DIVERSÃO

Dez motivos para visitar o Morro da Conceição

Recém-revitalizado, o morro é um programa cheio de cultura para turistas e cariocas

Por: Thaís Meinicke - Atualizado em

Em meio ao processo de revitalização da Zona Portuária da cidade, o Morro da Conceição se destaca como uma joia em meio aos canteiros de obra que ainda fazem parte da paisagem da região. Com suas vielas e construções que datam do período colonial, o morro guarda parte importante da História, não só do Rio, mas do Brasil. O local, que marca o movimento de ocupação inicial da cidade, ocorrido ainda no século XVI, foi redescoberto com a restauração de monumentos históricos integrantes do projeto Porto Maravilha e, mais recentemente, com a inauguração do Museu de Arte do Rio, construído ao pé do morro.

A riqueza histórica da área faz dela uma atração turística repleta de cultura e longe do roteiro comum da Zona Sul. O morro fica localizado nos arredores da Praça Mauá e apresenta fácil acesso a pé, seja pelas escadarias e ladeiras, pela Pedra do Sal ou pelo Jardim do Valongo. Confira dez atrações imperdíveis e cheias de história no Morro da Conceição:

Jardim Suspenso do Valongo

Projetado em 1906 por Luiz Rey, o Jardim Suspenso do Valongo é um amplo mirante e área de lazer. Localizado na subida do Morro da Conceição, na Rua Camerino, o Jardim fica aberto a visitação diariamente, das 10h às 18h, e a Casa da Guarda, localizada em suas dependências, abriga uma exposição permanente com achados arqueológicos das escavações das obras do Porto, como talheres, jarros e objetos de higiene pessoal. No Jardim há ainda estátuas dos deuses Minerva, Marte, Ceres e Mercúrio, que ficavam no Cais da Imperatriz.

Rua Camerino, s/n, Saúde. Terça a domingo, das 10h às 18h.

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(Foto: Redação Veja rio)

Pedra do Sal

O local recebe este nome porque era ali que o sal importado de Portugal era descarregado por escravos africanos que trabalhavam nos cais de atracação e nos trapiches. Os degraus foram talhados na pedra pelos próprios negros e ali foram fundados os primeiros ranchos carnavalescos, afoxés e pontos ritualísticos na segunda metade do século XIX. Após o trabalho, sambistas estivadores se reuniam para as rodas de samba nas casas das tias baianas. Grandes nomes da música, como Pixinguinha, frequentavam o local, que ainda hoje recebe rodas de samba e outros eventos culturais.

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(Foto: Redação Veja rio)

Museu de Arte do Rio

Aberto ao público no início de março após quase três anos de obras, o Museu de Arte do Rio (MAR) ocupa dois prédios de perfis heterogêneos: o palacete tombado Dom João VI e um edifício de estilo modernista, que instalava um terminal rodoviário. Os dois prédios que formam o museu são unidos por meio de uma passarela e uma cobertura em forma de onda. O complexo do MAR possui 15 000 metros quadrados e inclui oito salas de exposições, divididas em quatro andares, além da Escola do Olhar e áreas de apoio técnico e de recepção.

Praça Mauá, s/nº, Zona Portuária. Tel. 2203-1235. Terça a domingo, 10h às 17h. R$ 8,00. Grátis às terças. museumar.com

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(Foto: Redação Veja rio)

Cemitério dos Pretos Novos

Um sítio arqueológico foi descoberto no número 36 da Rua Pedro Ernesto em 1996, quando os moradores de uma casa realizavam uma reforma na residência. Durante as escavações, foram encontrados milhares de fragmentos de ossos humanos misturados. Embaixo da estrutura do prédio havia um cemitério secular de negros vindos da África que, doentes, morriam antes de serem comercializados. Com o objetivo de manter vivo este capítulo da história do país, o local foi transformado em sítio arqueológico e, mais tarde, em Centro Cultural.

Rua Pedro Ernesto, 36, Gamboa. Tel. 2516-7089. pretosnovos.com.br

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(Foto: Redação Veja rio)

Construções com arquitetura do século XIX

Diversas construções do Morro da Conceição possuem valor histórico, em uma reunião de sobrados e vilas operárias do século XIX. As casas, de arquitetura tipicamente portuguesa, mantêm-se conservadas ainda hoje e espalham-se pelas ruas com fachadas coloridas, principalmente na Rua do Jogo da Bola e na Ladeira João Homem. O local abriga ainda uma série de ateliês de artistas plásticos.

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(Foto: Redação Veja rio)

Palácio Episcopal da Conceição

Erguido em 1634, o palácio abrigou, de 1702 a 1905, a residência do bispo do Rio de Janeiro, recebendo o nome de Palácio Episcopal da Conceição. Em 1923, foi adquirido pelo Ministério da Guerra e passou a sediar o Serviço Geográfico do Exército. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), atualmente abriga o Museu Cartográfico. Em seu acervo estão mapas, fotografias e instrumentos utilizados em levantamentos topográficos - com destaque para um raríssimo mapa do Brasil do século XVIII que possui apenas dois exemplares no mundo, esse e outro que se encontra guardado em Lisboa, Portugal.

Rua Major Daemon, 81, Morro da Conceição. Tel. 2223-2177. Segunda a quinta, 8h às 16h; sexta, 8h às 12h. Grátis. Visitas agendadas.

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(Foto: Redação Veja rio)

Maior grafite do Rio

Em fevereiro de 2013, a Zona Portuária ganhou um imenso painel pintado pelo artista plástico Tomaz Viana, mais conhecido como Toz. A pintura ocupa a lateral de um prédio na Rua Coelho e Castro, próximo à Pedra do Sal, com 30 metros de altura e 70 de largura, e compõe o maior grafite do Rio. O artista contou com uma equipe de oito grafiteiros para auxiliar no desenvolvimento do painel, que é dividido em triângulos, com imagens de crianças, animais e balões.

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(Foto: Redação Veja rio)

Fortaleza da Conceição

A fortaleza foi construída para ser um dos pontos estratégicos de defesa da cidade após a invasão da região por corsários franceses ocorrida em 1711. Erguida entre 1713 e 1718, ela é tombada pelo Iphan e hoje abriga a 5ª Divisão de Levantamento do Exército. As visitas devem ser agendadas e incluem o pátio, a capela e as masmorras, onde ficavam presos políticos, como os líderes da Inconfidência Mineira.

Rua Major Daemon, 81, Morro da Conceição. Acesso pela Rua do Acre, Saúde. Tel. 2223-2177 / 2263-9035. Segunda a quinta, das 7h às 16h; sexta, das 7h ao meio-dia. Grátis. Visitas agendadas.

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(Foto: Redação Veja rio)

Vista da Baía de Guanabara e do Centro do Rio

Quem está acostumado a admirar a vista da cidade apenas na Zona Sul, pode mudar de ares em uma visita pelas ruas do Morro da Conceição. Subindo as ladeiras e ruas de paralelepípedo, é possível ter uma visão privilegiada da Baía de Guanabara e do Centro do Rio, principalmente de dentro da Fortaleza da Conceição.

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(Foto: Redação Veja rio)

Igreja de São Francisco da Prainha

Construída em 1696 pelo padre Francisco da Motta, ao pé do Morro da Conceição, a igreja foi destruída em 1711, durante a invasão francesa ao Rio. Foi reconstruída a partir de 1738, quando ganhou o estilo barroco que tem até hoje. Nesta época, o mar avançava até o morro e, em frente à igreja, havia uma pequena praia. A decoração interna data do século XIX e, no altar-mor, há uma imagem de Bom Jesus dos Navegantes.

Largo de São Francisco da Prainha, 15, Centro. Tel. 2571-6242.

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(Foto: Redação Veja rio)

Fonte: VEJA RIO