COTIDIANO

O joio e o trigo

Informar-se sobre os candidatos é o primeiro passo para manter os malfeitores longe da Câmara

Por: Caio Barretto Briso - Atualizado em

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A cada quatro anos surge o mesmo dilema: em quem votar para a Câmara dos Vereadores? Na busca por um candidato, é comum o eleitor ceder à sugestão de um conhecido ou decidir-se de última hora pelo nome que lhe vier à cabeça. E, assim, vota-se no simpático padeiro da esquina, no amigo de um amigo ou naquela pessoa que a gente não tem a menor ideia se honrará o mandato, mas que promete representar os interesses do bairro onde moramos. É um vasto balaio em que cabem ainda atores de TV, cantores e esportistas em carreira descendente que tentam capitalizar o pouco que resta de popularidade. De todos os cargos eletivos, o mais negligenciado pela população é o de vereador ? uma prova disso é que, em 2008, um dia antes da eleição, uma enquete do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) mostrou que mais da metade dos cariocas ainda não sabia em quem votar para o parlamento municipal. Neste pleito, a situação não deve ser muito diferente. "Para o eleitor, os vereadores são inexpressivos. Existe no Brasil uma cultura de que só os votos para prefeito, governador e presidente importam", diz Claudio Weber Abramo, diretor executivo da ONG Transparência Brasil, uma das raras entidades que acompanham a atuação dos parlamentares.

Identificar o representante ideal em meio aos 1?624 concorrentes ao Palácio Pedro Ernesto é uma tarefa de alta complexidade. A grande maioria, 62,5%, parou de estudar no ensino médio e 14% nem sequer concluíram o fundamental. Entre as categorias mais representadas, em primeiro lugar aparecem os comerciantes, com 107 integrantes, mas chama atenção a quantidade de policiais militares (39) e donas de casa (36). Há até cinco garis na corrida. Em um cenário assim, como escolher o melhor? É difícil. No entanto, com a ajuda da internet, é possível garimpar informações e fazer uma rápida investigação para pelo menos descartar os piores (confira as dicas no quadro ao lado). Se seu candidato já foi parlamentar, as informações serão mais completas, pois é fácil descobrir o que ele fez no exercício do cargo. O mais importante é considerar alguns pré-requisitos indispensáveis antes de definir seu voto. Um deles: o futuro político precisa ser um cidadão de conduta exemplar. Apenas por esse critério, treze dos 51 atuais vereadores estariam fora do jogo, pois acumulam pendengas na Justiça ou em tribunais de contas. Com cuidados assim, é possível evitar a eleição de aventureiros e aproveitadores e tornar a Câmara Municipal mais eficiente e comprometida com o dia a dia da cidade.

Fonte: VEJA RIO