Histórias Cariocas

Editora paulista lança fotos com bossa carioca

Histórias e curiosidades sobre o Rio e seus habitantes

Por: Lula Branco Martins

Da janela vê-se...a praia

Ipanema pela janela do carro
Ipanema pela janela do carro (Foto: Bel Ribeiro/Divulgação)

Nascida e criada em São Paulo, a Compota é uma editora que há pouco tempo estendeu suas raízes para o Rio. Faz dois meses que chegou à multimarcas Dona Coisa, no Jardim Botânico, com suas fotografias autorais, numeradas, várias delas repletas de bossa carioca. Acima, um exemplar: a imagem parece ter sido feita de dentro de um carro antigo, mas é um registro de verão recente, realizado de um táxi com película nos vidros, em Copacabana. A autora é Bel Ribeiro, que, na ocasião, passava pela orla, indo do Leblon para o Centro. “O táxi parou no farol, e tirei a foto com o celular.” Farol? Desculpa-­se. É que ela mora em Sampa e, se fotografa com grande estilo nossas belezas, ainda titubeia no palavreado local. Bel, é “sinal” que se fala por aqui.

Pula fogueira, iaiá

Curiosa foto em preto e branco ilustra a capa do recém-lançado Brizola, livro de Clóvis Brigagão e Trajano Ribeiro (287 páginas, Paz e Terra), acerca do ex-governador do Estado do Rio, focado especialmente em suas temporadas no exílio. Onde ela teria sido tirada? Que fogueira era aquela? Por acaso era época de são-joão? O fotógrafo Aguinaldo Ramos, que trabalhava na extinta versão impressa do Jornal do Brasil, conta como foi: “Corria o ano de 1982, e Leonel Brizola estava em campanha, concorrendo a seu primeiro mandato, num roteiro pela Zona Norte. Paramos num conjunto habitacional de Irajá, onde líderes de associações de moradores promoviam a queima de armas de plástico recolhidas das crianças. Tomei uma posição, me agachei e mantive o dedo no obturador”. Pronto, virou história.

Brizola, o livro
Brizola, o livro (Foto: Reprodução)

Os traços de Caymmi

Está em cartaz no Instituto Antonio Carlos Jobim, dentro da aprazível área verde do Jardim Botânico, a mostra Aos Olhos de Caymmi, com ilustrações assinadas pelo cantor e compositor baiano, morto em 2008, que na velhice escolheu o litoral fluminense como morada. A exposição já passou por São Paulo e Salvador, reunindo desenhos dele inspirados nas próprias letras. Assim, clássicos como Marina e Milagre ganharam forma visual. Ao lado, está a representação de Dora (dos versos “ô, Dora / rainha do frevo e do maracatu / ninguém requebra, nem dança, melhor do que tu”) em um traço de 1984. São só dez trabalhos do mestre, mas o evento se completa com fotos da família (os filhos, Danilo, flautista, Dori, compositor e arranjador, e Nana, cantora, todos ligados à música, todos eles cariocas) e vídeos raros do clã.

Aos Olhos de Caymmi
Aos Olhos de Caymmi (Foto: Reprodução)

Baladas de amor do professor da PUC

Morto na semana passada, aos 74 anos, o cineasta e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) Pedro Camargo mereceu destaque nos obituários, lembrado por filmes como Amor e Traição e por sua trajetória acadêmica. Intelectual, figura badalada na Zona Sul, fez a cabeça de três gerações de alunos. Também é citado por ser compositor bissexto. Tinha orgulho, por exemplo, de Chuva, sofisticada canção gravada até por Sarah Vaughan. Ele não costumava divulgar seu flerte com a jovem guarda — uma balada sua foi gravada por Roberto Carlos: É Tempo de Amar. Em 1968, a canção teve versão italiana (ao lado), e Camargo ganhou dinheiro. “Vieram direitos autorais até dos pobres vietnamitas”, contou ao historiador Paulo Cesar de Araújo. A história está no proibido Roberto Carlos em Detalhes. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor das biografias não autorizadas, pode ser que o livro volte em 2016, pela Record.

È Tempo Di Saper Amare
È Tempo Di Saper Amare (Foto: Reprodução)

Música com vista

Deve ficar pronto em outubro o Bossa Nova Mall, perto de casas de show tão díspares quanto o Vivo Rio e o Samba Luzia, no Aterro do Flamengo. Misto de shopping com centro cultural, dedicado especialmente à música, terá como atrativo o FM Hall 2, espaço que receberá eventos diversos, com cerca de 700 metros quadrados e aquela vista da Baía de Guanabara — dará para observar tanto o Cristo como o Pão de Açúcar. Detalhe: haverá uma passagem exclusiva para aqueles que desembarcam no Aeroporto Santos Dumont, ali ao lado.

Bossa Nova Mall
Bossa Nova Mall (Foto: Reprodução)

Fonte: VEJA RIO