redação Veja rio)

Escrito a seis mãos por Anna Maria Carvalho, Rosa Ribeiro e Cesar Tovar Silva, Memória da Arte Franciscana na Cidade do Rio de Janeiro, lançado há duas semanas, é o marco da etapa final do processo de revitalização do Convento de Santo Antônio, no Largo da Carioca ? obra iniciada em 2006, a ser concluída no ano que vem. A foto abaixo, que está na luxuosa publicação (capa dura e folhas de papel couchet brilhoso, com 27 centímetros de base e 31 de altura), foi tirada em 1921 por Augusto Malta e mostra uma parte até então intocada do Morro de Santo Antônio. O livro marca a estreia da editora Artway, dedicada à preservação da história do Rio.

O Rio na mira de um iPhone

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(Foto: Redação Veja rio)

Num 21 de abril (de 1500), Cabral descobriu o Brasil, num 21 de abril (de 2011) Ticiana Porto descobriu o Rio. Foi naquela data que a fotógrafa pernambucana deu início a uma peregrinação que só acabaria no mês passado: queria registrar belas paisagens cariocas, munida de um iPhone, sem rebatedor, sem tripé, sem mais nada. Surgiram dezenas de imagens, como este pôr do sol no Arpoador, agora reunidas no livro Ventura ? uma edição particular à venda na rede Travessa, por 70 reais. Para ela, um momento arriscado foi quando clicou de dentro das águas do mar. O mais difícil, trabalhar à noite. E o grande prazer, ver a cidade de cima, no Pão de Açúcar. ?Tive a sensação de estar voando?, diz Ticiana, que tem como referências na fotografia o brasileiro Sebastião Salgado e o francês Cartier-Bresson.

As palavras que vão passar na avenida

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(Foto: Redação Veja rio)

Aquela linguagem empolada dos sambas-enredo de antigamente vai, com o passar dos anos, dando vez a um versejar menos rebuscado, que procura usar palavras do dia a dia. A atual safra reforça essa tendência: nas treze composições, os substantivos que aparecem o maior número de vezes são ?samba?, ?amor? e ?emoção?, simples assim. E termos como ?miscigenação?, ?esplendor? e ?relicário? vão realmente caindo de cotação na avenida. O levantamento sobre as letras de 2012 foi feito pela estudante de jornalismo Beatriz Luiza Garcia, que aproveita as férias para participar do curso Formação de Julgadores de Desfile de Escola de Samba, realizado na Facha pelo Instituto do Carnaval. O desafio surgiu durante as aulas, e ela passou uma semana inteira ouvindo o CD até gastar, que é para não fazer conta errada. Os verbos e suas conjugações não foram considerados, apurando-se apenas os substantivos, fossem eles concretos ou abstratos.

Fonte: VEJA RIO