DIVERSÃO

Cinco programas imperdíveis para o fim de semana

Confira a seleção especial de VEJA RIO para deixar seu fim de semana ainda mais animado

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(Foto: Redação Veja rio)

Montagem com o recorde de cinco menções na primeira lista de indicados à edição paulistana do Prêmio Shell de 2014, este projeto do diretor Guilherme Leme justifica plenamente os elogios que vem colhendo. Trata-se de uma releitura de três personagens femininas pinçadas de tragédias gregas: Antígona, Electra e Medeia, cada uma com um segmento próprio dentro do espetáculo. No primeiro, em adaptação de Caio de Andrade, Letícia Sabatella dá voz com notável entrega à mulher atormentada pela necessidade de enterrar dignamente o irmão. Em seguida, uma austera Miwa Yanagizawa encarna, na versão de Francisco Carlos, a vingadora do pai assassinado pela própria mãe. No único texto não encomendado pelo diretor, do alemão Heiner Müller, Denise Del Vecchio, arrebatadora, interpreta a nefasta personagem que mata os filhos para punir o marido traidor. Por vezes interagindo com as atrizes, os músicos Fernando Alves Pinto e Marcelo H executam a bela trilha sonora, indicada ao Shell, composta pela dupla e por Letícia. Com todo o merecimento, também foram lembrados pelo júri a direção minuciosa de Leme, a potente atuação de Denise, os elegantes figurinos de Glória Coelho e a deslumbrante luz de Tomás Ribas (vale dizer, em perfeita sintonia com o cenário de Aurora dos Campos). São méritos individuais significativos, mas que parecem se condensar em um: a admirável harmonia entre polos opostos alcançada pela montagem. Os textos sintéticos preservam a amplitude das histórias originais, o tom solene das interpretações convive com alta voltagem dramática, o rigor das marcações não resvala em frieza e a estética revela grande sofisticação por trás do aparente despojamento. Com certo grau de experimentalismo, a peça não é das mais fáceis, mas recompensa com sobras quem se dispõe a embarcar na proposta (75min). 14 anos. Estreou em 25/7/2014.

Centro Cultural Banco do Brasil ? Teatro I (175 lugares). Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. Sexta, 19h; sábado e domingo, 17h e 19h. R$ 10,00. Bilheteria: a partir das 10h (sex. a dom.). Até 14 de setembro.

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(Foto: Redação Veja rio)

Após dividir o projeto Agridoce com seu guitarrista, Martin Mendonça, por três anos, Priscilla Leone, a Pitty, retoma o papel de band leader em grande estilo. Ela fez as pazes com o rock, como mostram as letras e os arranjos pesados do novo disco, Setevidas, seu primeiro trabalho de inéditas desde Chiaroscuro (2009). Antes, no tempo que dedicou à carreira paralela, também enfrentou turbulências. Peu, seu primeiro guitarrista, se suicidou. Lou Reed, uma de suas grandes referências, morreu. Joe Gomes, baixista desde o início da banda, entrou na Justiça trabalhista e rompeu a amizade de longa data ? foi substituído por Guilherme Almeida, no trio que se completa com Martin e Duda Machado (bateria). Essa série histórica de infortúnios, da qual ainda faz parte uma internação da cantora e compositora baiana no ano passado, foi exorcizada, no álbum mais recente, em faixas como a do título, sobre a incômoda presença da morte, e Boca Aberta, que lista tentativas vazias de preencher a vida. Hits antigos do porte de Equalize, Me Adora e Máscara, este o seu primeiro sucesso, também fazem parte do repertório.

Circo Voador (2?000 lugares). Arcos da Lapa, s/nº, Lapa, ☎ 2533-0354. Sexta (15) e sábado (16), a partir das 22h. R$ 100,00 (segundo lote). Desconto de 50% com a apresentação do e-flyer ou 1 quilo de alimento não perecível. Bilheteria: 12h/19h (ter. a qui.); a partir das 12h (sex.); a partir das 14h (sáb.). IC. www.circovoador.com.br.

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(Foto: Redação Veja rio)

Expoente do surrealismo, o criador catalão tem reunidos 69 trabalhos em A Magia de Miró, Desenhos e Gravuras, em cartaz na Caixa Cultural. A seleção do curador Alfredo Melgar, amigo próximo do artista, deixa de fora seus trabalhos mais nobres ? não espere ver, por exemplo, o célebre óleo O Carnaval de Arlequim. Mas, curiosamente, o recorte definido reforça o interesse pela exposição. Boa parte do acervo exibe esboços para futuras obras, o que permite um vislumbre do processo criativo de Joan Miró (1893-1983). Há peças despretensiosas, feitas em folhas de papel amassadas e cartões de papelão. Outras sugerem experimentações de materiais, como aquelas em que cortiça e lixa são usadas em desenhos com nanquim e giz de cera. A variedade de superfícies impressiona: aparecem embrulho, sulfite, papel japonês e cartolina, entre outros materiais. Todas as peças preservam algo do lirismo e do universo onírico sugerido nas telas mais conhecidas, pródigas em linhas sinuosas e formas fluidas. Especialmente interessante é um conjunto de litografias, cada uma acompanhada de sua respectiva versão finalizada em guache, a exemplo de O Cavalo Ébrio (1964).

Uma seleção de 23 belas fotografias em preto e branco de Miró, feitas pelo curador, completa a mostra. Caixa Cultural ? Galeria 3. Avenida Almirante Barroso, 25, Centro, ☎ 3980-3815, Carioca. Terça a domingo, 10h às 21h. Grátis. Até 28 de setembro.

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(Foto: Redação Veja rio)

Nascida em 1942, na então república socialista da Geórgia, a pianista ganhou notoriedade aos 20 anos, quando conquistou o terceiro prêmio no Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscou. Quatro anos depois, o primeiro lugar no Concurso Schumann, realizado na cidade alemã de Zwickau, consagrou-a como uma prestigiada intérprete do compositor alemão que batiza a competição. Entre as primeiras criações de Schumann para piano, os doze Estudos Sinfônicos, Op. 13 estão no programa levado ao Theatro Municipal na quinta (14). O público também vai ouvir Nove Variações sobre a Arieta "Lison Dormait", em Dó Maior, KV 264, exemplo da capacidade de improviso do jovem Mozart, a vibrante Sonata Nº 1 em Dó Maior, Op. 1, de Brahms, e Andante con Variazioni, em Fá Menor, Hob. XVII: 6, de Haydn. A instrumentista hoje divide-se entre a rotina como professora, no Conservatório de Moscou e em Munique, e os compromissos em salas de concerto.

Theatro Municipal (2?244 lugares). Praça Marechal Floriano, s/nº,Centro, ☎ 2332-9191, Cinelândia. Quinta (14), 20h30. R$ 50,00 (galeria, filas H a K) a R$ 420,00 (plateia e balcão nobre). Bilheteria: a partir das 10h (qui.).

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(Foto: Redação Veja rio)

O mundo sofreu um colapso e, dez anos depois, virou uma terra sem lei. Nos confins do deserto australiano, um trio de ladrões rouba de Eric (Guy Pearce) seu único bem, um velho automóvel. Como um lobo atrás de sua presa, esse homem solitário e aparentemente inofensivo inicia uma caçada e tira da frente quem se coloca em seu caminho. Ele encontra Rey (Robert Pattinson) baleado e, ao descobrir se tratar do irmão de um dos larápios, ajuda o cara com segundas intenções. Diretor do surpreendente Reino Animal ? só lançado em DVD ?, o australiano David Michôd dá uma ambiência árida e melancólica ao seu segundo longa-metragem: The Rover ? A Caçada. Em meio à violência atordoante, emerge um rascante painel pós-apocalíptico de desfecho arrasador. Pattinson (Crepúsculo) convence no papel, mas é Guy Pearce quem supera qualquer expectativa. Direção: David Michôd (The Rover, Austrália/EUA, 2014, 103min). 16 anos. Estreou em 7/8/2014.

Fonte: VEJA RIO