Roteiro da Semana

Milão por testemunha

Cidade serve de cenário para os conflitos de uma paixão arrebatadora no drama Um Sonho de Amor

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Vem de longa data o projeto de Um Sonho de Amor. Em 1999, o diretor italiano Luca Guadagnino comandou a atriz inglesa Tilda Swinton em The Protagonists e, três anos depois, a reencontrou no documentário em curta-metragem The Love Factory. Desde aquela época, pensavam em levar às telas uma história de amor trágica e passional. Tilda, porém, seguiu por outros caminhos em Hollywood. Fez o anjo Gabriel em Constantine (2005) e, em 2008, atingiu o estrelato ao levar o Oscar de melhor atriz coadjuvante por Conduta de Risco e atuar como a Feiticeira Branca no sucesso de bilheteria As Crônicas de Nárnia. A nova parceria entre a intérprete e o cineasta rendeu elogios nos festivais por onde passou e foi indicada ao Oscar 2011 de melhor figurino.

Trata-se de um melodrama de ritmo operístico, influenciado pelo cinema de Luchino Visconti e com ecos de O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence. A mistura pode ser pretensiosa, mas dá certo. Sobretudo pela condução muito elegante do realizador e pelo brilho contido de sua protagonista. O roteiro, entretanto, abre-se em desnecessárias subtramas. Na principal, aparece Emma (Tilda), uma russa que abandonou seu país ao aceitar o pedido de casamento de Tancredi Recchi (Pippo Delbono), rico empresário italiano do ramo da indústria têxtil.

Duas décadas depois, Emma leva uma vida confortável numa mansão, recebe seus convidados em tubinhos da grife Jil Sander e se dá bem com os três jovens filhos. O matrimônio não anda às mil maravilhas e Emma sabe disfarçar sua insatisfação. Algo, contudo, vai abalar o cotidiano dos Recchi. Num acesso de incontrolável desejo, ela se encanta por Antonio (Edoardo Gabbriellini), simplório chef de cozinha, amigo e futuro sócio de seu primogênito (papel de Flavio Parenti).Sem nunca ter falado a língua italiana, Tilda se vira bem no idioma e ainda arrisca algumas frases em russo.

Suas belas cenas de sexo com o amante mostram também a ousadia da estrela cinquentona. Guadagnino parece igualmente audacioso. São magníficos os planos abertos da cidade sob a neve e impecáveis os enquadramentos pouco usuais para registrar o cotidiano dos personagens. A arquitetura de Milão, o charme das ruazinhas de San Remo e o bucólico interior da Ligúria são atrações à parte e ganham peso de testemunhas da arrebatadora paixão.

Um Sonho de Amor, de Luca Guadagnino (Io Sono l?Amore, Itália, 2009, 120min). Espaço Rio Design Vip, Estação Sesc Espaço 2, Estação Sesc Ipanema 2, Unibanco Arteplex 6.

Fonte: VEJA RIO