Memória da Cidade

Comitê Rio450 festeja a marca de 100 documentos antigos

Enviados por gente de todos os cantos do Rio, fotos serão digitalizadas. Serão aceitas mais fotos somente até o mês que vem

Por: Lula Branco Martins

O repórter Léo Montenegro (à dir.  na foto) fingindo-se  de mendigo
O repórter Léo Montenegro (à dir. na foto) fingindo-se de mendigo (Foto: Acervo Pessoal)

Está se encerrando o prazo para o envio de fotos antigas, que revelem um pouco da história da cidade, ao Comitê Rio450. Cem já estão na internet, digitalizadas, no site da instituição (www.memoriacariocario450.com.br), e outras ainda podem ser selecionadas, até outubro. O objetivo é montar uma exposição com os suportes físicos, em local e data a ser definidos. Entre as últimas preciosidades recebidas pela comissão que separa joio de trigo, destacam-se três: 1) O ingresso de um Fla-Flu disputado no Maracanã em 15 de junho de 1969, uma vitória do tricolor que gerou uma famosa crônica de Nelson Rodrigues, que começava assim: “Amigos, a humildade acaba aqui”; 2) O recibo de compra e venda de um imóvel, chamado no texto de “barraco”, atestando que no início dos anos 60 já estavam de pé as favelas de Lucas e Vigário Geral, ao redor da Avenida Brasil, na Zona Norte; e 3) Uma série de fotos que mostram o trabalho do repórter Léo Montenegro, que por décadas escreveu no jornal O Dia a coluna Avesso da Vida. Ele costumava abordar casos contados em mesas de bar, esmiuçava o cotidiano dos subúrbios e ainda descrevia ocorrências policiais.

O ingresso  de um jogo histórico
O ingresso de um jogo histórico (Foto: Acervo Pessoal)

Entre as imagens de Montenegro selecionadas há fotos de uma reportagem em que ele simulou ser um indigente, mendigando em ruas das imediações do Campo de Santana, no Centro, em 1966. Na primeira página, dizia-se sobre essa matéria: “Nosso repórter passou vários dias no submundo da fome, do vício e do crime, sentindo na pele uma triste realidade, pois o que o estado oferece como assistência social não passa de dois albergues que mais parecem sucursais do inferno”. O jornalista morreu de infarto, em agosto de 2003, poucos dias após a morte de seu maior ídolo na profissão, Ary Carvalho, dono do diário.

O recibo da venda de um barraco
O recibo da venda de um barraco (Foto: Acervo Pessoal)

"Declaro que recebi do senhor Alfredo Ramos de Oliveira a importância supra de 100 000 cruzeiros, referente à venda de barraco de minha propriedade, sito à Rua da Marinha, 44, livre e desembaraçado, localizado na Favela do Centro, entre Lucas e Vigário Geral."

Fonte: VEJA RIO