COTIDIANO

Parceria não autorizada

Conhece a nova do Roberto? Nem ele próprio sabe como é

Por: Lula Branco Martins

Tomás Rangel
(Foto: Redação Veja rio)

Gravada há dois meses, recebendo do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) a inscrição 10819220, Você Vai Perder Seu Bem tem como autores Vicente de Paula Aquino e Roberto Carlos Braga, esses seus nomes completos, que nos documentos da instituição aparecem vinculados aos respectivos CPFs. O primeiro, pseudônimo Vicente Telles, é um cantor de estilo brega. O segundo, já deu para notar, vem a ser Roberto Carlos, há meio século rei da música brasileira. Só que ele, em turnê no exterior, não está a par de nada disso ? pelo menos até agora.

Acervo pessoal
(Foto: Redação Veja rio)

Essa parceria não autorizada começou a nascer na década de 90, quando Vicente, futucando raridades numa feira de discos, deparou com uma fita-cassete contendo o áudio de um ensaio de Roberto. Em 1966, o então ídolo da Jovem Guarda repassa várias composições com a banda. E anuncia uma nova: "Essa não está acabada". Sem dizer o título, canta alguns versos de um iê-iê-iê romântico. A letra não está pronta ? em dado momento ele chega a improvisar um "ná-ná-ná". E parece que abandonaria para sempre aquele rock: nunca mais tocou, nunca mais se falou dele. Pois o que fez Vicente? Manteve o trechinho inicial e o completou, bolando uma segunda parte. Deixou a obra engavetada anos a fio, mas agora a registrou, gravou em CD e pôs no YouTube.

Há uma questão aí: Vicente foi honesto ao incluir Roberto como coautor (portanto dividindo possíveis lucros de execução) ou, justamente o contrário, não poderia, pela lei e pela ética, botar o nome do rei nessa parce­ria-frankenstein? Informado por VEJA RIO sobre o caso, o escritório que presta assessoria de imprensa a Roberto diz que, de fato, o rei jamais gravou Você Vai Perder Seu Bem, mas a teria registrado, ainda em 1966, como sendo sua e de Erasmo Carlos. O Ecad confirma a duplicidade de inscrição, e apura como resolver a pendenga. O fato é que, depois de uma luta, por enquanto vitoriosa mas que muito desgastou sua imagem, contra uma biografia não autorizada lançada em 2006, e após fazer parte, em 2013, da associação Procure Saber (sua atabalhoada participação naquele grupo de viés censório teria causado o esmorecimento da grita de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paula Lavigne), surge mais uma dor de cabeça para Roberto: um novo "parceiro", amigo de fé, irmão camarada, súper a fim de fazer sucesso.

Fonte: VEJA RIO