COTIDIANO

Onze talentos e um troféu

Numa festa com emoção e surpresas, os Cariocas do Ano foram premiados no Copacabana Palace

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Reginaldo Teixeira
(Foto: Redação Veja rio)

Nem toda pompa do Golden Room, ambiente aristocrático do Hotel Copacabana Palace, foi suficiente para abafar o que o Rio tem de mais característico: a irreverência. Durante a cerimônia de entrega do prêmio Cariocas do Ano, na terça-feira passada (3), um momento emblemático dessa carioquice se deu quando José Júnior, coordenador do AfroReggae, teve o nome anunciado para receber o último troféu da noite, na categoria Especial. A seu chamado, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) dividiram o palco com ex-traficantes como Washington Rimas, o Feijão, e Diego Raimundo Silva dos Santos, o Mister M, que hoje integram os projetos sociais da ONG. Naquele grand finale da festa, misturaram-se no mesmo abraço o prefeito Eduardo Paes, o vice-­governador Luiz Fernando Pezão, a cantora Preta Gil e outras personalidades presentes ao evento.

Reginaldo Teixeira
(Foto: Redação Veja rio)

A quebra de protocolo arrancou aplausos entusiasmados das 500 pes­soas que compareceram à sétima edição do prêmio, que celebra atuações inspiradoras de quem aqui nasceu ou abraçou o Rio como cidade do coração. Entre os onze exemplos notáveis laureados por VEJA RIO, uma das novidades do ano foi a categoria pautada em um critério diferente do usualmente adotado. Em vez de ter seu nome determinado pelo corpo editorial da revista, o paraibano Pedro Henrique de Cristo venceu uma eleição on-line, em que competia com outros perfilados da coluna Carioca Nota Dez, publicada semanalmente desde março. Arquiteto de políticas públicas que veio de Harvard para aplicar na favela do Vidigal seus conhecimentos sobre integração urbana e social, ele ressaltou a importância de um legado consistente pós-grandes eventos, e reafirmou seu compromisso com o Rio. "Se a Paraíba é minha mãe, o Rio é minha esposa", brincou. Outro nordestino de alma carioca, o surfista Carlos Burle (agraciado na categoria Esporte) tirou risos da plateia ao lembrar que estava atrasado para o aeroporto. Recebeu o troféu das mãos da modelo Daniella Sarahyba exatamente às 22h10, e tinha de pegar o voo da meia-noite rumo ao Havaí, onde participaria de outra premiação. Numa deferência especial a VEJA RIO, apertou sua agenda no limite da irresponsabilidade. Havia pedido, de antemão, a seu motorista para deixar o motor do carro ligado e partiu para a ilha americana ? sua ausência foi sentida na foto oficial dos premiados, após a entrega dos onze troféus. Chegou ao aeroporto em cima da hora e conseguiu embarcar.

Fotos Reginaldo Teixeira
(Foto: Redação Veja rio)

Pelos salões do Copa, abraçadinhos ou de mãos dadas, Clarice Falcão e o marido, Gregorio Duvivier, constituíram o "casal do ano" ? brincadeira feita de improviso pela jornalista e âncora de TV Ana Paula Araújo, apresentadora da noite. Clarice conquistou a honraria por sua recente, mas estelar, carreira como cantora, enquanto o ­partner foi reconhecido como o melhor ator de 2013 dentro do segmento de humor. Fofuras da festa, um dedicou ao outro os louros alcançados. Marieta Severo levou o prêmio como atriz de teatro, tanto por seu talento em cena como por difundir a arte dos palcos. "O fato de ter apostado em uma tragédia moderna como Incêndios é o que está sendo reconhecido", avaliou. A atriz Leandra Leal foi o grande nome do cinema em 2013, e dedicou, emocionada, o prêmio à sua mãe, a também atriz Ângela Leal, que fazia aniversário na terça. O mérito no universo da televisão coube a Giovanna Antonelli, sucesso em horário nobre como a delegada Helô. Ela fez questão de dividir o prêmio com os anônimos que ficam nos bastidores das produções. "O pessoal do café, da maquiagem e de todos os outros setores que não são vistos na TV está sempre torcendo para que a gente dê certo. Queria que todos também fossem lembrados", disse.

Fotos Reginaldo Teixeira
(Foto: Redação Veja rio)

Esse espírito de "herói por trás dos holofotes", aliás, permeou ainda a eleição do carioca do ano no futebol. Atual técnico do Flamengo e responsável por reativar a autoestima de um time vacilante até meados do ano, Jayme de Almeida levou a família para testemunhar o momento especial. Cerrou os punhos e comemorou como se estivesse fazendo um gol. Tão aplaudido quanto o treinador, mas bem mais contido nos gestos, dom Orani Tempesta, vencedor na categoria religião, agradeceu a receptividade do Rio, que ele hoje considera sua casa. "Quando vim de São Paulo, decidi que meu coração deveria ser carioca. Ser reconhecido como tal é motivo de muita alegria", discursou o arcebispo. E outro tímido que destacou a forte ligação com a cidade foi Paulo Jacobsen, autor das linhas desafiadoras da sede do Museu de Arte do Rio (MAR). "Arquitetos não foram feitos para falar", brincou, meio sem jeito, ao microfone, num discurso curto dedicado aos colegas de equipe. Deixa disso, Paulo. Mandou muito bem. Diante de tanta competência, brilho e inspiração ? dos onze premiados ?, nós é que ficamos sem palavras.

Fotos Reginaldo Teixeira
(Foto: Redação Veja rio)
Reginaldo Teixeira
(Foto: Redação Veja rio)
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Fonte: VEJA RIO