DIVERSÃO

Bate-papo com Diogo Nogueira

O cantor, que se apresenta nesta quinta (29) no Rock in Rio, responde às perguntas enviadas pelos leitores de VEJA Rio logo antes de subir no palco

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Divulgação / Guto Costa
(Foto: Redação Veja rio)

1 - O que leva uma revelação no mundo do samba a tocar num festival internacional de rock? Quais são suas expectativas?

Vai ser um grande barato me apresentar no Rock in Rio. Fui convidado para fazer uma participação no "Baile do Simonal", que será comandado pelos irmãos Max de Castro e Simoninha, no Palco Sunset. Essa é a minha primeira participação no festival e estou super animado.

2 - Você já falou que seu novo projeto vai ser mais popular. Adianta um pouco mais? Vai ter mais músicas compostas por você?

Estamos preparando tudo com muito carinho. Começamos a garimpar o repertório de compositores consagrados e também da nova geração, que agrade a todos. Por enquanto, posso adiantar que no novo álbum vão ter canções inéditas, de minha autoria e de outros parceiros, além de clássicos do samba.

3 - A torcida por seu samba na Portela está crescendo muito. Você está confiante de mais um campeonato de samba enredo na escola?

Eu e meus parceiros já emplacamos quatro sambas-enredo na Portela (2007 a 2010). A confiança no nosso trabalho é muito importante. Nesse ano não vai ser diferente. Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Faremos o possível para ajudar a Portela a vencer na Avenida em 2012.

4 - Qual a paixão você herdou mais fortemente de seu pai? A paixão pelo samba ou pelo futebol?

Os dois. Adoro samba e futebol. Após uma lesão que eu tive no joelho, voltei para o Rio de Janeiro e, aos poucos, começaram a surgir os primeiros convites para canjas em shows. A partir desse momento, vi que o futebol não dava mesmo para mim. Futebol e samba sempre andaram juntos. Me sinto realizado como cantor, com a carreira que eu escolhi. Mas, sempre que eu posso, jogo uma pelada com os amigos.

5 - Já pensou em gravar um CD só com músicas do seu pai?

Sempre vou gravar canções do meu pai. No momento, estou produzindo um projeto chamado Sambabook, apenas com a obra do João Nogueira interpretada por grandes nomes da nossa música. Também canto algumas músicas do meu pai nesse projeto.

6 - Com quem você ainda gostaria de dividir o palco em um show e por quê?

Gostaria de cantar com o João Gilberto. Ele é um dos grandes cantores do país, que sempre gravou importantes sambas. Sem contar que ele é um mito vivo.

7 - No que você se inspira pra compor suas músicas? Quais são suas fontes de inspiração?

Não tenho uma fonte de inspiração específica. As coisas do dia a dia, a natureza, o amor... Elas são fontes inesgotáveis de inspiração.

8 - Quais sambistas são suas principais referências? Qual o espaço da tradição do samba em seu trabalho?

Tenho várias referências musicais. O João Nogueira é a principal delas, mas também adoro os compositores da Velha Guarda, como Monarco, Nelson Sargento, Dona Ivone Lara, Cartola, Nelson Cavaquinho e Candeia. Além do Chico Buarque, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz e tantos outros bambas que fazem a história da nossa música popular brasileira. Dou uma enorme importância para as composições mais antigas. Gosto de resgatá-las e apresentar para a garotada, sempre respeitando a tradição, nossos antepassados.

9 - Você ouve rock? Ele te influencia de alguma forma? Outros ritmos de origem estrangeira tem papel importante na sua formação musical?

Gosto de música boa, mas prefiro a brasileira. Ouço de tudo, reggae, rock, hip hop... Gosto muito de Beatles, Rolling Stones e já curti muito o Guns N? Roses nos seus bons momentos.

10 - Seu álbum "Sou Eu" está indicado para o Grammy Latino 2012. Qual sua expectativa? E como está a carreira internacional?

Estou muito feliz por receber mais essa indicação e estou na maior expectativa. No ano passado tive a alegria de não apenas ser indicado, mas de ganhar o Grammy Latino como "Melhor Álbum de Samba". Tenho muito pouco tempo de carreira e todos os meus três trabalhos foram indicados ao Grammy Latino. Essas conquistas me ajudaram muito a abrir portas em vários países. Todos os anos temos feito turnês internacionais e a receptividade do público tem sido ótima. Só posso agradecer e dizer que me sinto realizado.

Fonte: VEJA RIO