COPA NO RIO

A casa do Brasil

Com investimento em restaurantes, hotéis e infraestrutura, além da ampla reforma na Granja Comary, Teresópolis se prepara para receber a seleção

Por: Ernesto Neves - Atualizado em

Fernando lemos
(Foto: Redação Veja rio)

Encravada no acentuado relevo da Serra dos Órgãos, Teresópolis vive dias de euforia que destoam de sua tranquilidade habitual. Três anos após ser duramente afetado por temporais que resultaram na morte de 900 pessoas, o município de 167??000 habitantes e a 90 quilômetros do Rio prepara-­se para receber a seleção brasileira durante a Copa do Mundo. Por um período de quarenta dias, a contar de 26 de maio, os jogadores ficarão concentrados naquela cidade, com a expectativa de atrair 50?000 turistas. A eles se somarão ainda 500 jornalistas do mundo inteiro, destacados para fazer a cobertura da equipe anfitriã.

Complexo onde os atletas se concentram, a Granja Comary está na reta final das obras e deve ser reaberta no próximo mês. Orçada em 15 milhões de reais, a reforma reconfigurou o lugar, situado em um condomínio de mansões. Foram recuperados quatro campos de futebol, vestiários e piscinas. Já as suítes, consideradas anacrônicas para abrigar estrelas acostumadas aos maiores paparicos, tiveram de ser inteiramente refeitas. Antigos quartos compartilhados foram substituídos por 29 recintos individuais, com televisão e acesso à internet. Também estão em construção uma sala de cinema e outra de jogos eletrônicos, além de arquibancadas para jornalistas em torno do campo principal. Nas vias do entorno, ruas de paralelepípedo esburacadas agora exibem asfalto tinindo de novo. Cerca de 8?000 orquídeas foram plantadas para embelezar as ruas, e cursos de inglês são oferecidos a taxistas e comerciantes. Responsável por coordenar o planejamento para a Copa, o vice-prefeito Márcio Catão acredita que a cidade vive um momento único. "Vamos mostrar que o período ruim ficou para trás", acredita.

Fernando Lemos
(Foto: Redação Veja rio)

Motivados pela promessa de afluxo recorde de visitantes e atraídos pela possibilidade de acompanhar a preparação da seleção, os empresários apressam investimentos em novos negócios. O percurso por regiões valorizadas, como os bairros de Alto e Fátima, revela a construção de restaurantes, pousadas e galerias comerciais. Com 4?400 leitos, a rede hoteleira deverá ganhar 230 novos quartos nos próximos meses. Mesmo assim, a taxa de ocupação para o Mundial já chega aos 70%. E encontrar vaga em hotéis tradicionais, como o Bel Air, onde se hospedarão membros da CBF e equipes da TV Globo, é tarefa quase impossível. Uma alternativa são as casas de temporada. Para facilitar a busca, foi criada uma bolsa com 330 imóveis disponíveis. Em bairros de classe média, unidades com três quartos são oferecidas para aluguel por 3?500 a 5?000 reais mensais. Dono de uma casa de festas há 28 anos, o empresário Rogério de Souza animou-se a apostar em outro ramo e não se arrepende. Em dezembro, inaugurou um hotel a apenas 1 quilômetro da Granja Comary. "Viramos noites seguidas para que tudo ficasse pronto a tempo", relembra. "Hoje, já temos repórteres de jornais e rádios brasileiros confirmados e também de veículos internacionais", conta. Em outra vertente comercial, o empresário Vinicius Claussen prepara-se para abrir um complexo gastronômico de culinária italiana. Ao custo de 4 milhões de reais, o empreendimento terá 1?500 metros quadrados e 204 lugares. É o dobro de seu endereço anterior. "Tivemos um crescimento desordenado, que trouxe malefícios à cidade", acredita ele. "Mas temos um potencial incrível."

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(Foto: Redação Veja rio)

Confirmado como centro de treinamento da seleção há dois anos, o município serrano teve tempo suficiente para melhorar sua estrutura. No entanto, a exemplo de quase todas as cidades-sede da competição, enfrenta uma corrida contra o tempo para pôr tudo de pé. Quem sobe a serra logo constata a quantidade de obras na Rodovia Rio-Teresópolis (BR-116). Orçada em 52 milhões de reais, a construção da terceira pista deveria ter sido concluída em dezembro, mas atrasou e ficará pronta somente em junho. Também o equipamento urbano aguarda revitalização. Até mesmo o pórtico de boas-vindas está pichado. Segundo a prefeitura, os próximos meses serão de trabalho intenso. Para março está previsto o início da troca do mobiliário urbano, que inclui nova pintura e remodelagem de placas. De olho no cronograma apertado, uma comissão de 1?500 empresários e autoridades municipais foi criada para acelerar as ações. A estratégia faz parte da campanha "Teresópolis, casa da Seleção Brasileira". "Desde dezembro nós nos reunimos para discutir as iniciativas", diz o vice-prefeito. É preciso correr para não perder esse jogo.

Fonte: VEJA RIO