18 anos de prisão

Ex-PM é condenado por matar menino de 3 anos em 2008

Policial confundiu o carro em que João Roberto estava com a mãe e acertou 17 tiros no veículo. Um deles atingiu a nuca da criança

Por: Agência Estado - Atualizado em

João Roberto
João Roberto estava no carro da mãe quando foi acertado por um tiro na nuca em 2008 (Foto: Arquivo Pessoal)

A Justiça condenou a 18 anos de prisão em regime fechado o ex-cabo da Polícia Militar Wiliam de Paula pela morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, assassinado a tiros em julho de 2008. Os jurados do 2º Tribunal do Júri decidiram na terça-feira, 9, que ele cometeu homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio, contra a mãe e o irmão de João Roberto, que também estavam no carro em que o policial atirou 17 vezes.

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O crime ocorreu quando uma patrulha da PM confundiu o veículo onde os três estavam com um carro de criminosos e iniciou uma perseguição pelas ruas da Tijuca, bairro da zona norte do Rio. Um júri popular realizado em dezembro de 2008, no qual o ex-PM foi absolvido, foi anulado a pedido do Ministério Público, alegando que a decisão dos jurados à época contrariava a prova pericial que atestou o erro do réu.

Depois de o juiz Jorge Luiz Le Cocq D'Oliveira ler a sentença, o réu deixou o Tribunal do Júri preso. O juiz afirmou que De Paula "perfil desajustado, má conduta social, é suspeito de envolvimento com milicianos, além de responder por outro homicídio de um agente penitenciário".

Nos debates entre acusação e defesa,o promotor Fábio Vieira dos Santos argumentou que o réu não havia agido em legítima defesa e que o carro de polícia não circulava em local que oferecesse risco. "Ele quis matar",disse. Já a advogada assistente de acusação, Marta Barbosa, defendeu junto aos jurados que era melhor "20 bandidos soltos do que uma criança de 3 anos morta".

Na defesa do ex-PM, o defensor público Felipe Lima admitiu que uma absolvição seria exagerada, mas pedia que os jurados condenassem de Paula por homicídio culposo. Segundo ele, a tese de legítima defesa se sustentava não porque havia um perigo real, mas "o risco que existe na cabeça das pessoas". "Dizer que um PM no Rio de Janeiro não tem pânico é retirar dele a vicissitude de um homem", afirmou.

A mãe de João Roberto, Alessandra Soares, comemorou a decisão, chorando de alegria ao lado do marido Paulo Roberto Soares. "A justiça foi feita", declarou."Vou chorar e abraçar meus filhos quando chegar em casa", disse.

Fonte: Agência Estado