Memória da cidade

Arte Sesc reabre com exposição sobre o escritor Graciliano Ramos

Espaço cultural no Flamengo sedia mostra sobre os anos cariocas do escritor alagoano

Por: Lula Branco Martins

Arquivo pessoal
(Foto: Arquivo pessoal)

Reabrindo o Espaço Cultural Arte Sesc, um casarão de 1912, no Flamengo, que esteve fechado por quatro anos, a exposição O Cronista Graciliano no Rio de Janeiro, em cartaz desde segunda (9), revela momentos marcantes do romancista Graciliano Ramos na cidade. Foi aqui que ele escreveu clássicos como Memórias do Cárcere e Vidas Secas. Alagoano da pequena Quebrangulo, em 1914 desembarcou na então capital do país para atuar como revisor no Correio da Manhã. Acariocou-se definitivamente no fim da década de 30, morrendo, no Rio, em 1953. A mostra reúne fotos, vídeos e uma delicada reconstituição de seu ambiente de trabalho. Há, inclusive, uma carta ao presidente Getúlio Vargas, escrita por Graciliano em 1937, depois de sair do cárcere na Ilha Grande (havia sido preso por motivos políticos, após a Intentona Comunista, de 1935). Sua aguda observação sobre o dia a dia dos cariocas gerou crônicas como aquela que fala das pessoas em pé na lateral dos bondes, texto com destaque na atual exposição ao lado da foto de um vagão lotado. Trecho: “Está claro que nenhum passageiro dos bancos deseja ser pingente e que todos os pingentes gostariam de sentar-se. Sucede, porém, que o pingente se acostuma a andar pendurado e, no fim da viagem, se deixa ficar onde está, ainda que haja lugares no carro. Subir para logo depois descer... que maçada! Não vale a pena. Continua como está, pingente. Adquiriu alma de pingente”. A exposição vai até 19 de abril.

A rotina do autor

Itens como sua roupa favorita e a máquina de escrever estão no Arte Sesc

TERNO

Preservados por parentes, artigos de vestuário, como este paletó cinza de quatro botões, revelam o gosto de Graciliano

Terno
(Foto: Divulgação)

AUTÓGRAFO

O exemplar de Sagarana dado de presente pelo próprio Guimarães Rosa em 1946

Livro
(Foto: Alaor Filho)

PRETINHAS

Sua velha máquina de escrever, de quando ainda não havia arroba no teclado

Máquina de escrever
(Foto: Alaor Filho)

 

Fonte: VEJA RIO